A atracção duma loucura

ENCONTROS 1 PARA UM ITINERÁRIO NAS PEGADAS DE S. FRANCISCO

Veio um homem....

... escolheu a experiência de ser o último, viveu-a e tornou-se o primeiro...

Ainda hoje passados oitocentos anos continua a atrair, a conquistar, a seduzir.

Francisco ensina-nos a viver e a compreender irmão sol, irmã lua, dona pobreza e irmã morte.

Francisco de Assis viveu o Evangelho e encontrou o seu próprio caminho; por isso queremos aproximarmo-nos dele: porque tem ainda algo para dizer a todos nós que perdemos a simplicidade e a liberdade, sobretudo pode dizer-nos o seu segredo para ser felizes na vida.

Eis então, a sua vida contada pelos seus primeiros companheiros (Leão, Rufino, Ângelo...) e comentada pelos seus amigos frades de hoje, apaixonados por ele e pelo seu “ideal de vida”...

A vida de S. Francisco é simplesmente maravilhosa! Não acaba de espantar!

Parece incrível que um homem tenha feito todas essas coisas loucas em tão pouco tempo. Viveu só 44 anos. Uma vida intensa...

Depois de tanto tempo, Francisco parece um jovem dos nossos dias, com os mesmos problemas, com os mesmos sonhos, com as crises e entusiasmos dos rapazes de hoje.

Incrivelmente jovem e moderno, conhecer a sua vida significa conhecer mais também a nossa.

 

a sua JUVENTUDE

FRANCISCO era assim...

... eis o seu Bilhete de Identidade:

  •  nasceu em Assis no ano de 1181 ou 1182;
  • nome: Francisco; *
  • filiação: Pedro de Bernardone e Pica, natural da França (é provável que Pedro numa das suas viagens de negócios tenha combinado também o casamento);
  • um irmão, Ângelo, sabe-se muito pouco dele;
  • profissão: comerciante de roupa bonita e... fina.
  • Estado social: burguês.

* Houve confusão por causa do nome: a mãe, porque gostava, chamou-o João, mas o pai, quando voltou das suas viagens da França, impôs o nome, Francisco, que significava “o francês”.

E assim foi.

 

... o seu retrato físico, segundo os contemporâneos:

  • médio de estatura, mais baixo que alto,
  • um rosto um tanto comprido e saliente,
  • olhos negros, cabelo escuro, orelhas sobressaídas mas pequenas,
  • dentes compactos, alinhados e brancos,
  • lábios pequenos, barba negra e rala,
  • mãos finas, dedos compridos, pés pequenos,
  • pele fina e enxuto de carnes.

... pinceladas sobre as suas melhores qualidades:

  • Inocente, simples nas palavras, puro no coração; jovial e acolhedor.
  • Era meigo, afável, fidelíssimo em cumprir, arguto no aconselhar, eficaz no agir.
  • Espírito sereno e sóbrio, de índole contemplativa, em tudo punha entusiasmo e fervor.
  • Tenaz nos propósitos, firme na virtude, perseverante na graça, sempre igual a si mesmo.
  • Pronto a perdoar, tardo para a ira, rigoroso consigo próprio, indulgente com os demais, discreto com todos.
  • Vestia-se rudemente, dormia pouco, procurava ser generoso.
  • Mostrava-se manso com todos... sendo o mais santo de entre os santos, entre os pecadores era como um deles.

... mas há também quem viu outros aspectos da sua vida:

  • Parece que, mesmo porque baixinho e frágil, Francisco gostasse de sobressair sobre os outros; gostava de se pôr à mostra, exibir-se e ser considerado. Sim, parece que Francisco gostasse... de ser sempre o “primeiro”.
  • “Francisco era generoso e alegre, entregava-se aos divertimentos e ao canto, e vagueava, dia e noite, pela cidade, com amigos da sua idade. Dissipava em festins e outros folguedos tudo o que tinha ou ganhava” (Leg. 3Comp. 2).
  • “Querendo a admiração de todos, esforçava-se por ser o primeiro nos faustos da vanglória, nos jogos e passatempos, nos ditos jocosos e vãos, nos descantes, nas roupas delicadas e luxuosas” (1Cel 2).
  • Também hoje parece que reine a mesma regra de vida. Muitos jovens vivem em contínuo desfile: na superficialidade e na evasão. Latas vazias que a nada servem se não para serem deitadas fora. Uma vida estúpida, feita só de coisas que a tornam ainda mais vazia.

Mesmo como a de Francisco quando jogava a “ser o primeiro”.

PERGUNTAS:

  • Quais são as qualidades de Francisco que gostavas ter?
  • Quais os aspectos menos brilhantes que o tornavam escravo?
  • E tu? Onde estás? Como te vês?

