Padre ou frade? Qual é a diferença?

Padre ou frade? Qual a diferença?

 

Com frequência, quando me acontece encontrar um grupo de jovens, adolescentes ou crianças … sobretudo depois de um testemunho vocacional, chega esta pergunta:

«Mas que diferença é que existe entre um padre e um frade?».

 Não é só uma pergunta de crianças. É uma verdadeira e própria questão "eclesiológica", isto é, sobre a natureza da Igreja e de algumas suas componentes essenciais: o sacerdócio e a vida consagrada. Sem o sacerdócio a Igreja não está de pé. Sem a vida dos consagrados a igreja é menos bela.

Para procurar perceber com um olhar simples aquilo que diferencia (e faz assemelhar) estas duas vocações, é preciso ver a sua relação com Jesus.

 

O Senhor Jesus, no curso do seu ministério público, foi seguido por muitas pessoas, homens e mulheres. Todos mais ou menos explicitamente por Ele chamados a partilhar a sua estrada. Se olharmos para o Evangelho de Marcos, notamos que vem narrado o chamamento de Simão e André, e logo a seguir também de Tiago e João (Mc 1, 16-20; cfr. 2, 13-14). Não são, porém, os únicos a sentirem-se convidados a seguir Jesus. Também o "jovem rico" ouve a proposta deste chamamento (Mc 10, 21). Mas sabemos que se vai embora noutra direção, triste. A seguir Jesus, há depois também algumas mulheres: só algumas delas estarão com Ele também aos pés da cruz (Mc 15, 40-41). Este primeiro chamamento faz destas pessoas discípulos.


É uma coisa bem diversa quando Jesus, tendo-se retirado para o monte com vários discípulos, escolhe uma dúzia deles e a estes dá um mandato e um nome mais: constitui-os apóstolos  (Mc 3, 13-19; cfr. 6, 7-13).

A Igreja associa o chamamento e o serviço típico dos apóstolos à Hierarquia constituída pelo sacramento da Ordem. Os bispos são os sucessores dos Apóstolos: cada um deles guia a Igreja particular a ele confiada em comunhão com o Papa, sucessor do Príncipe dos Apóstolos. Qual é a peculiaridade dos bispos (e daqueles a quem eles “delegam” as características mais importantes do seu sacerdócio, isto é os sacerdotes)?

A vocação peculiar do bispo e do padre (e de certo modo também do diácono) é fazer aquilo que Jesus fez. E o que é que fez Jesus na sua vida e no seu ministério público? Essencialmente anunciou o Evangelho e realizou milagres e curas. O bispo, e o padre, com efeito, são tais para pregar a Palavra de Deus e realizar aqueles milagres que são os sacramentos. Através deles Jesus opera ainda para nós de modo indubitável.


Por outro lado, na Igreja existem muitos homens e mulheres que – como muitos entre os discípulos do Jesus histórico – querem viver como Jesus viveu.

Pretendem, de certo modo, fazer próprio aquilo que era essencial e típico do seu estilo de vida. Ele nunca se casou ou uniu a uma mulher: foi casto. Não teve nada para si, sobretudo nos últimos três anos de vida: foi pobre. Enfrentou a vida fazendo própria a vontade do Pai celeste: foi obediente. As características peculiares do estilo de vida que Jesus escolheu para si mesmo, são os três votos que fundam a vida consagrada dos monges e monjas, dos frades e freiras, assim como de homens e mulheres consagradas embora permanecendo "no mundo". Através deles, a vida de Jesus está ainda viva e atual no meio dos homens de qualquer época.

 

Todos sabemos que de religiosos e consagrados existe na igreja uma enorme variedade. Ou seja pode-se viver a castidade, pobreza e obediência de Cristo de modos extremamente diversos: na clausura extrema do Cartuxo, no acompanhamento dos jovens do Salesiano, na contemplação da Carmelita, na solicitude pelos doentes do Camiliano, no estudo e na pregação do Dominicano... na fraternidade e menoridade do Franciscano. E não só!


Como as duas vocações evangélicas – discípulo e apóstolo – coincidiram nas pessoas dos Doze, assim hoje as duas vocações à consagração religiosa e ao sacerdócio ministerial chegam a coincidir por vezes na mesma pessoa. De modo muito evidente no caso de congregações nascidas e crescidas como clericais, como os jesuítas ou os salesianos. Mas isto acontece muitas vezes também em famílias religiosas que poderíamos definir "mistas" como franciscanos ou carmelitas.

 
Mas então porque é que os padres – não obstante as várias polémicas que periodicamente se relançam nos jornais – continuam a viver no celibato (assim se chama a sua "promessa de celibato"), se isto afinal é "típico" da forma de vida religiosa como "voto de castidade"? Porque desde os primeiros séculos, muitas igrejas locais de tradição latina consideraram importante que os seus padres para poderem ser bons apóstolos, fossem também discípulos. Da série: o modo melhor para realizar as ações de Cristo é fazê-lo a partir de um estilo de vida o mais possível semelhante ao seu. Isto é, celibatários. Mais tarde o Papa são Gregório VII pensou bem em estender esta disciplina a todos os padres latinos (rito romano, ambrosiano, etc...).


