Encontro com a Palavra de Deus – XXI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

XXI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

27 de Agosto de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Is 22, 19-23: Porei aso seus ombros a chave da casa de David.

Salmo 137: Pela vossa misericórdia, não nos abandoneis Senhor.

Rom 11, 33-36: Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.

Evangelho: Mt 16, 13-20: Tu és Pedro e dar-te-ei as chaves do reino dos Céus.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Quem dizem os homens que é o Filho do homem? E a resposta é belíssima e errada, belíssima e incompleta: «Dizem que és um profeta! Uma criatura de fogo e de sangue, como Elias, como o Batista, voz de Deus e seu respiro». Jesus não se detém além sobre aquilo que diz o povo, este nunca é um problema, Ele sabe que a verdade não reside nas sondagens de opinião. E eis a grande, verdadeira pergunta: mas vós quem dizeis que eu sou? Precedia de um "mas", porque ninguém deve dar sobre Cristo respostas apenas por ter ouvido dizer, ninguém se deve contentar com palavras de outros.

O discipulato nasce com a resposta pessoal a esta pergunta: mas tu quem dizes que eu sou? E sinto que esta é uma questão a amar, a viver, a sentir como eco que preenche os silêncios da alma. É a Palavra de Deus, e provoca-me, abre-me, mexe comigo, põe-me em caminho. Só se amas a pergunta, a resposta começará a nascer em ti, verdadeira. Esta questão diz que Cristo não é óbvio, que a fé é nova todos os dias. O Evangelho obriga-te a não aceitar nada como descontado ou já sabido: nem o bem nem o mal, nem a vida nem a morte, nem o homem nem Deus. Esta questão diz que resposta verdadeira é só tua. Tu, com o teu coração, a tua força, a tua experiência, o teu pecado, tu o que dizes de Deus? E aqui não servem estudos ou leituras, livros ou fórmulas de catecismo, cada um que tenha saído das mãos de Deus, dessedentado nas fontes de Deus, cada um caído e ressuscitado, deve dar a resposta.

Na Bíblia existem mil nomes de Deus, mas o último nome, o nome secreto, aquele que é mais importante, aquele que é revelado ao individuo e que nenhum outro conhece, aquele que só tu podes pronunciar, o nome que lhe dá o teu amor, o teu segredo entre ti e o Amado, o teu sabor de Deus, que te vem do facto de o teres sentido, saboreado, de certo modo desfolhado com os dedos da alma, é esta a tua resposta. Um dia virá, como dom, como veio para Pedro; virá como luz breve mas que incide no coração sulcos doces e ardentes, indeléveis.  

Então sentir-me-ei como Simão: feliz de ti! Feliz de Deus! Então serei como Pedro, rocha e chave que abre a outros as portas belas de Deus. Tu, quem dizes que eu sou? Mas dizer não basta, é fácil ser especialistas de palavras. A vida não é aquilo que se diz da vida, mas aquilo que se vive da vida. E de Jesus Cristo não conta aquilo que digo Dele, mas aquilo que vivo Dele: não quem diz Senhor, Senhor, entrará no Reino...

O cristianismo não nem uma doutrina, nem uma moral, mas é a minha relação com jesus, o meu Senhor e o meu Deus, que procuro amar como Ele me ama. E nem sequer sei se algum dia conseguirei, mas toda a minha vida será tentar, e depois tentar novamente.

 

A PALAVRA É REZADA

Jesus, és excepcional,  

não fazes sondagens de opinião,  

vais direito ao coração de cada um e fazes uma pergunta clara,

para uma resposta pessoal: «Vós, quem dizeis que eu sou?».

Sem a ajuda do Alto, sem o Espirito de sabedoria,  

tateamos no escuro.  

Sobre o pescador franco e humano,  

tu constróis a tua Igreja.

Não sobre a sabedoria dos doutos,  

não sobre a astúcia dos espertos,  

não sobre a eficiência dos manager,

não sobre a força dos poderosos,  

mas sobre esta confiança, simples  

e exposta a obstáculos e fragilidades,  

sobre a de Pedro e a minha.

Concede-nos hoje que acreditemos em ti, Messias crucificado,  

que nos confiemos totalmente a ti, Senhor vitorioso, Deus fiel.

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)