Vocação Franciscana

 O Crucifixo, que falou a São Francisco, fala … também a ti!

Paz e bem, caros amigos em caminho e à procura da "vocação divina" para a vossa vida.  

Francisco de Assis, quando ainda estava no meio de grandes perturbações e pecados, e manias de grandeza e auto-suficiência, que no entanto lhe dilaceravam a alma, e não lhe ofereciam felicidade, finalmente é iluminado pelo Amor de Jesus e a Ele se abandona e entrega.  

Caríssimos, convido-vos a contemplar hoje e a reler a narração da paixão segundo S. Marcos, que é de verdade comovedora e reconfortante para nós pecadores e errantes.

 

 

Da Vida de São Francisco, de frei Tomás de Celano  (Fontes Franciscanas 593-594)


O encontro com o Crucifixo de São Damião

"Era já completamente mudado no coração e próximo também a sê-lo no corpo, quando, um dia, passou junto da igreja de São Damião, quase em ruinas e abandonada por todos. Conduzido pelo Espirito, entra para rezar, prostra-se suplicante e devoto diante do Crucifixo e, tocado de modo extraordinário pela graça divina, encontra-se totalmente transformado. Enquanto ele está assim profundamente comovido, de improviso – coisa desde sempre inaudita – a imagem de Cristo crucificado, a partir da pintura do quadro fala-lhe, movendo os lábios. “Francisco, - diz-lhe chamando-o pelo nome – vai e repara a minha casa, que, como vês, está toda em ruinas”. Francisco fica a tremer e cheio de admiração, e quase perde os sentidos diante destas palavras. Mas imediatamente se dispõe a obedecer e concentra-se todo a si mesmo neste convite.

Mas, a dizer a verdade, pois que nem sequer ele conseguiu nunca exprimir a inefável transformação que percebeu em si próprio, convém também a nós cobri-la com um véu de silêncio. A partir daquele momento fixou-se na sua alma santa a compaixão do Crucifixo e, como se pode piamente conservar, os venerados estigmas da Paixão, ainda que não seja na carne, que se lhe imprimiram profundamente no coração.

 

 

"Oração diante do Crucifixo" 

de São Francisco

Ó alto e glorioso Deus,
ilumina as trevas
do meu coração.

Dá-me um fé recta, 
esperança certa,
caridade perfeita
e humildade profunda.


Dá-me, Senhor, sentido e discernimento

para cumprir  

a tua verdadeira e santa vontade.

ÁMEN 

 

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Para mais informações podes contactar:


fr. Fabrizio Bordin - Lisboa

tel. 21. 837 69 69 ou freifabri@gmail.com

 

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frei Pedro Perdigão - Viseu

232.431985 ou fmcpedro@gmail.com

 

 

 

História vocacional … fr. Luca Marcattili

 

 

Chamo-me fr. Luca, tenho 26 anos e sou um estudante de teologia. Começo com um pequeno parêntesis, dizendo que quando me foi pedido para contar num artigo o meu caminho vocacional, pensei imediatamente na dificuldade em recolher em poucas páginas a complexidade de uma história em que o protagonista não sou apenas eu, mas também e especialmente Deus; isto porque muitos fatores entram em jogo, primeiro entre todos, o medo de não conseguir exprimir de maneira profunda aqueles acontecimentos que transformaram incrivelmente a minha vida.

Mas vamos ao assunto: em primeiro lugar eu venho de uma família que me garantiu desde criança uma sólida educação cristã, não feita de palavras quanto de factos concretos; é de facto do amor concreto entre os meus pais que aprendi o que significam palavras como “gratuidade”, ”escuta” e também “sacrifício”. Digo isto, porque estou absolutamente convencido que os fundamentos da vida cristã não se podem aprender de outro modo se não fazendo experiência deles. Seja como for, depois de ter recebido os sacramentos da Comunhão e do Crisma, tal como muitos meus coetâneos afastei-me muito da Igreja, mesmo se nunca fechei completamente a porta nem a ela nem a Jesus; os motivos desta minha escolha eram principalmente dois: a falta de uma motivação que me levasse a aprofundar a minha vocação cristã e o assumir de outros interesses.

