Encontro com a Palavra de Deus – XXXIII Domingo do Tempo Comum - ANO C

XXXIII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO C

    

                           17 de Novembro de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

 

Mal 3, 19-20: Para vós nascerá o sol de justiça.

Salmo 16: Senhor ficarei saciado, quando surgir a vossa glória.

2Tes 3, 7-12: Quem não quer trabalhar, também não deve comer.

Evangelho Lc 21, 5-19: Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Virão dias de luto e de choro. Aliás, já vieram, e estão ainda a chegar. O mundo está doente, e, contudo, de nós não se evade, está-se no meio, como Jesus, procurando curar as suas chagas.  

A vinda de Jesus não resolveu os males do mundo. Aliás a fé em Jesus parece provocar um suplemento de violência e de ódio: é a criação que luta contra o mal. Jesus, e as suas testemunhas, o templo de Jerusalém, o templo do nosso corpo (Jo 2,21), il mondo, tudo deve passar por uma história de morte renascimento, de cruz e ressurreição: lei da toda a história. Tudo se tem na cruz. Tudo se tem na ressurreição.  

O último livro da Bíblia garante-nos que o mundo não acabará no fogo de uma conflagração planetária, mas na beleza. O fim da história não é a devastação da criação, mas o encontro do enamorado: «vi a terra nova, bela como uma esposa, descer do céu pronta para o esposo» (Ap 21,2).

Isto vale também para o discípulo: «nem sequer um cabelo da vossa cabeça perecerá». Mesmo se será destruído no dia da violência e do ódio, não o será para sempre. «Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto não temais» (Mt 10,30). Eis mais uma vez o infinito cuidado de Deus pelo infinitamente pequeno, a fineza amorosa de um Deus pelo que nada é insignificante daquilo que pertence ao amado. Não é só desejo do coração, mas sabedoria do coração: Jesus ensina a viver o movimento de um pêndulo que vai do infinitamente pequeno à grande história, do fragmento de matéria ao segredo da vida, de um só dos meus cabelos a todo o futuro do cosmos. Na esperança.  

Agradeço ao meu Senhor, porque no caos da história o seu olhar está fixo sobre mim, não juiz que aparece, mas guardião atento de cada fragmento. E nada é demasiado pequeno: e se não for isento da destruição no dia do ódio, certamente será salvo depois no dia do Senhor.  

Como esperar este dia? Com uma espiritualidade do quotidiano que Lucas raça assim: permanecer firmes na «perseverança», termo que evoca toda a força necessária ao longo do caminho de sofrimento pelo qual se deve passar, mas que ao mesmo tempo respira a esperança Naquele que te conta os cabelos da cabeça. «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas», e é como dizer «salvareis as vossas vidas».

A vida salva-se não no desimpedimento, mas no tenaz, humilde, quotidiano trabalho que toma ao seu cuidado a terra e as suas feridas. Sem cair nem ceder no desencorajamento nem nas seduções dos falsos profetas. E se espero ainda o Senhor não é com base nos sinais dececionantes que consigo perceber dentro da confusão sanguinosa dos dias, mas pela beleza da fé em Alguém que está a contar os cabelos da cabeça e se repropõe como um Deus especialista no amor.

 

A PALAVRA É REZADA

 

Somos cristãos e temos atrás de nós vinte seculos de história.  

Muitas vezes paramos encantados  

a admirar a grandiosidade das nossas basílicas,  

tão cheias de harmónica beleza  

ao ponto de serem comparadas à tua beleza.

Cada sua pedra e cada arco,  

tal como cada pintura que contêm,

são uma marca da fé, forte e alegre,  

de tantas gerações que nos precederam.

Ao olhá-las, Senhor, sentimo-nos elevar para o alto,

mas, pensando no teu regresso ao mundo,  

percebemos um profundo desalento  

porque escolherás, como tua morada,  

a barraca dos excluídos ou a tenda dos nómadas.

Ajuda, Senhor, a Igreja a não procurar espaços de glória para si mesma,  

Mas a permanecer descalça entre os descalços, pobre entre os pobres,  

despojada de toda a franja, como o são os miseráveis

a quem a vida despojou.  

Só se for fiel em dar este testemunho,  

poderá estar certa de não ter perdido nenhum cabelo.

Ámen                                

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)