Encontro com a Palavra de Deus – XXII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

XXII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

3 de Setembro de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Jer 20, 7-9: A Palavra do Senhor tornou-se para mim, ocasião de insultos.

Salmo 62: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

Rom 12, 1-2: Oferecei-vos como vítima viva.

Evangelho: Mt 16, 21-17: Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Jesus leva os seus discípulos para longe da influência judaica, para uma terra pagã, Cesareia de Filipe, e pergunta-lhes: «Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?», portanto Jesus revela-se como o Filho do homem. Mas nós sabemos o que quer dizer? É uma imagem tirada do profeta Daniel, no capítulo sete, onde em sonho vê representados quatro reinos por quatro animais ferozes: um leão com asas de águia, um urso, um leopardo com quatro cabeças e o quaro animal era assustador e terrível, com dez cornos e uma força excepcional, depois aparece, sobre as nuvens do céu, alguém semelhante a um filho de homem e Deus deu-lhe o poder eterno que nunca acaba e o seu reino não será destruído.

Jesus dizendo que Ele é o filho do homem diz que lhe foi dada a condição divina. Deus quer fundir-se com o homem, tornar-se uma só coisa com o homem, não quer ter a condição divina só para si. Deus não está no alto, Deus é profundamente humano e nós quanto mais humanos somos, mais vemos o divino que há em nós.

A felicidade é uma condição divina, mas nós atingi-la-emos; o segredo da felicidade está em nos assemelharmos a Deus. Deus dá com generosidade, portanto também nós quanto mais damos mais possuímos esta condição divina e ao contrário, quanto mais conservamos as coisas para nós mais somos possuídos pelas coisas. Eis por que Jesus revelando-se filho do homem, se revela como um homem com a condição divina. Agora quer saber o que é que pensam os outros homens acerca dele.

Então os apóstolos dizem-lhe que alguns o consideram João batista, o justiceiro, outros Elias, o homem que quer levar os homens a Deus com a violência. Jesus não se impõe, tanto menos com a violência. A Lei de Deus é o amor que se propõe, que dá vida e então pergunta: «Mas vós, quem dizeis que Eu sou?» um grande homem do passado? Uma divindade distraída a quem nos dirigimos para lhe lembrar o que deve fazer? Um amigo a contactar quando as coisas não funcionam?

Simão Pedro diz: «Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo». A ele foi sugerido pelo Pai que Jesus é Deus com a condição humana, Filho, ou seja, semelhante no comportamento ao Pai. Jesus chama Pedro filho de Jonas, porque se assemelha a Jonas, o único profeta que fez o contrário daquilo que Deus lhe tinha pedido, mas que no fim se converte. Todos aqueles que como Pedro, reconhecem em jesus «o Filho de Deus vivo», são «pedras vivas» com as quais edificar a comunidade cristã.

Mas para mim, para vós, o que é que representa Jesus? É importante! Não nos fiquemos pelo vago, nas teorias, nos mexericos, aqui estamos a falar de vida. Deus não procura pessoas boas, perfeitas. Conhece-nos, está enamorado de nós, e Ele quer tornar-nos de condição divina, felizes. Será que isto não é importante para nós? Quando nos abeiramos da verdade de Deus recebemos em troca a verdade sobre nós mesmos. Dizer quem é Cristo para mim faz-me descobrir quem sou eu. O Deus de Jesus não é um concorrente da minha humanidade, mas quer revelar-ma.

Se seguimos Jesus, aprendemos ser mais humanos. Não tenhamos medo, portanto, em confiar neste Deus que é imprevisível mas que de verdade nos pode revelar a nós mesmos com simplicidade e verdade.

Chegou o momento do encontro, Deus espera-nos desde sempre de braços abertos, de que esperamos ainda? Não nos esqueçamos de nos perguntarmos em concreto e em verdade: na minha vida quem é Deus para mim? Jesus pergunta-te: Tu quem dizes que Eu sou? O que e que represento para ti?

Este é o Domingo da escolha. Não tenhamos medo de nos confiarmos a este Deus … nós somos suas criaturas, a sua imagem, não o esqueçamos!

 

A PALAVRA É REZADA

Jesus, a tua vida e a tua palavra seduziram-me,  

conquistado pelo teu projecto de vida e acção.  

Amar-te é aquilo que te digo e que quero com o coração.  

Amar-te é o objectivo fundamental da minha vida cristã.  

Mas quanto é difícil seguir-te, quantas mudanças imprevistas,  

quantos regressos as primeiros amores…  Tu esperas-me pacientemente,

olhas-me com ternura infinita, única, que conquista.

E eu deixo-me conquistar pelo teu chamamento, pela cruz  

e sigo-te certo de que só o teu amor  

encherá o meu coração, me dará respiro de vida e sonhos...

O preço da coerência é o ordenado de quem te escolheu.  

Pedes-me confiança certa em ti, sem procurar outras seguranças.  

Pedes-me saltos no vazio e, no fundo, estás tu à minha espera.

Tu vences sempre em generosidade.  

Dá-me a coragem de te seguir e a força de perseverar  

Mesmo remando contra a corrente.

 

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)

 

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)