Encontro com a Palavra de Deus – XXVI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

XXVI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

1 de Outubro de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Ez 18, 25-28: Quando o pecador se afastar do mal, salvará a sua vida.

Salmo 24: Lembrai-vos, Senhor, da vossa misericórdia.

Filip 2, 1-11: Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus.

Evangelho: Mt 21, 28-32: Arrependeu-se e foi…

 

A PALAVRA É MEDITADA

Quem está disposto a admitir que não é assim tão bom, tão generoso, tão recto, ao ponto de responder imediatamente "sim" aos pedidos de Deus? Todos nós temos a profunda sensação que podemos e queremos fazer o bem. É uma sensação por muitos aspectos justa, mas não nos deveria levar a desvalorizar a nossa fragilidade, a frequente incoerência das nossas acções. Quanto é rico o mundo de proclamas, de ofertas generosas, de declarações de bons entendimentos, que porém não produzem resultados igualmente positivos! Cada um de nós tem uma profunda alergia pelos proclamas eleitorais dos partidos: projectos belíssimos que ouvimos já com os olhos abertos sobre aquela que será depois a concreta realidade cinzenta dos compromissos e dos escassos resultados.  

Deveríamos ter este mesmo realismo, quando avaliamos os nossos sonhos de bondade, de obediência, de rectidão. Se contamos apenas com as nossas forças e as nossas virtudes, bem depressa acabaremos como o primeiro filho da parábola. Convidado pelo Pai para ir trabalhar na vinha respondeu logo com um “sim”, generoso, entusiasta e provavelmente também cheio de muito orgulho; mas não foi.

Historicamente, esta foi a reacção de Israel ao anúncio de Jesus, e antes ao de João Baptista, mas reservá-la apenas a um facto do passado não é correcto. O erro de Israel poderia ser hoje o da Igreja, ou de cada cristão. Como não partilhar a opinião de Jesus que na parábola parece descaradamente preferir o segundo dos dois filhos: que começou com um erro e teve de reentrar miseramente, humildemente através da porta do arrependimento. Teve de se apresentar a Jesus, esmagado no seu amor-próprio, para mendigar o perdão. E precisamente ele que Jesus prefere: aquele que começou por dizer não, mas que, arrependido, foi trabalhar, mesmo furtivamente, na vinha.

Aqueles que passaram pela porta do arrependimento, sabem bem que não podem contar apenas com a sua generosidade e o seu compromisso. Conhecem bem que tudo deriva do olhar de perdão que o Senhor um dia lançou sobre eles. O evangelho está cheio destas figuras: Zaqueu, o publicano; Maria, a pecadora; e aquele maravilhoso desconhecido que veneramos com o nome de bom ladrão. O conteúdo da parábola é a revelação do primado da Graça sobre a ilusão do voluntarismo e dos bonzinhos. A humanidade não é boa sozinha: tem necessidade de Deus, tem necessidade de salvação para se tornar boa, tem necessidade do Espirito Santo. Mas como poderá recebê-lo enquanto não se encontrar na estrada do perdão, enquanto viver na soberba de quem julga poder salvar-se sozinho?

Encontrar a porta do arrependimento não é só encontrar uma estrada que conduz rapidamente ao Reino de Jesus, mas encontrar a única estrada. Não existe outra. Devemos todos passar através da porta do arrependimento, mais cedo ou mais tarde, caso contrário, não haverá lugar para nós no Reino, como para Pedro que teimava em não querer ser lavado por Jesus. Devemos também nós estar atentos a não teimarmos com a nossa generosidade, a não ficarmos prisioneiros das nossas obras, da nossa boa vontade, dos nossos sucessos. Jesus não nos pode abandonar apenas à nossa generosidade. Procura salvar-nos, organizar a nossa vida de modo que nos reste bem pouco de que vangloriar-nos, que tudo pareça para nós estar perdido menos a sua misericórdia. 

Quereríamos salvar pelo menos as aparências, mas um dia, quase sem darmos conta, no momento em que a nossa generosidade habitual, as nossas muitas boas intenções nos tiverem finalmente traído, encontrar-nos-emos de repente a mendigar misericórdia, confundidos com os últimos pecadores. Só então nós saberemos verdadeiramente dar graças. É então que nós conheceremos o amor de Deus e descobriremos plenamente que a salvação é sobretudo e essencialmente um dom.

 

A PALAVRA É REZADA

Jesus, encontro-me envolvido na parábola dos dois filhos.

É a minha história e a de cada homem.  

A vida é um regresso a casa.

Todos os dias me chamas a decidir no coração “a santa viagem”.

Tu me convidas e mandas ao mundo testemunhar o Evangelho.  

Humildemente te peço perdão  

porque muitas vezes disse «sim» com os lábios e «não» com as obras.

Estou demasiado assombrado com o meu “eu”.

Frequentemente diante de ti e dos irmãos

senti-me “justo”, mas não acolhi a tua palavra  

que me estimulava à conversão,  

o teu convite a trabalhar para levar a todos  os dons de santidade e justiça.  

Faz que me revista de ti, ó Jesus, dos teus sentimentos de amor.  

Faz-me estar no último lugar, e, como pobre, invocarei sem descanso  

a graça do teu Espirito de amor.

Ámen.

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)