A vida não serve se não se serve

A vida não serve se não se serve – A vida mede-se sobre o amor

Domingo de Ramos (XXXV Dia mundial da Juventude)  o Papa Francisco, na sua homilia teve palavras especiais para todos os jovens. Vale a pena lembrar essa homilia: algumas passagens são de verdade belas e uteis para rodos neste tempo suspenso e trágico; tem palavras fortes e verdadeiras sobretudo para quem anda à procura e em caminho vocacional.

AS PALAVRAS DO PAPA

Jesus «despojou-se a si próprio assumindo uma condição de servo» (Fil 2,7). Deixemo-nos introduzir por estas palavras do apostolo Paulo nos dias santos, onde a Palavra de Deus, como um refrão, mostra Jesus como servo: Quinta feira santa é o servo que lava os pés aos discípulos; Sexta feira santa é apresentado como o servo sofredor e vitorioso (cfr Is 52,13); e Isaías profetiza Dele: «Eis o meu servo a quem eu protejo» (Is 42,1). 

Deus salvou-nos servindo-nosEm geral pensamos ser nós a servir a Deus. Não, é Ele que nos serviu gratuitamente, porque nos amou primeiro. É difícil amar sem ser amados. E é ainda mais difícil servir se não nos deixamos servir por Deus.
Recorre hoje a XXXV Jornada Mundial da Juventude, este ano a nível diocesano, sobre o tema: “Jovem, eu te digo, levanta-te!” (cfr. Lc 7,14). Mas de que modo é que nos serviu o Senhor? Dando a sua vida por nós. Somos-lhe caros e custámos-lhe muito. Santa Ângela de Foligno testemunhou ter ouvido de Jesus estas palavras: «Não te amei por brincadeira». O seu amor levou-o a sacrificar-se por nós, a tomar sobre si todo o nosso mal.

É uma coisa que nos deixa de boca aberta: Deus salvou-nos deixando que o nosso mal se voltasse contra Ele. Sem reagir, só com a humildade, a paciência e a obediência do servo, exclusivamente com a força do amor. E o Pai apoiou o serviço de Jesus: não desbaratou o mal que se abatia sobre Ele, mas apoiou o seu sofrimento, para que o nosso mal fosse vencido só com o bem, para que fosse atravessado até ao fim pelo amor.  Até ao fim.

O Senhor serviu-nos até experimentar as situações mais dolorosas para quem ama: a traição e o abandono.

A traição. Jesus sofreu a traição do discípulo que o vendeu e do discípulo que o renegou. Foi traído pelas pessoas que o aclamavam e depois gritaram: «Seja crucificado!» (Mt 27,22). Foi traído pela instituição religiosa que o condenou injustamente e pela instituição política que se lavou as mãos.

Pensemos nas pequenas ou grandes traições que sofremos na vida. É terrível quando se descobre que a confiança bem colocada é enganada. Nasce no fundo do coração uma desilusão tal, pelo que parece que a vida não tem mais sentido.

Isto acontece porque nascemos para ser amados, e a coisa mais dolorosa é ser traídos por quem prometeu ser-nos leal e próximo. Não podemos sequer imaginar como tenha sido doloroso para Deus, que é amor.

 

Olhemos para dentro d enós. Se somos sinceros connosco próprios, veremos as nossas infidelidades. Quantas falsidades, hipocrisias e duplicidades! Quantas boas intenções traídas! Quantas promessas não mantidas! Quantos propósitos deixados desvanecer! O Senhor conhece o nosso coração melhor que nós, sabe quanto somos fracos e inconstantes, quantas vezes caímos, quanta fadiga fazemos a realizarmo-nos e quanto é difícil curar certas feridas.

