Homilias

Festa da Sagrada Família

 

Eclo 3, 3-7.14-17ª

Cl  3, 12-21

Lc 3, 41-52

 

No primeiro Domingo depois da solenidade do Natal, a liturgia põe a festa da Sagrada Família, para mostrar a família, em que Jesus cresceu, porque cada homem nasce e vive numa família. As leituras do Domingo propõem uma reflexão sobre a família, sobre os pais e sobre os filhos.

A primeira leitura, tirada do livro de Bem Sirá (ou Eclesiástico) contém conselhos admiráveis para algumas situações da vida. Uma boa parte do livro de Bem Sirá é dedicada à vida familiar, aos deveres do marido e da mulher, às obrigações dos filhos para com os pais e vice-versa.

O trecho deste Domingo fala-nos dos deveres dos filhos para com os pais; deveres que se podem resumir numa palavra: “honrá-los”. O que significa isso? Antes de mais, que a sua vida deve ser tão boa, integra e correta, que os pais, sempre que ouçam falar dos filhos, possam sentir-se realmente honrados. Depois, significa que devem ajudá-los economicamente e assisti-los, quando precisarem (hoje acontece o contrário, são os pais e os avós que apoiam e sustentam o filhos e os netos!?) Nesta leitura é comovente, sobretudo, a recomendação de tomar conta do próprio pai, quando é velho. Pode acontecer que ele chegue, por causa da idade, a perder a cabeça, que não raciocine mais, que digas coisas ofensivas e que, por isso, seja necessário aturá-lo! Mas tudo isso não é motivo para justificar o desprezo e o abandono, como acontece hoje em tantas famílias, em que os velhos pais são abandonados nos lares. Há um terceiro significado, ainda mais profundo. Na língua aramaica, o termo “honrar” quer dizer “ter peso”. Então, honrado” é, pois, aquele a quem “se dá peso”. Agrada muito a Deus o amor dos filhos para com os pais. Isso ressalta das numerosas promessas, feitas àqueles que tomam conta do pai e da mãe. Acumularão tesouros diante de Deus; quando orarem, serão sempre atendidos; terão filhos exemplares; e, se tiverem cometido qualquer pecado, ser-lhe-á perdoado.

A leitura parece falar somente dos deveres dos filhos. Até parece que os pais podem fazer o que lhe apetece, enquanto os filhos serão sempre obrigados a assisti-los. Pergunta-se, então: “ Pode, por exemplo, um pai embebedar-se, não respeitar a própria mulher, desbaratar o dinheiro, meter-se em zaragatas com todos e depois pretender obediência e respeito dos filhos?” Sabemos que estas coisas, infelizmente, acontecem, até nas famílias que se dizem cristãs. Todavia, recorde-se que, para um verdadeiro cristão, o amor deve ser incondicional. São Paulo recomenda:” Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade e de mansidão e de paciência. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente”. Numa palavra não se ama uma pessoa porque é boa, mas deve fazer-se com que ela se torne boa amando-a. Se isso vale para todos, vale, sobretudo, em relação aos pais. Amá-los não ignifica deixá-los fazer o que querem, mas compreendê-los e ajudá-los a ser felizes. Também os filhos não se comportam sempre de maneira exemplar. E, no entanto, os pais muitas vezes não desanimam e esperam sempre que eles melhorem. Mas também é verdade que, perante hábitos ou comportamentos que não se podem mudar, não resta senão a paciência.

Mas hoje é-nos apresentada como modelo a Sagrada Família, uma família um bocado particular. Esta Santa família de Nazaré traz uma mensagem para todas as famílias, que vale também hoje, numa altura em que a família como instituição está em crise. A mensagem é o anúncio que é possível uma santidade não somente individual, mas uma bondade, uma santidade coletiva, familiar e partilhada, como um contágio de santidade entre as relações humanas. Santidade não significa “ser perfeitos”- nem sequer a relações entre José, Maria e Jesus eram perfeitas- Há, de facto, aflição e angústia, provocados pelo filho adolescente. Jesus tinha doze anos e tinha-se afastado dos pais sem lhes pedir licença e, quando a mãe lhe pede explicações para aquilo que fez, até parece que responda mal! Maria e José, por sua vez, não compreenderam as suas palavras! Portanto, houve desentendimento e incompreensão explícita! Santidade não significa não ter defeitos, mas ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Deus e traduzi-los, com fadiga e alegria, em gestos. Ora bem, Deus é Amor, ou seja vida e, obviamente, no topo dos seus sentimentos está o Amor. Na casa, onde existe o amor, aí existe Deus. E aqui falo não somente do amor espiritual, mas do amor vivo e poderoso, encarnado no quotidiano, visível e, ao mesmo tempo, segredo. Amor que se mostra numa carícia, num alimento preparado com cuidado, numa palavra afetuosa, ou numa brincadeira que desdramatiza situações penosas; na paciência de escutar, no desejo de abraçar-se. Não existem dois amores: o Amor de Deus e o amor humano. Há um único grande projeto, um único grande amor que move Adão e Eva, o irmão para a irmã, o pai para o filho, o inimigo para o amigo, Deus para a humanidade. È isso que significa o Natal. È o sorriso de Deus! Deus fez-se um de nós para que no tornássemos como Ele.

