Encontro com a Palavra de Deus – XXXII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

XXXII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

12 de Novembro de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Sab 6, 12-16: A Sabedoria faz-se encontrar aos que a procuram.

Salmo 62: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

1Tes 4, 13-18: Deus levará com jesus os que em Jesus tiverem morrido.

Evangelho: Mt 25, 1-13: AÍ vem o Esposo, ide ao seu encontro.

 

A PALAVRA É MEDITADA

A parábola das virgens prudentes e das insensatas é própria do Evangelista Mateus. Provavelmente foi pronunciada por Jesu como apelo urgente a preparar-se para avinda iminente do reino. Mateus colocou-a depois no contexto escatológico (isto é, relativo aos "tempos finais da história") dos cpp.24-25, dentro de uma secção em que volta várias vezes o convite à vigilância e a uma adequada preparação para o encontro definitivo com o Senhor Jesus. Compreende-se isto pelas palavras iniciais: "O reino dos céus é semelhante a dez virgens..."; além disso, a parábola fala de um banquete nupcial, metáfora que várias vezes na Bíblia designa a condição da plenitude e alegria definitiva no Reino de Deus; o esposo é o Senhor Jesus e as dez virgens representam os discípulos e mais em geral os cristãos no derradeiro momento do encontro último com o Senhor, no final da vida terrena e mais em geral da história.

A parábola, como sempre, parte de um uso bem conhecido e consolidado nos tempos de Jesus, que pode surpreender-nos porque muito diverso do nosso. Na vigília das núpcias, ao pôr-do-sol, o noivo dirigia-se com os amigos à morada da noiva que esperava a sua chegada já adornada e assistida pelas companheiras da sua juventude (as virgens da parábola); o grupo era acompanhado no seu caminhar por explosões de alegria tipicamente orientais, enquanto as tochas iluminava a noite. Por fim constituía-se o verdadeiro e próprio cortejo nupcial composto por dois grupos (dos parentes dos dois noivos) que, percorrendo as ruas da aldeia entoavam cânticos antigos que encontramos também no livro do "Cântico dos Cânticos", e se dirigiam à casa do esposo para celebrar o banquete nupcial e selar o matrimónio dos dois jovens. A festa nupcial depois durava sete dias, e por vezes até o dobro!

Agora a parábola apresenta-nos uma situação que naquele tempo era realística: as virgens companheiras da esposa com as lâmpadas acesas à chegada do esposo. Mas eis que vem sublinhada a diferença entre cinco virgens, "prudentes", que sabiamente tomaram consigo óleo de reserva em vasos, e cinco, "insensatas", que não pensaram nisso: está precisamente aqui o "ponto", ou fulcro, da parábola, que quer chamar a nossa atenção sobre aquilo que é um comportamento inteligente em vista da salvação.

Obviamente, para perceber a mensagem do texto, para lá do ponto de partida realístico – ambiental, é preciso ter claros os simbolismos dos vários elementos. O contexto, como vimos, é o do encontro final e sem apelo com Cristo juiz no fim dos tempos; as virgens representam os fiéis em atitude de espera e tensão para o Reino; as lâmpadas acesas são símbolo de vigilância; o óleo das lâmpadas indica a fidelidade e a perseverança em fazer bem as coisas; por isso a resposta das virgens prudentes às outras não é hostil e egoística como poderia parecer à primeira vista; é antes de mais realística, como a observação que a motiva ("Não, que não venha a faltar para nós e para vós" - v.9); mas sobretudo coerente com o simbolismo a que acenámos: o cumprir boas obras, o agir bem (= segundo a vontade de Deus) comporta uma responsabilidade absolutamente pessoal, insubstituível.

Ninguém pode fazer no nosso lugar aquilo que nos é pedido a nós, e infelizmente, damo-nos conta demasiado tarde disto, pode acontecer também que não haja mais tempo e se fique fora do Reino, isto é daquela total e alegre comunhão com Deus que é representada pelo banquete nupcial.

Como resulta de outras passagens da secção "escatológica" do seu evangelho, Mateus volta ao tema que lhe é querido, que se encontra desde o cap.5: a importância das sobras, do agir como expressão e tradução em acto da fé, do pôr de verdade em prática a Palavra de Deus: “não quem diz, Senhor, senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”; e também a analogia com a parábola do cap.7: "Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem sábio que construiu a sua casa sobre a rocha …" (Mt.7, 24-26)

Com certeza, o final da parábola tem qualquer coisa de trágico: a exclusão definitiva do Reino é qualquer coisa que nos assusta; mas, se tentamos refletir a fundo sobre esta página, encontraremos qualquer cosia de confortante. Quem espera com ânsia alguém ou alguma coisa? Quem ama; sabe-o bem a esposa que espera o marido de regresso de uma longa viagem; sabe-o a mãe que treme pelo filho que ainda não chegou a casa; sabe-o o namorado que não vê a hora de encontrar a sua namorada. A todos estes não há sequer necessidade de dizer: vigia! Vigia! Está alerta!

Se nós amamos verdadeiramente o Senhor, não podemos não desejar encontrá-lo, não só agora na oração e na Eucaristia, mas "cara a cara"; a espera prolonga-se, é verdade, mas a Palavra de Deus diz-nos como podemos e devemos enganá-la: com o amor activo e a atenção ao próximo que Ele mesmo nos testemunhou e ensinou.

É também verdade que nem todos os crentes vivem a vigilância, a fidelidade e a perseverança nas boas obras (significadas pelo óleo da parábola) com o mesmo empenho e a mesma intensidade; mas ninguém virá fazer-nos as contas no bolso sobre quanto teremos sido fiéis e ativos; o importante é ser – pouco ou muito – fiéis e dedicados às boas obras: e isto é de verdade possível a todos.

 

A PALAVRA É REZADA

A nossa existência, Jesus,  é batida por uma espera,

porque cada um de nós tem marcado um encontro decisivo  

e não conhece nem o dia nem a hora.  

Eis porque as nossas lâmpadas devem permanecer acesas:  

para não chegar impreparados  

àquele encontro do qual depende a nossa sorte eterna.

A nossa existência, Jesus,  

exige que tenhamos os olhos bem abertos  

porque são muitos os encontros que tu nos reservas

para nos fortalecer ao longo do caminho.

Eis porque não deve faltar este óleo precioso  

que nos permite continuar acordados e prontos.

É o óleo da fé, que nos faz discernir a tua presença no meio de nós.

É o óleo da esperança

que nos permite enfrentar serenamente

os obstáculos e as dificuldades.

É o óleo perfumado da caridade que faz florescer em nós  

mil gestos e palavras de fraternidade e de misericórdia,

de paz e de justiça.

Ámen.

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)