Encontro com a Palavra de Deus – XXXIV DOMINGO - Solenidade de Cristo Rei – ANO B

 

                           25 de Novembro de 2018

 

AS LEITURAS DO DIA 

Dan 7, 13-14: O seu poder é eterno.

Salmo 92: O Senhor é Rei, num trono de luz.

Ap 1, 5-8: Fez de nós um reino de sacerdotes para Deus.

Evangelho Jo 18, 33-37: É como dizes: sou Rei.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Com a solenidade de Cristo Rei, conclui-se o ano litúrgico, durante o qual, celebrámos e meditámos os principais mistérios da vida do Redentor. Hoje a Igreja faz-nos considerar, a glória do Filho de Deus, o Senhor Jesus, reconhecido e adorado como soberano de todo o universo. A realeza de Jesus é-nos ilustrada pela narração do evangelista João, com uma passagem do processo a Cristo, denunciado pelos judeus à autoridade romana, com o pretexto de se querer fazer rei: o Rei dos Judeus, como aliás, se encontrará escrito na sua cruz.  

Jesus está diante de Pilatos, diante do qual deve responder àquela acusação, que o via com um revolucionário contra a autoridade de Roma e um agitador do povo.  

"...disse Pilatos a Jesus: «Tu és o rei dos Judeus?»."; inicia assim a passagem do Evangelho de hoje.

O Procurador tinha consciência das expectativas do povo, e da sua esperança num Rei, que não fosse o ocupante estrangeiro, mas um soberano poderoso do povo de Israel, que libertaria o país da opressão romana, e teria inaugurado uma nova era de liberdade e de paz; mas aquele homem que estava ali não tinha nada de ameaçador, parecia ser apenas um dos muitos, que se tinham iludido de deteriorar o poder de Roma, com pequenas revoluções locais, acabadas no nada. É assim, que Pilatos interroga Jesus, perguntando-lhe pelo seu reino.  

Falando de reino, o Procurador não podia não pensar no poder de Roma, um poder politico imperialístico, caracterizado por domínio absoluto que, como todos os outros impérios, ou ditaduras, se baseia na força das armas, no medo, na opressão …

A Pilatos que lhe pergunta: "Tu és o rei dos judeus?", Jesus responde, primeiro, como outra pergunta: "Dizes isto por ti, ou foram outros que to disseram de mim?", depois confirma que é Rei, ainda mais, afirma que é esta a razão do seu estar no mundo: "Eu sou rei. Por isso nasci, e por isso vim ao mundo..."; e depois define os traços da sua realeza.

"O meu reino não é deste mundo", esclarece logo, e conclui:"… o meu reino não é cá de baixo..."; portanto, o reino de Cristo não é um reino como todos os outros, fundado sobre o poder politico, sobre a força, sobre o domínio, e sobre a riqueza; ele não tem origem no tempo, embora estando presente no tempo; mas a sua origem é eterna, porque a sua origem está na própria soberania de Deus que Cristo veio revelar.

É esta a verdade que o Homem Jesus de Nazaré veio trazer, e testemunhar: "Para isso nasci: para dar testemunho da verdade."; uma verdade que se incarna na sua pessoa; uma verdade que se revelará no dom de si sobre a Cruz, para redenção de todos.  

Jesus de nazaré, é Rei desde sempre; é rei dos homens e do universo, porque como escreve João: "tudo foi feito por meio dele, e sem Ele, nada foi feito daquilo eu foi criado..."(Jo 1,1-14)

Jesus de Nazaré, o homem que os Judeus entregaram à autoridade romana, para que fosse condenado, é o Verbo de Deus; é o Messias prometido e esperado há gerações, do qual o profeta Daniel diz:"... todos os povos, nações e línguas o servirão; o seu poder é eterno, e o seu reino nunca será destruído".

Reinar, na lógica do Reino de Deus, é servir; uma coisa não fácil, porque o verdadeiro espirito de serviço, é uma conquista interior, que se cumpre segundo o modelo de Cristo.

Reinar, à maneira de Cristo, não é um jogo de superpotências, não conhece o domínio sobre os outros, mas é, ao contrário, despojamento de si, para se gastar em favor dos outros.

E, se os vários "Pilatos" ainda presentes no nosso tempo, não conseguem compreender a grandeza deste Reino, como não o compreendeu o Procurador romano, ao qual interessava apenas defender os seus interesses políticos, nós, que encontrámos Cristo, somos chamados a tomar partido com Ele sempre, para testemunhar o seu Reino de amor, e em seu nome, lutar contra o mal e a injustiça.

 

 

A PALAVRA É REZADA

Pilatos, o procurador romano,

é um homem com os pés assentes no chão,

habituado a medir as pessoas com base no poder que detêm,

na capacidade de se imporem pela força,

de dominarem e submeterem os outros.

Diante dele acusaram-te de seres um rebelde ao jogo de Roma,

alguém que pretende ser rei

e por isso quer enfraquecer o imperador.

Eis porque te pergunta se as acusações correspondem à verdade.

Mas tu, Jesus, arrasa-lo logo:

não negas ser rei, mas lembras-lhe que o teu reino  

não é deste mundo e portanto, não tens soldados, prontos a defender-te.

É verdade: estás completamente desarmado,

e no entanto, ninguém pode resistir à força do teu amor.

É verdade: aparentemente és esmagado, nas mãos do poder de Pilatos,

mas no fundo és tu o Senhor porque és tu que conduzes a história

com a mansidão e a misericórdia a que ninguém pode resistir.

Não passará muito tempo, apenas algum século,

e o poder de Roma cairá,

enquanto tu, o Galileu condenado à morte de cruz,

continuas a ser fonte de esperança.

Ámen.                                   

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)