 

E o que fez para vir ao nosso encontro, para nos servir? Aquilo que tinha dito por meio do profeta: «Eu os curarei da sua infidelidade, amá-los-ei profundamente» (Os 14,5). Curou-nos tomando sobre si as nossas infidelidades, tirando-nos as nossas traições. Assim que nós, em vez de nos desencorajarmos pelo medo de não conseguir, podemos erguer o olhar para o Crucifixo, receber o seu abraço e dizer: “Eis, a minha infidelidade está ali, tomaste-a Tu, Jesus. Abres-me os braços, serves-me com o teu amor, continuas a fortalecer-me … então vou em frente!”.


O abandono. Sobre a cruz, no Evangelho de hoje, Jesus diz uma frase, uma só: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» (Mt 27,46). É uma frase forte. Jesus tinha sofrido o abandono dos seus, que tinham fugido. Mas restava-lhe o Pai. Agora, no abismo da solidão, pela primeira vez chama-o com o nome genérico de “Deus”. E grita-lhe «com voz alta» o “porquê?” mais dilacerante: “Porque é que também Tu me abandonaste?”.

 

São na realidade as palavras de um Salmo (cfr 22,2): dizem-nos que Jesus carregou na oração também a desolação extrema. Mas resta o facto que a experimentou: experimentou o maior abandono, que os Evangelhos testemunham relatando as suas palavras originais: Elì, Elì, lemà sabactàni?

Porquê tudo isto? Uma vez mais por nós, para nos servir. Porque quando nos sentimos com os ombros encostados à parede, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz e via de saída, quando parece que até mesmo Deus não responda, lembremo-nos que não estamos sós.

 

Jesus experimentou o abandono total, a situação a Ele mais estranha, para ser em tudo solidário connosco. Fê-lo por mim, por ti, para te dizer: “Não temas, não estás só. Experimentei toda a tua desolação para estar sempre ao teu lado”. Eis até onde nos serviu Jesus, lançando-se no abismo dos nossos sofrimentos mais atrozes, até à traição e ao abandono. Hoje, no drama da pandemia, diante de tantas certezas que se desmoronam, diante de tanas expectativas traídas, no sentido de abandono que nos aperta o coração, Jesus diz a cada um de nós: “Coragem: abre o coração ao meu amor. Sentirás a consolação de Deus, que te fortalece”.

 

Caros irmãos e irmãs, que coisa podemos fazer diante de Deus que nos serviu até experimentar a traição e o abandono? Podemos não trair aquilo para que fomos criados, não abandonar aquilo que conta. Estamos no mundo para amar a Ele e os outros. O resto passa, isto permanece. O drama que estamos a atravessar leva-nos a tomar a sério aquilo que é sério, a não nos perdermos em coisas de pouca conta; a redescobrir que a vida não serve se não se serve. Porque a vida mede-se sobre o amor. Então, nestes dias santos, em casa, estamos diante do Crucifixo, medida do amor de Deus por nós. Diante de Deus que nos serve até dar a vida, peçamos a graça de viver para servir. Procuremos contactar quem sofre, quem está só, e necessitado. Não pensemos só naquilo que nos falta, mas no bem que podemos fazer.

 

Eis o meu servo a quem eu protejo. O Pai, que fortaleceu Jesus na Paixão, encoraja-nos também a nós no serviço. Certo, amar, rezar, perdoar, cuidar dos outros, na família como na sociedade, pode custar. Pode parecer uma via sacra. Mas a vida do serviço é a via vencedora, que nos salvou e que nos salva a vida. Queria dizê-lo especialmente aos jovens, nesta Jornada que há 35 anos lhes é dedicada.  

 

Caros amigos, olhai para os verdadeiros heróis, que nestes dias vêm á luz: não são aqueles que têm fama, dinheiro e sucesso, mas aqueles que se dão a si mesmos para servir os outros.

 

Senti-vos chamados a pôr em jogo a vida. Não tenhais medo de a gastar por Deus e pelos outros, ficareis a ganhar! Porque a vida é um dom que se recebe dando-se. E porque a alegria maior é dizer sim ao amor, sem ses e sem, mas. Como Jesus por nós.

 

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