 

 

Assim passei a adolescência girovagando, isto é, sem fazer programas específicos ou ter objectivos particulares para o futuro, esforçando-me por conseguir no melhor modo possível em toda a minha atividade quotidiana, que fosse a escola ou o desporto: mas isto não tanto por mim, quanto pela minha família, que muito se tinha dado ao trabalho para minha tranquilidade; porém bem cedo comecei a alimentar ideais pessoais muito altos e irreais e consequentemente a sofrer naqueles ambientes que frequentava (escolástico, desportivo e dos amigos) considerando-os superficiais e privados de valores e aos quais não conseguia mais adaptar-me.

 

De tal modo comecei a fechar-me sempre mais, cultivando desprezo para com quem não pensava como eu e provocando com este comportamento muitos sofrimentos a mim próprio e aos outros.

Com o passar do tempo a situação piorou sempre mais e se repenso agora, só uma intervenção externa a mim me podia ajudar a sair da situação, e de facto assim aconteceu: porém, não uma intervenção qualquer, mas a poderosa e misericordiosa de Deus.

 

A modalidade, se penso nisso, parece-me ainda hoje normal e ao mesmo tempo tão extraordinária: essa simplesmente consiste num encontro absolutamente casual com um frade que não conhecia e que nem sequer tinha programado conhecer. Encontrei-o fora de uma velha e isolada Igreja num frio Domingo de Dezembro, de vários anos atrás, enquanto me encontrava a admirar, com a tristeza no coração, uma encantadora paisagem de montanha, quando de improviso uma voz às minhas costas me convidou docemente a tomar alguma coisa quente na casa ao lado da Igreja. Uma vez dentro uma sua simples pergunta, do tipo “porque é que estás aqui?”, desmontou-me a tal ponto que transformou a minha vida: a minha resposta foi de facto, uma verdadeira e própria explosão, na qual derramei toda a dor que trazia no coração e assim confessando-o libertei-me. À dor sub entrou a alegria por um encontro que foi sobretudo o Encontro (com E maiúscula) com Deus, tanto que dali começou o meu caminho vocacional, que me levou a querer dar a minha vida precisamente àquele Deus que se me tinha apresentado na pessoa de um simples frade.

 

Assim comecei a realizar o percurso formativo, feito também de muitas dificuldades, que me levou a vários lugares e agora encontro-me em Assis, também eu como frade, estou grato ao Senhor, porque me deu a possibilidade de percorrer um pedaço de estrada na terra onde nasceu, viveu e morreu, o santo fundador da minha ordem religiosa, São Francisco, o qual rezo para que me ajude a viver a vocação com a mesma paixão e coerência com que ele a viveu, de modo a testemunhar a todas a gente que a verdadeira vida se tem apenas em Jesus Cristo! 

 

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De marechal a frade franciscano – A história de frei Nicola

Caros amigos, em caminho e à procura da vossa Vocação,

o Senhor vos dê paz.

Neste nosso tempo assim tão rápido, globalizado, tecnológico e laico, onde pareceria não existir nenhum espaço para a fé e para escolhas a ela ligadas, pois bem, sempre mais está a ganhar raízes em muitos jovens o desejo de um Além, a necessidade de um sentido e de respostas, mais radicais e autênticas, a necessidade de gastar a própria vida por qualquer coisa verdadeiramente grande e significativo! 

Sempre mais, está ganhando espaço no coração de muitos, inesperadamente, o chamamento forte e manso do Senhor Jesus: Se queres...Vem e segue-me! 

A propósito conto-vos hoje a história de fr. Nicola, que chegou à vida franciscana depois de algum tempo de carreira militar. Como não recordar aqui S. Francisco e os seus sonhos da juventude de glória "bélicos" e "cavaleirescos" , que depois se remodelaram (no encontro com o leproso e o Crucifixo de São Damião) até ser levado a ser "o cavaleiro do Grande Rei"?? 