Resta o facto que – como testemunha a disciplina das Igrejas orientais (e não só)  dos padres casados  –, para aceder ao sacerdócio, o celibato não é uma conditio sine qua non teológica, mas disciplinar. Ou seja a Igreja romana decidiu admitir ao sacerdócio apenas aqueles que se sentem chamados a viver no celibato. Mas esta é uma outra história...

Eis em conclusão a que coisa se pode reduzir a diferença: os padres são chamados e enviados para fazer aquilo que Jesus fez (... e talvez consigam fazê-lo melhor se também viverem como Ele); os frades são tais antes de mais para  viver como Jesus viveu (e por isso muitos deles estão numa condição óptimal para se poderem também dedicar às suas obras mais importantes: evangelho e sacramentos).

 

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Frei Jarek,franciscano conventual polaco, em Portugal

para testemunhar o sacrifício dos mártires do Perú

beatificados no dia 5 de Dezembro de 2015.

 

No dia 5 de Dezembro, foram proclamados bem-aventurados os mártires franciscanos conventuais Miguel Tomaszek e Zbigniew Strzalkowski, de origem polaca, mortos pelos guerrilheiros do Sendero Luminoso nos dias 9 e 25 de Agosto de 1991, na aldeia peruana de Pariacoto, diocese de Chimbote.

Papa Francisco, no passado dia 6 de Dezembro, no final do Angelus, dava aos fiéis presentes na Praça de São Pedro e a todo o mundo, a notícia da beatificação dos primeiros mártires do Peru com estas palavras: “Ontem em Chimbote (Perú), foram proclamados beatos Miguel Tomaszek e Zbigniew Strzałkowski, franciscanos conventuais, mortos em ódio à fé em 1991. A fidelidade destes mártires no seguimento de Jesus dê força a todos nós, mas sobretudo aos cristãos perseguidos nas diferentes partes do mundo, de testemunhar com coragem o Evangelho”.

O santo Papa João Paulo II disse deles: “São os novos santos mártires do Perú”.

Em Pariacoto, em 1989 o bispo local chamara os frades menores conventuais para tomar conta a nível pastoral de mais de mil quilómetros quadrados de território na Serra andina: 5 paróquias, 74 aldeias espalhadas por altitudes que variam entre os 600 e os 4 mil metros. Deram a disponibilidade três frades de Cracóvia (Polónia), novos e apaixonados pelo ideal missionário: frei Jarek, frei Zbigniew e frei Miguel.

Os três lançaram-se em várias actividades: catequese, canto, visita às famílias nas aldeias, luta contra a pobreza... São os anos mais difíceis da guerra civil que contrapõe ao governo o movimento armado de caris maoista «Sendero Luminoso». Os partidários deste movimento apontam o dedo contra a Igreja e, em particular aos frades, acusando-os de enganar o povo, servindo-se do rosário, do culto dos santos, da Missa e da Bíblia para dominar e anestesiar as pessoas.

A sentença foi raptar os frades, massacrá-los e dar-lhes um tiro na cabeça, logo fora da vila de Pariacoto.  Zbigniew tinha 33 anos, Miguel 31. Enquanto Jarek foi poupado porque se encontrava na Polónia para celebrar o casamento da sua irmã. Era o dia 9 de Agosto de 1991.

É um final trágico, mas não é o final da história missionária dos franciscanos no Perú. A ação e o testemunho dos dois mártires abriram uma nova senda na terra peruana, como disse o bispo Salvador Piñeiro Calderon, presidente da Conferência episcopal do Peru: «São eles a verdadeira senda luminosa (sendero luminoso)!».

Frei Jarek, após 25 anos do martírio dos confrades, é o responsável do Centro Missionário dos Conventuais no mundo. Os frades de Portugal convidaram-no para deixar o seu testemunho em Lisboa, Fátima e Coimbra, nas seguintes datas e lugares.

Coimbra: 11 de Março, às 21h, na Igreja de Santo António dos Olivais tel 239713938.

Lisboa: 12 de Março, às 21h, na Igreja de São Maximiliano Kolbe do Vale de Chelas (tel. 218376969)

Fátima: 14 de Março, às 10h, no Instituto Bíblico dos Capuchinhos (tel. 933283724)

  

Porque é que padres e frades não se casam?

Paz e bem, caros amigos em caminho e em procura da vocação divina para a vossa vida.

