Encontro com a Palavra de Deus – IV DOMINGO DO ADVENTO - ANO C

IV DOMINGO ADVENTO – ANO C

    

                           23 de Dezembro de 2018

 

AS LEITURAS DO DIA 

Miq 5, 1-4: De ti sairá Aquele que há-de reinar sobre Israel.

Salmo 79: Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto e seremos salvos.

 

Heb 10, 5-10: Eu venho para fazer a vossa vontade.

Evangelho Lc 1, 39-45: Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?

 

A PALAVRA É MEDITADA

Depois da anunciação do anjo, Maria põe-se a caminho em direção à montanha, com solicitude. Para Jesus é a primeira viagem missionária realizada por meio da Mãe, que antecipa a acção evangelizadora da comunidade cristã. Começa aqui o grande andar, que preenche todo o evangelho de Lucas e os Actos dos apóstolos.  

A palavra de Deus vai do céu à terra, de Nazaré a Jerusalém, de Jerusalém à Judeia e até aos confins da terra; vai sem hesitações, sempre à pressa. Na saudação de Maria, que leva Jesus no ventre, Isabel e João encontram o Salvador. A chegada de Maria a casa de Isabel suscita grande surpresa e Isabel exprime a sua admiração com as palavras pronunciadas por David, ao receber a Arca da Aliança: "Como poderá vir a mim a arca do Senhor?” (2 Sam 6,9).

Na casa de Zacarias realiza-se aquilo que acontecerá em Jerusalém depois da ressurreição do Senhor. "Nos últimos dias, diz o Senhor, eu infundirei o meu Espirito sobre todas as pessoas; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão" (At 2, 17-21; Gl 3,1-5).

A história da infância da Igreja será a repetição e a continuação da infância de Jesus. Isabel, “cheia do Espirito Santo” (v. 41), conhece o segredo de Maria, e a proclama: "Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (v.42). Deus abençoou Maria com a plenitude de todas as bênçãos que estão em Cristo (cfr Ef 1,3).

Maria é considerada como a arca da Aliança do Novo Testamento: no seu ventre traz o Santo, a revelação de Deus, a fonte de todas as bênçãos, a causa primeira da salvação, o centro do novo culto. A saudação de Maria provoca a exultação de João Baptista. O tempo da salvação é o tempo da alegria. O cântico de louvor de isabel termina com as palavras que exaltam Maria: "Feliz aquela que acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe disse" (v.45).

Maria tornou-se verdadeiramente mãe de Jesus porque obedeceu à palavra de Deus. E quando uma mulher do povo, dirigindo-se a Jesus, a proclamará bem-aventurada: "Feliz o ventre que te trouxe e o peito que te amamentou!", Jesus precisará e completará a expressão de louvor, dizendo: "Felizes antes aqueles que escutam a Palavra de Deus e a poem em prática!"(Lc.11,27-28).

Com um acto de fé começa a história da salvação de Israel; Abraão parte para um país desconhecido com a mulher estéril, sozinho, porque Deus o chama lhe promete uma descendência abençoada (Gen. 12). Com um acto de fé começa a história da salvação do mundo; Maria acredita na palavra do Senhor: virgem, torna-se a mãe de Deus. A primeira bem-aventurança do Evangelho de Lucas é a exaltação da fé de Maria. A fé é a virtude que acompanhou Maria no seu caminho e a enraizou profundamente no projecto de salvação de Deus.

 

 

A PALAVRA É REZADA

 

Senhor, o tempo do Advento

em que estamos obriga-nos

à grande meditação antropológica,

à descoberta da verdadeira condição da vida humana

e da nossa maravilhosa sorte de te ter como irmão,

Deus feito homem para nossa salvação.

Tu, Verbo de Deus, fizeste-te homem

para que o homem pudesse ser associado à vida de Deus.

O homem tem necessidade de ti, ó Cristo!

Sozinho ele não se salva.

O esforço de te excluir do pensamento moderno,

dos princípios directivos do saber e da actividade humana,

tem por resultado a incerteza e depois a confusão,

e por fim o conflito da consciência humana.

O teu Natal, ó Cristo, é por isso festa grande para o mundo,

e festa sempre maior para o mundo que cresce

e aspira à plenitude da vida.

Não apaguemos a lâmpada central do Natal,

que é a fé no Verbo de Deus feito homem,

mas tenhamo-la acesa, para que a luz, a bondade, a tua alegria

se difunda nas nossas almas e nas nossas casas.

E contigo recordamos Maria, a portadora desta lâmpada.

Ámen.                                    

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)