Rezemos por fr. Nicola e por quantos têm para a sua vida "desejos e intuições grandes": que possam, com a ajuda de Deus, realizá-los e levá-los à sua realização.

Abençoo-vos.  

fr. Alberto

 

 

De marechal do exército a frade franciscano: a história de frei Nicola

Da divisa cinzenta-verde do exército, ao hábito mais austero do saio, o passo foi breve. É a história de Nicola Verde, 35 anos, de Aversa catapultado para o Norte por motivos de trabalho, onde se alista no exército em Bolonha, ao ponto de subir na carreira, até se tornar Marechal.


Para frei Nicola (vemo-lo aqui à entrada de uma cabana em África) estudante franciscano na ordem dos frades menores capuchinhos da Emília Romagna, a eletrocussão para a vida religiosa nasce no Quartel, ao ponto de abandonar a carreira militar para entrar num convento.


Uma passagem difícil, inexplicável aos outros, mas que nasce do desejo de dar uma reviravolta à própria vida, e pô-la ao serviço de Deus e do próximo. Atualmente frei Nicola encontra-se na Irlanda a estudar inglês, mas com os estudos já terminados, tudo está pronto para a ordenação sacerdotal, prevista para a cidade de Reggio na igreja de Via Ferrari - Bonini.

Nicola, originário de Aversa, uma terra difícil e sofredora, será ordenado sacerdote, no sábado 17 de Outubro pelas mãos do Bispo de Aversa, depois celebrará a primeira missa no convento de Scandiano, no dia seguinte. Em Scandiano, onde reside no convento, Nicola foi muito activo com o grupo Agesci-Scout, e sobretudo na organização da Oração de Taizè, um momento de reflexão segundo o estilo da comunidade do Irmão Roger.

Depois passada uma semana, frei Nicola Verde, celebrará missa na sua terra com muitos ‘tifosi’ admiradores que aparecerão para fazer festa com ele.


Porque Nicola, rapaz simples na aparência, sempre sorridente e de carácter forte, de amigos conquistou tantos. O Centro Missionário de Imola, sempre administrado pelos frades capuchinhos, será provavelmente o seu futuro destino. A história de Nicola recorda a de uma mulher de Scandiano, Inês Taligani, que em 1992 deixou a toga de magistrada para vestir o hábito das Irmãs Carmelitas: as almas vivas de uma casa de caridade, as primeiras a levantar-se, as últimas a retirar-se para garantir a todos os hóspedes o máximo de conforto.

  

Frei Peter e uma vocação... "por acaso" ?

Paz e bem caros amigos em caminho de procura da "vocação divina" para a vossa vida.  

São muitos os caminhos por onde o Senhor chama e ainda dirige o seu convite misterioso e desconcertante: "SEGUE-ME".

Partilho convosco hoje o testemunho de um caro confrade, frei Peter, que atualmente estuda teologia no Instituto Franciscanum em Assis. A sua paixão pela música levou-o da Eslováquia para Itália, em Perugia, onde "por acaso" encontrou os frades franciscanos no seu serviço pastoral aos jovens universitários. Dali nasceu ("por acaso"?) para Peter uma história inesperada e imprevista, marcada pelo Amor e pela criatividade do Senhor.

Hoje Peter, de facto, é um jovem frade que se está a preparar com paixão para o ministério e o serviço pastoral.

Convido-vos, caríssimos, a rezar por ele, assim com o por todos os nossos jovens frades em formação. Deixemo-nos, além disso, admirar e fascinar pelo Senhor que certamente tem preparado também para nós qualquer coisa de belo e talvez inesperado ("por acaso"?) para a nossa vida...quem sabe, como por exemplo “tornar-se frade”!! A Ele sempre o nosso louvor!

Frei José Carlos (freizecarlos@gmail.com)

 

frei Peter....oferece-nos um sorriso!

Testemunho de Fr. Peter da Eslováquia.

Paz e bem, sou fr. Peter Hrdy, tenho 30 anos e venho de Nitra, uma cidade da Eslováquia, mesmo se desde 2010 faço parte da Província Umbra da Ordem dos Frades Menores Conventuais.