Entre as várias questões que me chegam, é frequente a questão do celibato dos padres e dos religiosos e porque é que estes não se podem casar. De seguida retomo parte de uma carta que me chegou há algum tempo, enviada por Marco, juntamente com a minha resposta que espero vos possa ajudar a fazer maior clareza sobre este assunto.

frei Alberto

 

 

PERGUNTA DE MARCO

Caro frei Alberto, no meu coração encontro-me recentemente num combate e em forte crise.

Sinto-me muito atraído pela vida sacerdotal e, este ano fiz também um belíssimo caminho de discernimento vocacional com a minha diocese a este respeito. Pensei também seriamente de entrar no seminário (já tinha decidido neste sentido e escrito a carta de ingresso), mas precisamente neste último mês conheci uma rapariga em relação a quem nasceu um sentimento inesperado. É também a primeira experiência afetiva verdadeira para mim.

Assim estou perdido entre estas duas opções. Queria ser padre porque é aquilo que procuro e sonho há tempo; relativamente a esta estrada, de facto, interroguei-me longamente e com sinceridade e estou convencido que o Senhor me tenha dirigido este convite e chamamento! Mas não posso sequer negar este novo sentimento que, porém, vem desestabilizar todos os meus pensamentos.

Ainda não tive coragem de falar disto com os meus guias do seminário: parecia a minha, uma escolha já feita. Pergunto-me sobre o porquê da escolha do celibato para os padres estabelecida pela Igreja católica.

Que mal haveria se um sacerdote se pudesse casar? Se assim fosse entraria imediatamente no seminário, não teria um momento de dúvida! Não poderia acontecer que o Papa Francisco, como alguém diz, possa rever esta norma? São muitas as perguntas que se amontoam em mim. O que pensa?

Obrigado.

Marco

 

 RESPOSTA DE FREI ALBERTO

Paz a ti irmão. Obrigado pela confiança e por me teres escrito acerca de ti aspetos muito íntimos e reservados. Que dizer-te?!!!  Limito-me a alguma passagem fundamental:

 

1) A primeira coisa que não me espanta e não te deve espantar é o sentimento que está a nascer em ti! Certo, nem de propósito (!!!) este chega, precisamente na vigília de um passo tão importante. Diria que quanto estás a viver é quase uma praxis normal!! Faz parte da dinâmica do escolher; toda a escolha de facto, implica necessariamente uma renúncia, um sim e um não... Diante de uma decisão que não é nada fácil (como entrar no seminário), pode acontecer que sobressaia com força e também com sofrimento, quanto se deve deixar. Mas isto é uma graça e uma avaliação preciosa acerca da tua vocação. Se entrar no seminário não te custasse nada, duvidaria fortemente de ti. É uma escolha de vida à qual te encaminhas! É um SIM e um NÃO que te é pedido! Tu o que é que queres verdadeiramente?

 

2) Em segundo lugar, não me perderia tanto em discussões sobre o “Se” e os “mas” e os “porém” em ordem às escolhas da Igreja acerca do celibato dos padres. O dado de facto do qual não podes prescindir, será sempre e em todo o caso, que um padre é chamado ao celibato e à castidade pelo Reino: admiro-me um pouco que no teu discernimento este aspeto fundamental não tenha surgido antes. Hoje, (mas também para o futuro, como é lembrado em tantíssimos documentos) o padre caracteriza-se por esta escolha de entrega total e exclusiva ao Senhor e ao Ministério, não dividindo o coração com outros a não ser com Ele. Esta praxis da Igreja latina, não é uma lei imposta sem um porquê, mas tem desde sempre (desde os primeiros séculos) um fundamento antes de tudo na própria vida de Jesus (também Ele celibatário): belo e forte que os seus padres se assemelhem, sejam de verdade "alter Christus" imitando assim também o seu modo de ser!! Se tudo quanto faz Jesus é "divino", então também o seu viver como celibatário e de modo casto é "divino", e é "divino" imitá-lo. Ou não???

O fundamento está também na Tradição milenária da Igreja (vários Concílios e Sínodos desde o IV séc. fixam esta disposição). O celibato? Uma questão portanto de coração indiviso, de imitação total, de uma vida entregue a Jesus e à sua Igreja! É um “renegar-se a si mesmo”(Lc 9,18-24), é fazer-se eunuco pelo Reino (Mt 19,12), é deixar bens e afetos por ELE (Lc 14,26-27). Estás disposto a fazer isto por Jesus

 

3) Que depois tu possas experimentar afeto e bons sentimentos por uma rapariga, acredita, que é uma bênção! O mundo clerical, de facto, por vezes é tão estéril e incapaz de sentimentos! Agradece portanto ao Senhor que de tal modo está a confirmar que és um jovem normal e são (de sentimentos e de orientação), que te faz medir o coração e a vocação com uma pessoa concreta (não uma ideia abstrata). O Senhor não chama a segui-lo mais de perto pessoas incapazes de se enamorarem ou problemáticas no gostar dos outros (há também quem pensa isto!). Na realidade, Ele quer que os seus padres sejam verdadeiros homens, pessoas autênticas que saibam difundir gratuitamente amor, em seu nome, a cada pessoa, sem reclamar nada para si. Que medida tem o teu coração a este propósito?

