Accrocca

Accrocca: Francisco e o sinal das cinzas

  

O Santo um círculo no pavimento e o resto colocou-o na cabeça.

A Quarta feira de cinzas abre um tempo forte, que convida o cristão a voltar ao essencial, a libertar-se de coisas inúteis e supérfluas que tantas vezes assumem um papel que não deveriam ter. marca, aquele dia, o inicio de um tempo no qual deveríamos fazer menos conversas, diminuir as palavras, muitas vezes vazias, para fazer espaço à Palavra, aquela que é ais cortante que uma espada de dois gumes, capaz de penetrar até ao ponto de divisão da alma e do espirito, das junturas e da medula, capaz de perscrutar os pensamentos do coração (Heb 4,12).

O sinal das cinzas espalhadas na cabeça lembra uma imagem antiga, desde sempre utilizada pelo homem para proclamar a própria pequenez, como fez Abraão, quando, falando ao próprio Senhor, reconheceu ser «pó e cinza» (Gn 18,27).

Cinzas vistas também como sinal de partilha: assim ensina o rei de Nínive, o qual, tendo tido a notícia da pregação de Jonas, «se levantou do trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre as cinzas» (Jonas 3,6).

Ambos aqueles significados se encontram nas frases pronunciadas pelo ministro do rito, o qual diz àqueles que se dirigem a receber o austero símbolo: Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar (sublinhando assim a fragilidade humana); ou então: Convertei-vos e acreditai no Evangelho (reafirmando a necessidade de um coração penitente).

A Quaresma é, portanto, um tempo privilegiado que o Senhor nos dá para o nosso caminho de conversão, para realizar um sério discernimento, pessoal e comunitário, para estar mais presentes a nós mesmos, mais disponíveis aos outros, mais abertos a Deus.

O Evangelho do dia, tirado do capítulo sexto de Mateus, repropõe as três obras clássicas, jejum, esmola, oração, como instrumentos privilegiados para tal percurso: através do jejum, sobretudo o jejum dos pecados, a esmola, isto é, o abrir-se aos outros numa partilha fraterna, a oração, que nos torna mais disponíveis para Deus, nós podemos “regressar” à casa do Pai.

Francisco viveu tão fortemente este espírito de conversão, que improvisou ele mesmo uma liturgia das cinzas num dia que não era o estipulado para o rito. Na verdade, implorado insistentemente por frei Elias, dirigiu-se uma vez a São Damião para pregar a Clara e às irmãs: «Quando estavam reunidas como de costume para ouvir a palavra do Senhor, mas também para ver o Pai, Francisco ergueu os olhos ao céu, onde sempre tinha o coração e começou a pregar Cristo. Depois mandou que lhe trouxessem cinzas, com elas fez um círculo no pavimento todo á volta da sua pessoa, e o resto colocou-o na cabeça. As religiosas esperavam, e ao ver o Pai imóvel e em silencio dentro do círculo de cinzas, sentiam o espírito invadido por grande admiração.

Quando, de repente, o Santo se levantou e na surpresa geral em lugar do discurso recitou o salmo Miserere. E assim que terminou, retirou-se rapidamente para fora» (2Cel 207: FF 796).

Mesmo se se refere quase de fugida, o hagiógrafo não cala o facto que as irmãs se tivessem reunido «para ouvir a palavra do Senhor, mas também para ver o Pai». Tal disposição revelava com certeza uma atitude de veneração pela pessoa de Francisco, mas, segundo este último, acabava por se tornar um tropeço: o meio (Francisco) corria o risco de substituir a mensagem (a Palavra do Senhor).

Era isto que ele não podia nem queria absolutamente tolerar. Por tal motivo teve o cuidado de lhes recordar a sua realidade de pecador, convidando as irmãs a dirigir o olhar só para Deus e a ouvir unicamente a Sua Palavra. Pregou assim com aquele gesto, certamente paradoxal, mas capaz de se revelar mais eficaz que um rio de palavras.

Extraordinária liberdade dos santos, que nunca agem por conta própria, (seja ela qual for), mas para a glória de Deus!

In, sanfrancescopatroditalia.org

 

 

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