FRANCISCO

... uma corrida longa 25 anos

  • Discoteca
  • Moda
  • Diversões
  • Evasão.

Tomás de Celano escreverá: “Perdeu e dissipou miseravelmente a vida, da infância até quase aos vinte e cinco anos de idade” (1Cel I,2).

E os pais? Ficavam calados? Pior ainda, deixavam-no fazer. “Seus pais repreendiam-no por esbanjar o dinheiro consigo e com os outros. Quem o visse, julgá-lo-ia filho dum príncipe e não de comerciantes. Mas, como eram ricos e o amavam ternamente, iam suportando tudo, não o querendo desgostar por tais malandrices” (L3Comp I,2).

Pois é: o amor em demasia por vezes estraga a vida dos filhos!

Portanto, Francisco, babado e acarinhado pelos seus, rodeado de muitos amigos, com os bolsos cheios, mergulhava sempre mais numa vida feita só de “emoções”, de experiências mais ou menos positivas e de muitas “diversões” que o levava cada vez para mais longe de si mesmo.... em direcção ao nada.

 

Aos 25 anos Francisco repara que a vida não podia continuar nesta ilusão: era preciso parar e reflectir.

PERGUNTAS:

  • Quantos jovens hoje continuam a “correr” pelo medo de, ao parar, ter que pensar?
  • Quantos escolhem a diversão e o barulho duma discoteca para evitar o silêncio e o estar sós?
  • No topo da juventude Francisco teve a coragem de dizer “basta”. E tu?

 

FRANCISCO
... o filho de um “manager”

 

Seu pai era como um “BENETTON” de hoje: uma cadeia de lojas e um enorme armazém de tecidos – os mais bonitos do tempo – que vinham da França, Veneza e Florença; a marca “BERNARDONE” estava à vista nos mercados de Peruggia, Foligno, Gubbio, Espoleto...

Francisco foi criado nessa realidade, onde dinheiro e negócio eram “tudo”, a coisa mais importante; onde a exterioridade, o efémero, a vaidade e o vestir fino constituíam a razão da vida.

Francisco foi capturado por este mundo de coisas. Disseram dele que “não era pródigo só nas festas e nas diversões, mas também não tinha moderação na maneira de vestir: mandava fazer roupas mais ricas que as que convinham à sua condição social, mas era tão extravagante na vaidade, que chegava a mandar coser, na mesma roupa, pano do mais caro ao lado do outro do mais barato” (3Comp I,2).

Atrair, ser brilhante e original eram os verbos que Francisco mais gostava de conjugar com a vida!

Mudam os tempos, mudam muitas coisas, mas ainda hoje estes verbos continuam ser conjugados pelos demais.

 

FRANCISCO
... não era só um “fracasso”.

 

Francisco era igual aos outros mas também “diferente”. Por exemplo rejeitava uma linguagem trivial: não permitia que se dissessem palavras feias ou asneiras na sua presença. “Entretanto, era delicado de maneiras e de linguagem, tendo resolvido não dizer a ninguém qualquer palavra injuriosa ou grosseira. Mais ainda: jovem, alegre e dissipado como era, decidira, todavia, nada responder àqueles que lhe dirigissem palavras torpes” (3Com I,3).

É bom encontrar isto na vida mundana de Francisco. E os amigos bem o tinham percebido nele, ao ponto de ficarem encantados!

Outro aspecto bonito que Francisco possuía nesta vida superficial e ainda vazia, era o seu amor pelos pobres: “Gostava de ver os pobres e dava-lhes esmolas em abundância” (3Com I,3).

Portanto Francisco não era um “fracasso” e basta; não vivia só na bagunça e na evasão; sabia também remar contra a corrente. Sabia fazer algo de bom e de bonito para os outros; era generoso e altruísta.

 

 

FRANCISCO
provoca...

 

  • Eis o Francisco antes da conversão: fútil, estranho, esbanjador, superficial, escravo da moda e da aparência, mas também bom e generoso para com os pobres e “limpo dentro”. E tu de que lado estás?
  • Os pais de Francisco... são como os teus? Como são? Encontras dificuldade no diálogo? Porquê? O que é que não aceitas deles e eles de ti?
  • Há algo na tua vida que te apaixona neste momento? Qual é o ideal da tua vida? Como o de Francisco antes da conversão: “gozar a vida, passear e gastar dinheiro”? Ou tens algo de diferente?
  • Tens a coragem de ir contra a corrente, alguma vez?

Consegues dizer a certos amigos ou colegas que se portam mal: “chega!”, ou por medo de os perder, ficas calado e consentes? Reparas que muitas vezes não pensas com a tua cabeça, mas és “escravo” dos outros?