 

4) No fim, desta passagem difícil, diria que é bom que tu fales absolutamente com o teu padre espiritual e que não enfrentes o assunto sozinho. É bom também que tu te dês a ti próprio todo o tempo necessário para um ulterior discernimento no confronto com o teu guia, na oração e na escuta atenta de quanto se move no teu coração: nunca é frutuoso chegar a decisões de vida na onda de emoções e perturbações e com fusões interiores. Estás disposto a fazer este diálogo sincero?

 

Eis caríssimo, algumas indicações diretas e sintéticas…que resumo numa brevíssima frase: Se queres ser padre caro irmão, deves estar disposto a dar a vida, toda inteira a Jesus, a deixar-te "trespassar o coração" só por Ele!!! É a isto que te sentes chamado?

 

Abençoo-te e confio-te ao Senhor.

 

frei Alberto

 

P.s. Mas permite-me, caro Marco, uma ulterior apreciação um pouco provocatória: é também graças ao voto de castidade que neste momento, num calor tórrido de Agosto, um frade e padre se está a ocupar gratuitamente de ti, em vez de estar na praia com a sua mulher e os seus filhos, e igualmente estão a fazê-lo tantos sacerdotes e religiosos e párocos ou capelães (e assim também muitas religiosas), nas paróquias, nos campos de férias, no acompanhamento dos jovens e adolescentes, no ajudar os pobres, no acolher os refugiados...etc…etc...O celibato, de facto, torna-te irmão e irmã pai e mãe e familiar de todos...ninguém excluído, ninguém "exclusivo"!!! Toda a pessoa, de facto, te pertence em Jesus.

 

 

 

 

Padre diocesano ou frade franciscano?

Paz e bem, caros amigos à procura e em caminho vocacional.  

Todos os dias sobre este tema da escolha de vida, recebo muitas cartas e mails e devo dizer, que isto não me espanta: a questão do sentido e da direção a dar à própria existência, assim como o tema da vocação é crucial para qualquer jovem. Apresento-vos hoje a pergunta de Enrico (25 anos, estudante). A sua questão é: sou chamado a ser padre diocesano ou frade franciscano? 

Faço votos que esta nossa correspondência possa servir também para outros que andam à procura.

frei Alberto

 


 

ENRICO pergunta:  

Sou Enrico, um jovem de (...), tenho 25 anos; estudo Física na Católica. Graças à minha família que me educou na fé e ao bom exemplo do meu pároco, sempre colaborei na paróquia (animador, catequista…) que vejo como a minha segunda casa. Há alguns meses (depois de muitas resistências interiores) sou acompanhado pelo meu sacerdote para um discernimento vocacional. Em Outubro propôs-me que iniciasse o caminho na Diocese. Porém, entusiasmou-me muito um recente retiro espiritual vivido em Assis, por alguns testemunhos belíssimos de jovens frades (em S. Maria dos Anjos, na basílica de São Francisco, em São Damião), pelos lugares místicos visitados, pela emoção fortíssima (é dizer pouco!) experimentada no túmulo de São Francisco, na cripta. Desde que regressei a casa, sou sincero, não penso se não em Assis. E se fosse chamado a ser frade? É uma pergunta que nunca me tinha colocado e que agora frequentemente aparece! Era já difícil para mim compreender se devia tornar-me padre e agora encontro-me ainda mais bagunçado! Que devo fazer? Obrigado e reze por mim!

Enrico

 


 

FREI ALBERTO responde

Caro Enrico, obrigado pela confiança: um grande dom!

Em primeiro lugar, parece-me compreender que em ti exista um genuíno desejo de procura e também de te pores em questão para compreender a vontade do Senhor para a tua vida. Isto é muito belo e não é uma coisa óbvia! 

Em segundo lugar é muito importante e útil para ti que tu tenhas já uma referência e um guia espiritual: sem um acompanhamento não se faz nenhum discernimento. 

Acerca do dilema que está a nascer dentro de ti, depois da visita a Assis, bem, não me admira nada. Assis é sempre um lugar "sedutor". A propósito aconselho-te a deixar decantar um pouco os entusiasmos e continuar com paciência o teu caminho e a tua procura à luz da palavra de Deus, na oração e no diálogo sincero com o teu sacerdote. Da série: "se são rosas florescerão"!!! 

Entretanto podes aprofundar e compreender melhor a especificidade dos dois carismas e das duas orientações (semelhantes, mas também muito diversos). Vê a este propósito, também um nosso post precedente sobre adiferença entre os padres e os frades; lê possivelmente uma vida de São Francisco e assim poderás conhecer melhor a sua figura (multo bela é: Nosso irmão de Assis - Inácio Larranaga- ed. Mensageiro S. António - Pd). Para a vida do padre diocesano, certamente o teu pároco saberá dar-te melhores conselhos do que eu.  

