Vinho novo ou água-pé?

Um Bispo de uma Diocese rica da Europa queixava-se aos seus colegas por causa da crise vocacional com que se devia confrontar: menos padres, menos religiosos, menos cristãos, menos jovens. Também lamentava a diminuição de ofertas dos fiéis e dos apoios por parte das instituições governamentais... Outro Bispo, desta vez, de uma Diocese mais pobre, num País em guerra e onde os cristãos são perseguidos e é muito escasso o número de padres e religiosos, partilhava a sua alegria porque, no meio de tudo isto, «Deus está connosco!».     

Retirei esta história, da homilia pronunciada pelo nosso Cardeal-Patriarca, no passado Domingo, por ocasião da abertura solene do Sínodo Diocesano. Não era uma história inventada, mas uma história real, à qual D. Manuel Clemente presenciou durante o último encontro de Cardeais, em Roma.   

A nossa Diocese (que se honra do título de Patriarcado que lhe foi atribuído há três séculos pelo dinamismo missionário que teve) depois de uma caminhada sinodal (significa juntos) ao longo de dois anos (2014-2016), viveu nestes dias (30 de Novembro - 4 de Dezembro) o momento mais alto do Sínodo: mais de 130 pessoas, "retiradas" ao longo de quatro dias para rezar, reflectir e lançar a desejada «transformação missionária» da nossa Igreja local.            

O que sairá desta assembleia? Mais algumas queixinhas ou desafios concretos? Ensaios ou repetições? Vinho novo ou água-pé? Alegria do Evangelho ou lamentações de sacristia?    

Muito depende da confiança depositada no Espírito Santo que continua a falar às Igrejas e que todos somos chamados a invocar. Também depende do diálogo e conversão de todos nós: leigos, consagrados, padres e bispos da nossa Diocese.           

Com certeza a frescura do pontificado do Papa Francisco, irá inspirar também a nossa Igreja de Lisboa, chamada a ser uma «Igreja mais pobre e com os pobres», uma «Igreja mais fraterna, família de famílias» e uma «Igreja mais missionária».  

Frei Fabrizio
In Conchas, 04 de Dezembro de 2016