Desde pequeno sempre fui fascinado pelo mundo da música e, por isso, enquanto frequentava a escola primária e depois o liceu, contemporaneamente seguia lições de canto e de violino, para além de cantar e tocar no coro da minha paróquia.

Depois de ter acabado o liceu, decidi frequentar a Academia de Música de Bratislava onde estudei durante cinco anos canto lírico. Durante o ano de 2007, último ano dos meus estudos, desejando aperfeiçoar o canto, pedi para fazer uma experiência no estrangeiro e aconselharam-me a ir para Itália. Gostava muito do canto e tinha um desejo de fazer qualquer coisa de grande e de me realizar plenamente.

Foi assim que cheguei a Perugia, onde desde logo encontrei um ambiente favorável para desenvolver os meus dons, além disso, os jovens da Jufra (juventude franciscana) acolheram-me e ajudaram-me a ambientar-me. Em particular houve um deles que me convidou a participar em algumas catequeses que se realizavam nos frades menores conventuais de Perugia.

Durante estes encontros, sentia que o meu coração se enchia de alegria sempre que se falava do Senhor e de São Francisco. Foram precisos, porém, alguns anos para que começasse a interrogar-me e a questionar-me se o Senhor não me estaria a chamar a outra coisa, e assim, no ano de 2010, comecei um percurso de discernimento vocacional.
Não foi fácil tomar a decisão final mas o Senhor ajudou-me e deu-me a graça com a qual encontrei a coragem de confiar nele. Foi assim que em Novembro de 2010 entrei no postulantado em Osimo (primeiro passo da formação religiosa) onde passei dois anos e onde encontrei frades que me acolheram com afecto e acompanharam com cuidado.


No final do segundo ano do postulantado pedi para entrar no Noviciado em Assis. Durante este ano de prova, vivendo na comunidade do Sacro Convento, pude conhecer melhor São Francisco, a Regra dos Frades menores e experimentar a vida fraterna. Vivi momentos belos mas também outros difíceis, nos quais o Senhor nunca me deixou sozinho, aliás, ajudou-me através das pessoas dos formadores e dos irmãos.

E foi assim que no dia 7 de Setembro de 2013, depois de três anos de espera e de formação inicial, fiz a minha profissão temporânea, em que, em que, colocando-me nas mãos do meu provincial fr. Franco Buonamano, prometi publicamente a Deus de o querer seguir em obediência, em castidade e sem anda de próprio.

Atualmente frequento o segundo ano no Instituto Teológico de Assis e compreendo como o estudo me permite crescer e ser um melhor “instrumento” nas mãos do Senhor.

De facto, é no colocar-me ao serviço de Deus e no amor fraterno que estou a encontrar o sentido pleno da minha vida, sentindo em mim sempre mais forte este chamamento a partilhá-la com os outros sem medo! 

 Fr. Peter  (Frades em caminho - Assis)

 

 

 

5 FASES " do Caminho Vocacional”

 

É importante esclarecer melhor quais são “as fases” ou “as passagens” de um caminho vocacional.

No fundo: «Que sentido tem a minha vida? E, o Senhor, o que é que quer de mim?».

Assinalo um belo itinerário (em 5 momentos) com o qual te podes confrontar e tentar colocar-te e reconhecer-te no teu discernimento.

 

1) COMICHÃO

A um certo ponto, na vida quotidiana de um jovem, entre as mil e uma tonalidades das próprias ações, faz incursões um pensamento, como a beleza de um novo dia. Provavelmente aparecem aquelas considerações existenciais do tipo: «Que sentido tem a minha vida? Porque é que nasci exatamente neste país? E depois, o que é que existe para além desta vida? E eu a que coisa sou chamado? E se existisse um outro caminho para mim?». São pensamentos que vão e vêm, mas fazem-nos descobrir novos horizontes e deixam-nos curiosos na procura, com cores intermitentes.