Para um discernimento mais verdadeiro e sério, caso devesse permanecer esta atração franciscana em ti, será importante viver mais à frente experiências também de comunidade (passando algum dia por ex. no convento).

A vida do frade, de facto, está sempre marcada pela dimensão da fraternidade e da partilha entre irmãos unidos por um ideal comum (com os diocesanos já não é assim) e esta especificidade (que não é para todos) deve ser conhecida e vivida. Em relação a esta última indicação, nós frades franciscanos propomos aos jovens também o caminho do Grupo são Damião, enquanto certamente na Diocese encontrarás percursos diversos.

Também o Verão poderá ser um tempo propício para um discernimento. Em Assis ( na basílica de são Francisco) haverá em Agosto, uma semana vocacional muito bela, assim como na Diocese encontrarás de certeza, ocasiões para crescer e compreender a tua orientação.  

Em todo o caso, pelo menos nesta fase de confusão, aconselho-te sobretudo a "estar com o Senhor". Será Ele a sugerir-te a estrada e a suscitar no teu coração um caminho bom para ti. Escuta, portanto, o teu coração!

Abençoo-te e encorajo-te.

frei Alberto

 

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Tenho 17 anos … e sonho tornar-me frade

 

Lisboa: Missão LX      

 

Caros amigos, o Senhor vos dê a paz.  

Hoje proponho-vos a correspondência trocada há algum tempo com um rapaz de 17 anos, Lucas, que se interroga sobre a possibilidade de vir a ser frade.

Visto que não são poucos os jovenzinhos que me escrevem apresentando-me este sonho, pareceu-me oportuno voltar a este assunto. Convido todos a recordar estes rapazes na oração.

Frei Alberto

 

 

 

CARTA DE LUCAS

Caro frei Alberto obrigado pelo seu belíssimo blog.

Escrevo-lhe de Monza.

Chamo-me Lucas e frequento liceu clássico. Sou novo: tenho 17 anos. Juntamente com a minha família sempre frequentei a paróquia; considero o oratório a minha segunda casa, amo a Jesus, a Igreja e os meus bons sacerdotes diocesanos. Ultimamente, o exemplo do Papa Francisco tem sido para mim esmagador (para não dizer desconcertante!) e não sei porquê, sinto forte um chamamento a ser frade franciscano.  

Falei disso com o meu pároco, o qual me sugeriu que frequentasse um grupo vocacional diocesano. Eu porém desejo conhecer melhor a vossa vida de frades! Na realidade fascina-me muito São Francisco, figura que descobri só recentemente, um pouco estimulado pelo Papa e depois de umas férias em Assis com os meus pais.

Estou a ler muito acerca dele, encontrando-o muito próximo da minha sensibilidade de rapaz “agitado” e irrequieto. Desde pequeno sou alguém que cultivou sonhos grandíssimos (explorador, astronauta, escritor de prémio nobel, atleta olímpico de canoagem - o desporto de que mais gosto!) e  que nunca se contentou com respostas banais ou superficiais.  

A este respeito devo dizer, que São Francisco me encanta e me intriga como nenhum outro, sobretudo pela sua liberdade e humildade e radicalidade em amar Jesus e viver o Evangelho. E também, embora secundário, me fascina muito o vosso hábito (que vi de perto pela primeira vez em Assis admirando extasiado um jovem frade em oração junto do túmulo do santo).  

É errado pensar em ser como São Francisco, como um de vós? Sei que existe um grupo de procura e discernimento vocacional franciscano: o grupo S. Damião. Gostaria de fazer parte, mas não sei se, dada a minha idade, isto seja possível. Também minha mãe com quem partilhei o assunto, me manifestou as suas perplexidades a este respeito, sobretudo em relação aos meus 17 anos, mesmo se se mostrou contente com as escolhas que eu quiser fazer; sei, pelo contrário, que meu pai já me vê à frente da empresa da família.

Li no blog que existem regras acerca da idade para iniciar um caminho vocacional. Poderia dar-me alguma indicação mais precisa? Eu, é verdade, tenho só 17 anos, mas sinto forte este desejo de ser frade.

Obrigado por aquilo que fazeis por nós rapazes.

Lucas

 

 

RESPOSTA DE FREI ALBERTO

Caro Lucas, obrigado também a ti pela confiança e por quanto me escreveste.

A este propósito, antes de mais convido-te a agradecer ao Senhor por tantos dons que te ofereceu gratuitamente e com tanta generosidade: a tua juventude bela e serena, o teu amor a Jesus, o ambiente saudável da paróquia que frequentas, os teus ótimos sacerdotes e certamente a boa família em que nasceste e onde recebeste a fé. Agradece ao Senhor também pela oportunidade de estudar nada menos que no liceu clássico (não é para todos), assim como de cultivar interesses e sonhos grandes e com um certo peso. Louva portanto o Senhor e agradece-lhe por isto.

