Encontro com a Palavra de Deus – VI DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

VI DOMINGO DE PÁSCOA

    

6 de Maio de 2018

 

AS LEITURAS DO DIA 

Act 10, 25-26.34-35.44-48: O Espirito Santo difundia-se também entre os pagãos.

Salmo 97: Diante dos povos, manifestou Deus a salvação.

1Jo 4, 7-10: Deus é amor.

Evangelho Jo 15, 9-17: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Nesta passagem, continuação do evangelho de domingo passado, Jesus insiste sobre a unidade profunda e plena que deseja formar com os seus discípulos: "Eu já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer todas as cosias que ouvi de meu Pai". O servo não conhece, o amigo conhece.

Conhecimento significa aqui comunhão com o outro, proximidade, participação, interesse por ele, significa presença de um no outro. Ignorância é separação, não participação, desinteresse, ausência.

Deus quer colocar tudo em comunhão connosco, e desta vontade oferece-nos dois sinais inequívocos. Primeiro: dá a vida pelos amigos. Segundo: faz-se conhecer no íntimo."Verdadeiro sinal de amizade é revelar os segredos do próprio coração" (S. Tomás).

Diante destas “confissões” do senhor somos obrigados a medir a monstruosidade da ofensa que fazemos a Deus quando o vemos como um patrão que gosta de nos manter submissos, manter-nos à distância, fazer-nos de anti câmara, senhor ciumento dos seus privilégios e ansioso em os manter, deus invejoso da nossa felicidade. O "jugo suave" torna-se então escravidão, a observância dos mandamentos legalismo, a moral sentido do dever, o temor de Deus servilismo. Mas Deus não quer escravos, não gente que procura tê-lo bom obedecendo-lhe e evitando contrariá-lo, como um qualquer tirano. Deus quer amigos; quer que observemos o seu mandamento como amigos, como pessoas livres que partilham tudo com Ele. Sinal desta partilha é o cumprimento do mandamento do amor.

 "Sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando". Não se trata com certeza, da parte de Deus, de um amor condicionado, quase: "se não obedeceis, não vos amo". Jesus proclamaria aqui o manifesto do legalismo, autenticaria a estrada escravidão (que facilmente se torna depois a estrada da rebelião e do niilismo).

Não, Deus quer que observemos o mandamento porque, como todo o bom amigo, deseja reciprocidade, quer igualdade entre nós e Ele. Só assim a sua alegria em nós se pode tornar plena. Esta é uma promoção vertiginosa para nós ("demasiada graça" diríamos...), e como tal deve ser entendida.  

Um amor assim da parte de Deus por nós é verdadeiramente paradoxal: não poderíamos acreditar nisso se Ele mesmo não o tivesse revelado. Não é iniciativa nossa, esta, mas eleição da parte de Deus. Não realização humana, mas vocação divina. Não nascimento de "carne e sangue", mas renascimento do Espirito Santo.

"A caridade é coisa por si mesma tão sublime, que em nenhum modo pode germinar nem da vontade do homem, nem da vontade da carne. Mas tendo Cristo nascido ab aeterno de deus pai, como seu natural Filho, de Deus com a natureza divina traçou ab aeterno a caridade; e nós formando agora com isso Ele um só corpo participamos por adoção naquela geração sempre eterna e, ao mesmo tempo com Ele voluntariamente e livremente da mesma caridade. Alegremo-nos portanto e exultemos em espirito: nós podemos com uma santa coragem começar a obra grande, aliás sobre humana de nos lançarmos naquela caridade. Dado que vive em nós Cristo e o seu Espirito ama e nós" (Antonio Rosmini).

 

A PALAVRA É REZADA

Os poderosos procuram amizade entre os poderosos,

para armarem o seu poder.

Tu Senhor, vais procurar os amigos

entre os pequenos e os pobres  

para lhes dar um lugar no teu coração.

A amizade para ti, não é um poço onde ir buscar qualquer coisa,

mas um vazio que tu queres preencher.

E é precisamente porque tens um coração feito assim

que posso estar perto de ti e sentir-me à vontade.

Precisamente porque és meu amigo,

posso falar-te com sinceridade,

posso desabafar sem te aborrecer,

posso pôr a descoberto os eus sentimentos

sem me sentir violado,

posso gritar as minhas paixões sem me envergonhar.

Quando estou carrancudo não te esquivas,

mas paras comigo e ajudas-me a sorrir de novo.

É então que descubro a vida como um anova aurora.

Nada me tiras, nada me dás.

Em ti encontro a vontade de cantar o amor

como é espontâneo fazer quando se está perto

dos amigos verdadeiros, como és tu e eu em ti.  

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)