Sentimento: Normalmente, o sentimento que nos deixam estes pensamentos é a paz do coração. Talvez como aquela que numa noite de Verão sentimos ao contemplar as estrelas do firmamento. Serenidade e desejo de procura ulterior.

Conselho: Não há muito a dizer. Na vida de todos os jovens existem momentos mais sensíveis, de particular brilho. Certamente se este pensamento vem do Senhor ganhará mais força e consistência. Se pelo contrário, é mais passageiro …. Passará como as nuvens no céu durante um dia de vento.

 

2) INTUIÇÃO CRESCENTE

Mesmo hoje, enquanto estava a estudar, enquanto esperava um amigo, enquanto estava a preparar-me para um festa, apresentou-se novamente o mesmo pensamento. No fundo: «Que sentido tem a minha vida? E, o Senhor, o que é que quer de mim?». Não que tudo isto me incomode mas o  “toc-toc” à porta do meu coração torna-se mais frequente. Desejo de dar um sentido mais profundo àquilo que faço e àquilo que vivo. Desejo de dar peso às minhas ações e não querer perder demasiado tempo. Em suma, um dinamismo novo percorre as veias da minha juventude. Interesses, encontros, procuras, emoções. Tudo corre mais velozmente.

Sentimento: Muito frequentemente acompanha-me um certo sentido de insatisfação e de vazio: «Vale a pena fazer aquilo que estou a fazer? Parece-me uma perda de tempo e demasiadas ocasiões. Parece-me que não estou no lugar certo. E os outros, o que é que posso fazer por eles?». Aparece uma inquietação sobre o sentido a dar à própria vida. Muita curiosidade e vontade de fazer.

Conselho: Se esta sensação contínua intensifica a oração. Se vem de Deus voltará a paz. Vive com mais constância a tua vida sacramental. Procura em cada dia um espaço de intimidade com o Senhor e de contemplação. Muitos caminhos vocacionais encontraram em Maria uma grande companheira e amiga de viagem. É o caso de abrir um capítulo especial com o teu acompanhante espiritual, o confronto leva sempre a mais clareza. Se esta chama não se apaga manifestar-se-á sempre mais e iluminar-te-á mais a ti e a quem está à tua volta.

 

3) O NEVOEIRO

É o momento em que o rapaz ou a rapariga se sente perdido. Não percebe mais nada. Como se improvisamente se perdessem os pontos de referência. Um sentimento de raiva em relação ao dia em que tudo começou. Quase se sente inveja dos colegas que «são “normais” e não arranjam tantas paranoias, como pelo contrário acontece comigo». É uma fase de sofrimento que posso preencher com rumores, com mil coisas para fazer, mil experiências a viver, … Mil subterfúgios e corridas distantes.

Mas depois, quando a música da aparelhagem se apaga, quando reentro no quarto do meu coração … Sinto ainda bater à porta. É a este ponto que muitos páram. Renunciam ao dom de fazer clareza, de se sentirem “livres por dentro”. Há um erro de fundo nesta atitude: pensar que no fundo ainda tenho muito tempo diante de mim. «No fundo não há que ter pressa. “Não morre ninguém”. Posso até, por agora, tirar umas férias, deixar momentaneamente este caminho. Além disso, Deus é eterno! ».

Sentimento: Nasce dentro de nós um duplo comportamento: por um lado, o de deixar cair tudo; por outro, o de quer reencontrar aquela paz e aquela serenidade que no início me dava tanto otimismo e vontade de procurar. Sentimento de não encontrar o Senhor ou se rezo, de sentir com mais força a realidade de um projeto que me mete tanto medo.

Conselho: Não desesperar, não pedir contas a Deus. Não pretender que os seus caminhos escorreguem em satisfações pessoais ou em atalhos. O Senhor é o primeiro interessado para que a vida de cada um de nós esteja na paz e encontre o sentido certo. O nevoeiro, mais cedo ou mais tarde, desaparecerá. Pode ter amadurecido o tempo para fazer um “curso de discernimento vocacional”. Não basta mias um retiro, ou um fim de semana de oração. Não tenhas medo de abrir a porta do coração e tem coragem de olhar dentro. Precisamos de pedir o dom da fé e de “confiramos” Nele. É verdade, o meu “possível” chamamento fica desfocado, mas já estou em possesso de mais indícios de quanto possa imaginar.