 

+ Não posso não pensar um pouco, lendo o teu mail, na experiência do jovem Francisco, também ele proveniente de um ambiente familiar e social muito favorável e projetado num primeiro momento para a condução da empresa paterna; também ele atraído por muitos sonhos de grandeza (rico comerciante, cavaleiro, rei das festas), mas também sempre à procura de "um algo mais", levado pelo desejo de dar um sentido mais profundo à própria vida. A sua escolha radical de viver em pobreza, castidade e obediência, nascerá precisamente desta inquietação e procura e sonhos juvenis "à grande", que só em Jesus e no seu Evangelho, compreenderá, poderiam encontrar uma resposta mais plena e mais verdadeira.  

Para São Francisco a reviravolta foi o encontro com o leproso e o diálogo com o Crucifixo de S. Damião, para ti, parece que o "tsunami" tenha acontecido também graças ao extraordinário carisma deste Papa e a chamada de atenção espiritual que São Francisco sempre sabe transmitir a um jovem juntamente com o fascínio da sua cidade de Assis. O Senhor, acredita-me, sempre sabe fazer bem "o seu próprio trabalho" para atrair ao seu seguimento e nunca deixa faltar no nosso caminho de procura os sinais da sua presença e da sua vontade.  

 

A propósito, gosto muito que um belíssimo sinal vocacional tu o tenhas percebido no nosso hábito e que também através dele tenha nascido em ti uma inspiração para avida franciscana, assim como é misteriosa esta tua orientação instintiva e original para a vida religiosa que bem pouco conheces (tornar-te frade) mais que à vida do padre diocesano que afinal frequentas desde sempre. Mas … certamente o Senhor sabe tudo e quer apenas o nosso bem e ao longo do caminho da nossa vida sabe acender para nós aquelas luzes de que necessitamos!

 

Acerca do teu pedido de aderir ao Grupo São Damião, és portanto bem-vindo! Pensa que neste momento outros dois rapazes da tua idade já fazem parte (Lucas de Bologna e Francisco de Bergamo). Certo, será necessário concordar tudo com os teus pais, que podemos também ir visitar e conhecer pessoalmente, se for do seu agrado.

O percurso vocacional no Grupo vocacional é, de resto, absolutamente necessário, para avaliar melhor as intuições e os desejos que trazes no coração e o autêntico chamamento do Senhor, mesmo para além de todo o entusiasmo fácil que pode caracterizar a tua jovem idade; serve portanto um atento discernimento para uma escolha de vida tão "grande" como o tornar-se frade.

A experiência no Grupo São Damião ser-te-á muito útil também para um confronto mais real connosco frades e a nossa vida, além da partilha com outros jovens e coetâneos que vivem as mesmas questões.

Para mais pormenores ficamos em contacto.

 
+ Caríssimo Lucas, uma vez mais obrigado pela confiança. Encorajo-te e recordo-te na oração.

Frei Alberto

 

 

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Tornar-se frade ou freira – uma vida desperdiçada?

Paz e bem a todos vós amigos à procura da vocação do Senhor para a vossa vida!

Com frequência me acontece ouvir de alguém (até de um bom cristão)  que nos dias de hoje tornar-se frade ou freira ou monja, portanto dedicar toda a vida ao Senhor como religiosos, é uma escolha absurda, é no fundo um “desperdiçar” e um deitar fora a própria existência, quando se poderia ocupá-la a fazer coisas bem mais necessárias e úteis ou, pelo menos, uma vida “normal”. Tenho presente por vezes também as reações escandalizadas de amigos e de alguns pais diante do desejo de um filho/a de entrar na vida religiosa.


Acerca desta ideia de "DESPERDÍCIO" aconselho-vos a meditar o texto do Evangelho de S. João, (Jo 12, 1-8) que a liturgia nos propõe para iniciar a semana santa (os dias em que Jesus, nem de propósito, DESPERDIÇA a sua vida por todos nós!).

Duas são as lógicas contrapostas neste maravilhoso texto: por um lado a lógica e a economia da gratuidade, do amor louco e passional, sem medida e sem cálculo, significado no gesto amante e livre e quase "desmedido" de Maria; por outro lado eis em Judas a lógica e a economia do lucro, do possesso, do interesse, da falsidade e da manipulação. Dentro desta contraposição é possível compreender a escolha "louca" de um/a jovem pela consagração religiosa: uma escolha de amor exagerado por Jesus … e nada mais!


É quanto vemos bem também em São Francisco quando explicando a sua decisão pelo Senhor, afirma: "eu frei Francisco pequenino, quero seguir a vida e a pobreza do Altíssimo Senhor nosso Jesus Cristo....e perseverar nela até ao fim"(FF140). Nada mais lhe importa, portanto, se não "seguir Jesus"!!!


