FREI ANDRÉ BOTTARO

ORDENAÇÃO DIACONALDE FREI ANDRÉ BOTTAROE FREI ANTÓNIO BIASIOTTO

 

No caminho vocacional de muitos frades, além da dimensão mais propriamente franciscana, muitas vezes emerge e amadurece ao longo dos anos de formação também o chamamento ao Ministério Ordenado  (Diaconado e Presbiterado): quase uma "vocação na vocação". Os dois percursos com certeza não se excluem, mas antes, se integram e se enriquecem reciprocamente.

 

A este propósito, com grande alegria, assinalamos a iminente Ordenação Diaconal de dois nossos jovens frades (do Norte de Itália): frei André Bottaro e frei António Biasiotto (por estranho que pareça, ambos engenheiros antes de se tornarem religiosos). A ordenação acontecerá no sábado 28 outubro, às 16,00h na Basílica Catedral de Pádua.

 

Mas quem é um Diácono? A sua específica graça sacramental é de ser, como Cristo Servo, animador junto dos irmãos do serviço da Palavra de Deus e da Caridade. Não é por acaso, o "avental" (a dalmática),  é o hábito litúrgico que o identifica sobre o altar, mas que sobretudo deve caracterizar todo o seu gesto no dia-a-dia da vida e para com cada pessoa.

Convidando-vos a rezar por estes dois irmãos, em seguida reproduzimos o belo testemunho que frei André me enviou a propósito do passo tão importante  que está preses a realizar. 

 

TESTEMUNHO DE FREI ANDRÉ BOTTARO 

Chamo-me André Bottaro, nasci em Pádua a 11 dezembro 1984.

Antes de entrar no convento estudei engenharia eletrónica na universidade de Pádua.

Vivi os anos da infância e da primeira adolescência na paróquia de s. Clemente de Granze de Camin. E os anos da adolescência e da primeira juventude na paróquia ss. Salvatore de Camin.

A diocese de Pádua foi dispensadora de relações e de experiências entusiasmantes durante os meus anos de juventude.


O encontro com os frades aconteceu em 2007, aos 22 anos de idade. 

O tempo da juventude começava a provocar-me pedindo-me para realizar escolhas estáveis, exigindo de mim responsabilidade, restituindo-me consequentemente uma identidade.

O que e que irei fazer de tudo aquilo que tinha aprendido relativamente à figura de Jesus, relativamente àquilo que tinha vivido na Igreja? Se quisermos sintetiza-lo numa expressão, talvez um pouco ousada hoje, mas colhe bem aquilo que quero dizer, o que é que faço da “fé” que me foi transmitida pelo contexto social em que nasci? O que é que vou fazer de toda aquela bagagem sociocultural? Como realizar escolhas para a minha vida implementando nelas a experiência religiosa até então vivida, sem correr o risco de escolher com critérios que me são estranhos, pertencentes apenas ao contexto social?

Esta diria, foi a verdadeira e fundamental etapa relacional entre mim e os Frades Menores Conventuais.


Comecei a grande viagem religiosa que eu chamo: “A subida para baixo”.

Este paradoxo diz bem o que é que representou e ainda hoje seja para mim o ser frade: dialogar com a própria existência referida à existência de Cristo a fim de unir, reorganizar e definir a própria pessoa.

Ao realizar esta viagem existencial e física que iniciou em 12 Setembro 2008 com a entrada no Postulantado do convento s. Francesco de Brescia, encontrei frades capazes de fazer síntese, em condições de tornar a vida cristã uma autêntica via humana e humanizante.


No dia 3 Outubro 2015 professei os meus votos definitivos na Basílica de s. António em Pádua e a partir do mês de Setembro do ano passado vivo no convento S. Boaventura Seraphicum em Roma para continuar os meus estudos em teologia através da especialização em teologia bíblica.


Nestes dias que precedem a minha ordenação diaconal penso na expressão com que as pessoas que encontramos se dirigem a nós frades: “padre desculpe”.

Na simplicidade e na normalidade de um apelativo, encontro um aspecto sapiencial para a minha vida: o exercício do ministério ordenado está estritamente ligado ao sentido e ao exercício da minha paternidade.

Não queria escandalizar ninguém com estas palavras. Mas se a nós frades e ministros ordenados é pedidos o celibato e a castidade perfeita, não é proibido o exercício da nossa afectividade positiva, capaz de ser força generativa, alavanca educativa dentro das relações.

Faço esta premissa para dizer que estes dias os estou a viver precisamente como um homem que espera o seu “tornar-se pai”. Ele está em trepidação pelo parto, está consciente de não conhecer a profissão de ser pai e sabe que não o pode aprender a não ser exercitando-o. Esta vertiginosa condição limite coloca-me entre a alegria de poder exercitar a arte de acompanhar homens dentro da Igreja, mas ao mesmo tempo torna-me consciente que a solidão e a incompreensão serão companheiras concretas.

Uma porém é a certeza guia para quem quer exercitar a própria capacidade: ele sabe ser investigador e guarda de uma beleza que é preciso dizer e transmitir. Esta é a minha consolação nestes dias, está é a minha força.

                         Fr. André

 

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