“Jesus desceu, então, com eles para Nazaré e era-lhes submisso.” Jesus deixa o Mestres da Lei e vai com Maria e José que são “mestres” de vida. Durante anos aprende a arte de ser bom obedecendo aos pais, ou seja seguindo aos ensinamentos dos pais. Maria é meigamente forte, mais passiva. José é um pai não autoritário, que sabe recuar. È na vida escondida de Nazaré que Jesus aprendeu a trabalhar, a obedecer, a beijar e a ser beijado, a abraçar e a ser abraçado, a tratar as pessoas (sobretudo as mulheres) de maneira livre. Foi Jesus que inaugurou relações novas entre o homem e a mulher, paritárias e sem medos. A Bem-Aventuranças Jesus viu-as em sua casa, viveu-as junto com os pais, aprendeu-as na casa de Nazaré através dos pais: eram pobres, justos, puros de coração, mansos, construtores de paz, com entranhas de misericórdia para com todos. E o seu falar era: “Sim, sim; não, não!” Jesus sentia-se bem tão bem com os seus pais que com Deus Pai adotou a linguagem de casa e chama-o: “Abbá! Pai”. E isso significa estender aquelas relações a nível de massa! Por isso dirá: “Vós sois todos irmãos”.

Também hoje, tantas famílias, longe dos refletores, com grande fadiga, tecem profundos elos de amizade, de boa vizinhança e ade ajuda e colaboração; vidas extraordinariamente “santas” nas pequenas coisas, como aconteceu em Nazaré.

A família é o lugar, onde se aprende a pronunciar o nome de Deus e o nome mais belo de Deus é: Amor, Pai e Mãe. A família é o primeiro lugar, onde reside o primeiro magistério, ainda mais importante do da Igreja! È da porta de casa que saem os Santos, os que sabem dar e receber amor e que, por isso, saberão ser felizes.

 

Frei João Sartori


Documentos para download


esenyurt escort izmir escort bodrum escort marmaris escort avcılar escort beylikdüzü escort esenyurt escort beylikdüzü escort esenyurt escort izmir escort izmit escort antalya escort antalya escort bayan https://jstrieb.github.io/link-lock/#eyJ2IjoiMC4wLjEiLCJlIjoiTXR6eFU2bTZzZXJ2S1JoemNnaWM4MGxJbkQxZmx1cFhjWVJkTkwxUzdWL3FXRnIwVGViVEpWdzhWd1VpZlU1d0NNYzNQK3o4blE9PSIsImgiOiJrb3JoYW5pc2JhY2siLCJpIjoicW04akM1c2VJRm9Uc0FiWiJ9
sakarya escort adapazarı escort anal escort akyazı escort erenler escort hendek escort karapürçek escort karasu escort sapanca escort serdivan escort söğütlü escort taraklı escort kampüs escort escort escort bayan escort sakarya sakarya escort bayan
sakarya escort sakarya escort bayan adapazarı escort escort sakarya akyazı escort arifiye escort erenler escort ferizli escort geyve escort hendek escort karapürçek escort karasu escort kaynarca escort kocaali escort pamukova escort sapanca escort serdivan escort söğütlü escort taraklı escort
sakarya escort akyazı escort arifiye escort erenler escort ferizli escort geyve escort hendek escort pamukova escort sapanca escort serdivan escort söğütlü escort taraklı escort
sakarya escort sakarya escort bayan adapazarı escort escort sakarya
serdivan escort serdivan escort bayan escort bayan bodrum escort marmaris escort eporner ankara travesti marmaris escort
game poker