Encontro com a Palavra de Deus – XII Domingo do Tempo Comum - ANO C

XII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO C

    

                           23 de Junho de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

 

Zac 12, 10-11; 13,1: Voltarão os olhos para aquele que trespassaram.

Salmo 62: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

Gal 3, 26-29: Em Cristo todos os homens são filhos de Deus.

Evangelho Lc 9, 18-24: És o Messias de Deus. O Filho do homem tem de sofrer muito.

 

A PALAVRA É MEDITADA

“Quem dizem as pessoas que Eu sou?". É a pergunta que Jesus dirige aos seus discípulos em Cesareia de Filipe. O evangelista não refere o lugar mas precisa o momento em que Jesus dirige estas palavras aos discípulos, ou seja "enquanto Ele estava a orar num lugar solitário e os discípulos estavam com Ele". Não se trata de uma espécie de sondagem; mesmo se os Evangelhos deixam sobressair a diversidade de opiniões em relação a este singular profeta de Nazaré. Lucas põe na boca dos discípulos algumas das opiniões mais comuns: "Para alguns João Baptista, para outros Elias, para outros um dos antigos profetas que ressuscitou".

A cada uma destas atribuições correspondia um grau mais elevado de popularidade ou de qualquer modo de adesão. Todavia, a Jesus não parecia interessar muito o parecer das pessoas; aquilo que de verdade lhe está a peito é o que pensam dele os discípulos. E o porquê compreende-se pelo seguimento da narração evangélica. Jesus está para começar um caminho verdadeiramente difícil em direcção a Jerusalém. Ele tem claro o choque que haverá entre a sua pregação e as autoridades religiosas (os anciãos e os príncipes dos sacerdotes) e espirituais (os escribas) que dominam Israel. E certamente voltam-lhe à mente os numerosos textos do Antigo Testamento onde se fala do servo sofredor ou do justo "trespassado", como escreve o profeta Zacarias.

Mas se para Ele é claro aquilo que lhe acontecerá, não o é para os discípulos. Por isso, Jesus, sem comentar as opiniões das pessoas, pergunta imediatamente aos discípulos: "Mas vós quem dizeis que Eu sou?". É a pergunta central do texto evangélico. Essa pede com certeza clareza de ideias, mas sobretudo adesão do coração. E Pedro, em nome de todos, responde: "O Cristo de Deus". é uma resposta que se não é de todo clara na mente de Pedro, certamente está cheia e límpida sob o plano da sua fé.

Praticamente é claro que Jesus para os discípulos não é só um mestre de doutrinas, é ao migo, é o confidente, é a sua vida, é o seu salvador. La conversação que se instaura entre Jesus e os discípulos é um diálogo familiar e confidente. Jesus abre o seu coração e confia aos seus íntimos aquilo que lhe acontecerá em Jerusalém. De resto veio à terra para cumprir a vontade do Pai, custe o que custar. O anúncio "confidencial" da sua paixão, morte e ressurreição, certamente surpreende o pequeno grupo de discípulos.  

Mas Jesus sabe bem que esta é a essência do seu Evangelho e não renunciar a isso. Aliás, todo aquele que quiser segui-lo deve acolhê-la. Continua por isso, a falar propondo algumas indicações sobre o seguimento. A primeira e fundamental condição, seja como for, é uma adesão plena e total a Ele. Jesus quer que os discípulos sejam tais não só exteriormente mas com o coração; não a metade, mas inteiramente. E precisamente no início da sua viagem para Jerusalém – estamos ainda na Galileia – diz àqueles que o escutam: "Se alguém quer vir comigo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me". Jesus pede para ser amado acima de todas as coisas; exige estar antes de qualquer afecto e de qualquer afazer.  

Tudo isto pede para realizar sobre cada um de nós, começando precisamente pelo coração. Aqui é o lugar onde se escolhe a quem confiar a própria vida: se a si mesmos, à própria carreira, a tantos outros ídolos, ou então, ao Senhor. É óbvio que todo o corte, toda a divisão, exige esforço e sacrifício; por vezes, uma verdadeira e própria luta. Esta deve ser combatida por todo o discípulo. Seguir Jesus significa estar disponíveis a percorrer o seu caminho, a tomar sobre si a rejeição do mundo, a incompreensão e também a difamação. Mas o termo será a ressurreição, a plenitude da vida.

Jesus liga o discípulo ao seu destino pessoal. E fecha com uma frase de verdade estranha para nós, mas é a síntese da sua vida: "Aquele que quer salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a própria vida por minha causa, salvá-la-á". Quem "perde" a vida, ou seja quem a gasta no seguimento de Jesus, de verdade salvou-a. Não a perdeu atrás de coisas vãs e ilusórias.

 

A PALAVRA É REZADA

Espirito Santo, eterno Amor,
que és doce Luz que me inundas
e brilhas na noite do meu coração;
Tu nos guias como a mão de uma mãe;
mas se Tu nos deixas não avançaremos mais que um passo!
Tu és o espaço que o meu ser circunda e em que se sela.  
Se me abandonas caio no abismo do nada,  
donde ao ser me chamaste. 
Tu próximo de mim, mais que eu mesmo, mais íntimo que o meu íntimo.
E no entanto, ninguém te toca ou te compreende  
e de todo o nome rompes as cadeias.  
Espírito Santo, eterno Amor.
Ámen                               

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)