Faço votos que a leitura deste texto evangélico vos ajude a perceber o sentido mais verdadeiro de uma tal vocação. Proponho-vos, pois, em seguida, um breve comentário ao mesmo texto evangélico, tirado da Exortação apostólica - "Vita Consecrata" de João Paulo II; um documento fundamental para melhor compreender a vida religiosa, a escolha de consagração dos frades e das freiras!

frei José Carlos (freijosecarlos@gmail.com)

 

 

Do Evangelho de S. João (12,1-8)

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. Ofereceram-lhe lá um jantar. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. Então, Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume.

Nessa altura disse um dos discípulos, Judas Iscariotes, aquele que havia de o entregar: «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?» Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava. Então, Jesus disse: «Deixa que ela o tenha guardado para o dia da minha sepultura! De facto, os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim não me tendes sempre.»

A superabundância da gratuidade  

(do documento: "Vita Consecrata" de João Paulo II, -104 -)

Não são poucos aqueles que hoje se interrogam perplexos: Porquê a vida consagrada? Porquê abraçar este género de vida, quando existem tantas urgências, no campo da caridade e da própria evangelização, às quais se pode responder mesmo sem assumir compromissos peculiares da vida consagrada? Não é por acaso, a vida consagrada, uma espécie de «desperdício»  de energias humanas utilizáveis segundo um critério de eficiência para um bem maior em benefício da humanidade e da Igreja?

Estas perguntas são mais frequentes no nosso tempo, porque estimuladas por uma cultura utilitarista e tecnocrática, que tende a avaliar a importância das coisas e das próprias pessoas em relação à sua imediata «funcionalidade». Mas interrogações semelhantes sempre existiram, como demonstra eloquentemente o episódio evangélico da unção de Betânia: «Maria, tomou uma libra de óleo perfumado de nardo puro, de alto preço, derramou nos pés de Jesus e enxugou-os com os seus cabelos, e toda a casa se encheu do perfume do unguento» (Jo12, 3).

A Judas que, tomando como pretexto a ajuda aos pobres, se lamentava por tanto desperdício, Jesus respondeu: «Deixa-a fazer!» (Jo12, 7). É esta a resposta sempre válida à pergunta que muitos, mesmo em boa-fé, colocam acerca da atualidade da vida consagrada: Não se poderia investir a própria existência de modo mais eficiente e racional para melhorar a sociedade? Eis a resposta de Jesus: «Deixa-a fazer!». A quem é concedido o dom de seguir mais de perto o Senhor Jesus parece óbvio que Ele possa e deva ser amado com coração indiviso, que a Ele se possa dedicar toda a vida e não apenas alguns gestos ou alguns momentos ou algumas atividades.

O unguento precioso derramado como puro acto de amor, e portanto para além de qualquer consideração «utilitarista», é sinal de uma superabundância de gratuidade, que se exprime numa vida gasta para amar e para servir o Senhor, para se dedicar à sua pessoa e ao seu Corpo místico. Mas é desta vida «derramada» sem poupança que se difunde um perfume que enche toda a casa.  

A casa de Deus, a Igreja, é, hoje não menos do que antigamente, adornada e embelezada pela vida consagrada. Aquilo que aos olhos dos homens pode parecer como um desperdício, para a pessoa cativada no segredo do coração pela beleza e pela bondade do Senhor é uma óbvia resposta de amor, é exultante gratidão por ter sido admitida de modo todo especial no conhecimento do Filho e na partilha da sua divina missão no mundo. «Se um filho de Deus conhecesse e saboreasse o amor divino, Deus incriado, Deus incarnado, Deus apaixonado, que é o sumo bem, dar-se-lhe-ia tudo, subtrair-se-ia não só às outras criaturas, mas por fim a si próprio e com todo a si mesmo amaria este Deus de amor até se transformar todo no Deus-homem, que é o sumo Amado».

 

 

“De que modo amaremos a Deus? Sem modo, imoderadamente!

Em que medida amaremos a Deus? Sem medida, desmedidamente!”.

(S. Bernardo)

 

 

A idade para ser frade

 

 

ATÉ QUE IDADE É POSSIVEL PEDIR PARA SER FRADE?

Caros amigos,

com frequência recebo perguntas semelhantes: sobretudo muitos jovens-adultos (dos 38/39anos para cima) me interpelam sobre os "limites de idade" para entrar no convento. Tento seguidamente explicar algumas nossas escolhas a este respeito, embora consciente da parcialidade de uma resposta. Fico à disposição para quem desejar escrever pessoalmente.

 

Que limites de idade?

Segundo os nossos costumes e a nossa experiência (não é portanto uma “lei divina”!) o tempo optimal para um discernimento vocacional e de uma escolha de consagração religiosa na vida franciscana é a JUVENTUDE (38/39 anos máximo). Este, de facto, parece-nos o momento mais adequado e natural para uma orientação de vida muito radical. Embora conscientes que os critérios para definir “jovem” uma pessoa sejam muito diversos em relação a alguns anos atrás, os limites de idade acima indicados  (com as devidas exceções que sempre existiram), constituem portanto uma nossa orientação em relação aos candidatos à vida religiosa franciscana.

