Encontro com a Palavra de Deus – III DOMINGO DA PÁSCOA

III DOMINGO DE PÁSCOA

          

30 de Abril de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Act 2, 14.22-33: Não era possível que Ele ficasse sob o domínio da morte.

Salmo 15: Mostrai-me, Senhor o caminho da vida.

1Pedro 1, 17-21: Fostes resgatados pelo sangue de Cristo.

Evangelho:  Lc 24, 13-35: Conheceram-no ao partir o pão.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Emaús. Segunda aparição de Jesus ressuscitado, narrada por Lucas. Os quatro evangelistas falam-nos, em tudo, de uma dezena de aparições pascais. Mas esta é também a primeira liturgia em absoluto: de facto estão os fiéis (os discípulos de Emaús), a explicação das Escrituras feita por Jesus em pessoa, o repartir o pão, a bênção e o coração ardente no final da liturgia. Até então, do Senhor ressuscitado, tinha havido apenas uma prova em negativo = o sepulcro vazo, mas Ele em pessoa, vivo e verdadeiro, ninguém o tinha visto ainda.

A experiência positiva do encontro não tinha ainda acontecido. Além do mais as primeiras testemunhas do sepulcro tinham sido as mulheres, que tinham tido também uma visão de anjos e, já sabemos, nas mulheres e nos anjos nem todos acreditam! No mundo judaico – isto é sabido – o testemunho das mulheres, não tinha nenhum valor oficial (o dos anjos não se sabe), mas tinha para Jesus que, absolutamente livre dos condicionamentos socioculturais da época, escolheu aparecer em primeiro a Maria Madalena e não – como sugeriria a logica humana, sobretudo a daquele tempo – a qualquer outro discípulo.  

É portanto o primeiro dia da vida gloriosa de Jesus sobre a Terra que, mesmo ressuscitado, se faz peregrino e forasteiro que vem cruzar as estradas dos discípulos desencorajados e desiludidos. De tal maneira desiludidos que não levantam sequer os olhos, e assim não o reconhecem, mas pouco a pouco, escutando a sua voz, o seu coração torna-se incandescente. E Ele continua a caminhar com eles todo o dia, até à noite: não se limita só a fazer um breve pedaço de estrada e não se contenta em lhes dar apenas poucas explicações sobre os factos que se deram recentemente, mas "começando de Moisés e de todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras aquilo que se referia a Ele". Um verdadeiro e próprio curso acelerado de Cristologia, o primeiro em absoluto, feito pelo Mestre em pessoa. É pena que aqueles discípulos não tenham penado em pô-lo por escrito! Que tesouro precioso, se o tivessem feito! E depois de ter explicado e caminhado todo o dia com eles, ao cair d anoite os dois discípulos convidam-no a ficar com eles, porque se faz tarde: "Fica connosco porque o dia está a terminar e vem caindo a noite".

Mas não o tinham reconhecido. Só quando estava à mesa e partiu o pão é que o reconheceram. Como antes, durante toda a viagem, tinha partilhado com eles o pão da palavra, agora abençoa e reparte o pão – prefiguração da Eucaristia- alimento de vida. E os dois discípulos, depois de o terem reconhecido, descobrem de repente, que tinham o coração incandescente. E partem a toda a pressa, para Jerusalém a anunciar o grande acontecimento. E enquanto contam o sucedido, eis Jesus que aparece uma segunda vez no meio deles.  

Agora não existe apenas o sepulcro vazio, mas existe a consistência corpórea que revela que Jesus está vivo e verdadeiro, e contudo também aqui em Emaús, os discípulos não o reconhecem e teme que seja um fantasma.

Quantas vezes também nós estamos tristes, desiludidos e desencorajados, porque não reconhecemos o Senhor. E no entanto se pensarmos bem, quantas vezes já o encontrámos, mas só depois é que o reconhecemos. Quantos lugares do encontro – outros Emaús – que cada um poderia enumerar, onde Ele atravessou a nossa vida, cruzou as nossas terras e nos revelou o sentido do nosso andar e do nosso procurar. E nos dá nova coragem para retomar o caminho. E todos os dias há um lugar do encontro onde Ele nos espera para nos revelar o seu projecto e renovar os prodígios do seu Amor por cada um de nós. Toca a nós reconhecê-lo e descobrir a chama que Ele tinha já acendido no nosso coração.

 

A PALAVRA É REZADA

Como os dois discípulos do Evangelho,  
imploramos-te, Senhor Jesus; fica connosco!
Tu divino Caminhante, conhecedor das nossas estradas  
e conhecedor do nosso coração,  
não nos deixes prisioneiros das trevas da noite.  
Fortalece-nos no cansaço, 
perdoa os nossos pecados,  
orienta os nossos passos pelo caminho do bem.  
Abençoa as crianças, os jovens, os idosos,  
as famílias, em particular os doentes.  
Abençoa os sacerdotes e as pessoas consagradas.  
Abençoa toda a humanidade.  
Na Eucaristia fizeste-te  
"remédio de imortalidade":
dá-nos o goto de uma vida plena,  
que nos faça caminhar sobre esta terra  
como peregrinos confiantes e alegres,  
olhando sempre
para a passagem da vida que não tem fim.  
Fica connosco, Senhor!
Fica connosco!

Ámen.

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)