Encontro com a Palavra de Deus – Baptismo de Jesus - ANO C

BAPTISMO DO SENHOR – ANO C

    

                           13 de Janeiro de 2018

 

AS LEITURAS DO DIA 

 

Is 42, 1-4.6-7: Eis o meu servo, enlevo da minha alma.

Salmo 28: O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Actos 10, 34-38: Deus ungiu-o com o Espirito Santo.

Evangelho Lc 3, 15-16.21-22: Jesus foi batizado e, enquanto orava, abriu-se o céu.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Eis-nos no inicio da missão de Jesus; depois de 30 anos de vida escondida, o Senhor manifesta-se a todos e é o Pai a apresenta-lo: Este é o meu Filho, o amado, em quem pus o meu enlevo. Quem é este Filho de Deus, da mesma natureza do pai? Alguém que se faz nosso irmão, que se faz último, que se mete no meio dos pecadores, entre aqueles que queriam receber o batismo de João, como sinal do seu desejo de mudar de vida.

E assim Jesus revela-nos quem é verdadeiramente Deus: é o Deus-connosco, que se fez de verdade um de nós, um que não nos olha de alto para baixo, mas que se mete mais baixo que nós para nos levantar; alguém que não se mantém afastado dos pecadores, mas que se faz nosso companheiro de viagem para nos salvar; alguém que não se aproxima só quando formos bons, mas que está sempre ao nosso lado e com o seu amor nos pode tornar melhores; alguém que não faz "distinções de classe ou de raça", mas que procura a todos, que ama a todos; alguém que não é indiferente aos nossos sofrimentos, que está tranquilo lá em cima, mas alguém que vem cá abaixo, para partilhar tudo, para carregar os nossos sofrimentos e abrir o céu, para nos levar a todos consigo!

Sim, Jesus recebe a aprovação do Pai celeste, que o enviou precisamente porque aceita partilhar a nossa condição, a nossa pobreza. Partilhar é o verdadeiro modo de amor. Jesus não se dissocia de nós, considera-nos irmãos e partilha connosco. E assim, nos torna filhos, juntamente com Ele, de Deus Pai. Esta é a revelação e a fonte do verdadeiro amor (Papa Francisco).

João anunciava a vinda do "mais forte": quem sabe o que terá pensado ao ver Jesus diante de si que pedia para ser batizado por ele. Isto faz-nos compreender que Deus, o mais forte, é Aquele que desce.

Desde o Antigo Testamento o Senhor se revelou como Aquele que escuta o grito do seu povo e desce para o salvar, para o libertar da escravidão (cf. Ex 3,8); e no fazer-se homem Deus completou esta descida: desceu no ventre da Virgem Maria, desceu nas águas do Jordão para as santificar; desceu aos infernos depois da morte para tirar para cima toda a humanidade, abrindo as portas do céu.

E assim continua a fazer: Deus desce para nos fazer subir a Ele. Somos todos convidados a faze-lo descer no coração, a deixar que a Sua palavra e o seu amor iluminem os nossos abismos, os nossos infernos, as zonas atormentadas da nossa história. Quantos de nós viveram momentos difíceis na família na infância, ou traições, agressões, faltas de amor; quantos se sentem inúteis, fogem da sua história ou repropõem aquele mesmo mal que sofreram, ou estão bloqueados nos seus esquemas, nas suas lamentações; etc, Deus quer descer nestes nossos abismos e iluminá-los com o seu Amor para os fazer subir, para nos dar uma vida nova.

O batismo de Jesus revela-nos o seu amor; unidos a Ele, também a nós o Pai diz: tu és meu filho, és precioso aos meus olhos e eu te amo! Poderias dizer: Mas eu fiz tantas coisas más.... mas eu não mereço nada ... E Deus repete-te: tu és meu filho, amo-te! Deixa-me entrar, deixa-te perdoar! Algo te diz para não acreditares, mas Ele existe na mesma, fortalece-te, dá-te a vida mesmo s enão acreditas.

Experimenta: deixa-o descer em ti, deixa-te amar, deixa-te levantar: vem para fora das tuas zonas de defesa, das etiquetas que penduraste em ti, dos sentimentos de culpa com os quais te sufocas, dos modos rígidos em que estás bloqueado, das depressões que cultivas em ti, das caras duras que gostas de usar: Tu és muito mais que tudo isto! Podes fazer a experiencia de tudo isto na oração: Jesus entra nas ondas da culpa, no inconsciente, na pusilanimidade, nos elementos da terra, como o representam sempre os ícones.

Entrando neles, reza tão intensamente que o céu se abre por cima dele... é um profundo desejo também meu o de saber rezar de modo tal que o céu se abra por cima de mim, que o amor de Deus resplandeça no profundo do meu inconsciente, nos abismos da minha culpa. E anseio por saber rezar também pelos outros, de modo tal que o céu se abra por cima deles. Rezar significa abrir o céu por cima das pessoas, de modo que lhes seja permitido sentir a relação com Deus como a sua única salvação (A. Grün).

Deixemo-lo, portanto, descer ao nosso coração!

 

A PALAVRA É REZADA

 

É uma boa notícia, Senhor, aquela que confias ao teu profeta:

tu fazes dele um arauto que alcança o povo desorientado

e lhe dá final­mente motivo de esperar.

Agora pode deixar finalmente atrás das costas  

um passado de lágrimas e de sangue,

um passado de pecado e de infidelidade porque és tu, ó Deus,  

a tomar na mão o seu futuro  

e a guiá-lo com segurança e ternura  

pelo caminho da justiça e da paz.  

Guias consideradas o conduziram até á beira do precipício,

mestres insensatos o convenceram  

a pisar impunemente as tuas leis e os teus mandamentos,  

calculadores astutos levaram-no para becos cegos, sem saída.

Mas agora tu lhe farás de pastor e tomarás a peito o seu destino.  

Tu mesmo te revelarás a ele com uma ternura desconcertante:  

não para castigar, mas para consolar,  

não para julgar, mas para defender,  

não para atingir, mas para curar,  

não para humilhar, mas para levantar,  

para encher todos de uma alegria sem medida.

Ámen            

 

  

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)