 

4) VOLTA A BRILHAR O SOL

No sofrimento existe também uma purificação interior que faz amadurecer o meu coração e a minha vida. Um raio de sol aquece as minhas certezas e brilha mais forte o esplendor da Sua luz dando-me um respiro mais sereno. Com a clareza a vontade de Deus pode-me indicar dois caminhos possíveis, duas estradas precisas: ou voltar ao caminho do matrimónio; ou perceber, efetivamente, que aquilo que senti vem Dele que me chama, pedindo a minha vida.

Sentimento: Neste momento o jovem sente-se ainda um pouco perdido. Nasce um sentimento de temor, de revolta. Continua a dizer que  “Não vê”. Com frequência usam-se palavras quase com um sentido de auto defesa. «Não sinto nada!». Esta atitude invade a nossa alma porque se consideram apenas alguns aspetos desta realidade vocacional, os negativos: “Devo” deixar os meus projetos, as minhas coisas, os meus estudos, namorada, os amigos, … Gostaria de não ver mais nada, enquanto afinal vejo muito bem!

Conselho: O abrir os próprios horizontes é sempre uma ajuda válida. Se nos fixamos apenas naquilo que se deixa, como consequência da resposta a Cristo, Não se vai muito para a frente. Alargar os horizontes significa relacionar a própria vida com Deus, colocar-se nas suas coordenadas, abertos ao mundo, aos outros e à eternidade. Ter uma grande confiança no Senhor e não se cansar de rezar. Atenção ao racionalismo que nos impede de ter fé Naquele que chama. A fé não é cega e nem sequer é “irracional”.

 

5) A CRISE

É um momento em si positivo. É o momento das escolhas radicais. Um momento que pertence a Deus e a ti. Na oração recebem-se muitas luzes e muitas graças, e oscila-se entre uma intimidade com o Senhor e uma apatia pessoal que não se suporta mais. O problema poderia ser disposto nestes termos: «Deus chama-me, e eu o que é que quero responder?». Não se trata de saber o que devo fazer, sei-o muito bem. Trata-se de decidir se o quero viver! Entra em campo, a este ponto, a minha generosidade.

Sentimento: A tranquilidade deriva de uma forte graça do Senhor. Tu e Deus, apenas. O desconforto nasce precisamente do dilema: abertura ou fecho? Sente-se a necessidade de paz, mas não se consegue obtê-la adiando o problema no tempo, renunciando a uma determinação. Conselho: Aqui o diretor espiritual pode somente acompanhar de longe, esperar e rezar por nós. Convém pedir mais confiança, mais esperança e amor, isto é, os dons mais fortes que o Senhor, através do Espirito santo, nos pode dar. Ajuda-me o facto de contemplar a atitude de Jesus Cristo ao cumprir por amor a vontade do Pai, como na cena da oração no Jardim das Oliveiras. Aconselharia muita oração e escuta silenciosa diante do Sacrário, pedindo o dom de fazer uma experiência forte do Senhor. Aqui voltam as palavras ditas no início destas reflexões: “Ninguém ama quem não conhece e ninguém segue a quem não ama”.

 

6) ACEITAÇÃO – RECUSA

Deus deixa o homem livre. Estamos no fim: responde apenas por amor. O jovem não pode mais dizer “Não vejo bem”, ao máximo pode repetir baixinho «Não quero!».

Recordando o episódio do jovem rico, o Evangelho não diz que este jovem se condenou, diz-nos apenas que os seus passos, afastando-se, se tornaram pesados sempre mais na tristeza. Fica para sempre um “vazio” que mais ninguém poderá preencher. Chamados por amor e para amar, Deus fixa para nós um sentido e uma missão, que é fonte de paz e de felicidade.

 

Se nos deixamos guiar pela sua Graça e deixamos para trás as amarras, a alegria da partida enche completamente os nossos corações.