 

Como se explica tal decisão?  

Os motivos são na realidade vários e todos nascidos e sugeridos pela experiência destes anos com pessoas concretas e histórias verdadeiras. São movidos por um profundo sentido de responsabilidade para com os adultos que se dirigem a nós, embora os tempos de "magra" vocacional quisessem por vezes induzir soluções mais acomodadas e fáceis.

Pudemos constatar, de facto, como para além de todas as melhores intenções (que está fora de discussão!), seja geralmente muito difícil para adultos (falo dos anos quarenta, dos anos cinquenta e até mais… que pedem), para iniciar o nosso caminho: frequentemente demasiados condicionamentos e ligações da vida precedente, demasiados hábitos praticamente enraizados (por exemplo, de autonomia pessoal, económica, laboral...), muitas vezes, demasiadas “histórias” muito fortes e por vezes dolorosas (no campo afetivo e sexual ou relacional...) a serem verdadeiramente superadas ou integradas…. Acrescente-se, depois, o longo itinerário formativo, os muitos passos necessários para ser frade e para entrar a título pleno na comunidade franciscana, os muitos anos de estudo (cerca de 9 anos de formação e estudo para quem também se torna sacerdote!) com portanto uma espécie de "estacionamento forçado" (nada fácil de gerir e muitas vezes um pouco desencorajador para o candidato adulto) num período da vida, o da maturidade, que deveria ser, afinal, o mais frutuoso e generativo. Outros nossos motivos de perplexidade são ditados pela difícil situação laboral contemporânea… se um adulto de facto, depois de ter deixado o próprio trabalho para entrar no convento e depois descobre que esta não era sua estrada … que se faz?

 

Quais os caminhos de discernimento?

* Aos jovens (até aos 35/37 anos, no máximo)  que pedem para iniciar um discernimento vocacional indicamos normalmente que participem no caminho do "GRUPO SÃO DAMIÃO"; uma oportunidade muito bela de avaliação do chamamento, de crescimento espiritual, de fraternidade e de conhecimento da dimensão franciscana.  


*  Aos mais adultos (dos 37 para cima) que também nos pedemdiscernimento vocacional, sempre e em todo o caso, reservamos atenção e escuta e acolhimento, avaliando com eles, com simplicidade e disponibilidade estas nossas orientações juntamente com a sua experiência de vida, a intensidade e a verdade de um chamamento e de uma possibilidade vocacional que, em todo o caso não é excluída à priori.  E nestes anos também para alguns deles devo dizer, se chegou à entrada na vida religiosa, mesmo se outros, preferiram orientar-se para formas diversas de empenho laical na igreja ou em realidades franciscanas (como a OFS).


Alguns destes irmãos mais maduros em idade e que entraram na Ordem Franciscana passaram através de uma experiência de fraternidade e comunidade muito singular e específica, de acolhimento e acompanhamento vocacional.

Em relação a adultos muito maduros que se tornaram franciscanos, não posso aqui não recordar o grande exemplo de santidade que alguém nos deixou, primeiro entre todos, frei Giacomo Búlgaro, que entrou na Ordem aos 50 anos (!!!).

Permanecem estes percursos bastante raros e não usuais na nossa tradição.

 

Um convite aos jovens

Os nossos caminhos de discernimento são portanto dirigidos antes de mais aos jovens (embora ficando sempre abertos a avaliar qualquer outro pedido), convencidos que a sua seja a idade naturalmente privilegiada das  escolhas e para decidir um rumo de vida, também à luz da fé e da vontade do Senhor!  

Convidamos portanto, sempre e qualquer ocasião, todos os jovens que encontramos a procurar a própria estrada sem continuamente atrasar ou adiar (como quereria a mentalidade do nosso tempo); exortamos sempre os jovens a pensar no seu futuro...; continuamente os solicitamos para uma assunção de responsabilidades para com a própria existência, mas também a Igreja, os pobres … Constante é o convite à oração também nas comunidades para que o Senhor os ilumine e os guie na Sua vontade.

 

A vida passa depressa e é importante “gastá-la” bem.

Fazemos votos que questão que animou S. Francisco no seu caminho de procura, "Senhor que queres que eu faça" desperte no coração de todos os jovens… porque a juventude tal como a vida… passam depressa!

Caro jovem, existe portanto "um tempo para cada coisa"...como nos recorda a Bíblia; gasta bem, portanto, o teu tempo, gasta bem a tua vida! 

Abençoo a todos, ficando disponível para qualquer esclarecimento ou questão.

 

Frei José Carlos Matias

freizecarlos@gmail.com

 

 

 

 

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