Encontro com a Palavra de Deus – I DOMINGO DE PÁSCOA – ANO B

DOMINGO DE PÁSCOA

    

1 de Abril de 2018

 

 

AS LEITURAS DO DIA 

Act 10, 34, 37-43: Jesus de Nazaré é o juiz dos vivos e dos mortos.

Salmo 117: Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Col 3, 1-4: Feito criatura nova pela ressurreição de Cristo.

Evangelho: Jo 20, 1-9: Levaram o Senhor do sepulcro…

 

A PALAVRA É MEDITADA

Hoje escutamos uma notícia que todos conhecemos há muito tempo, pelo facto de a termos ouvido repetir tantas vezes: o risco é de não conseguirmos perceber a força de uma mensagem que uma vez mais rasgou as trevas da noite que passou; o risco para quem ouve é de não chegar a comunicar a outros a alta tensão do anúncio mais brilhante de toda a história: Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou!

Deveria ser este o anúncio que todo o cristão deve espalhar. Este anúncio está no coração da mensagem evangélica. Afirma-o com força S. Paulo: "Se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, é vã também a vossa fé".

A ressurreição de Cristo é a inauguração de uma ordem nova e universal; uma energia nova é infusa na criação. Desde a manhã de Páscoa uma nova Primavera de esperança invade o mundo; desde aquele dia a nossa ressurreição já começou, porque a Páscoa não marca simplesmente um momento da história, mas o começo de uma nova criação: Jesus ressuscitou não para que a sua memória fique viva no coração dos seus discípulos, mas sim para que Ele mesmo viva em nós e nele possamos já saborear a alegria da vida eterna.

"A ressurreição do Senhor é a nossa esperança" dizia Agostinho. A morte não tem a última palavra, porque a triunfar no final é a vida. É preciso estar atentos para que esta nossa certeza não se baseie sobre simples raciocínios humanos, mas baseiam-se sobre um histórico dado de fé: Jesus Cristo, crucificado e sepultado, ressuscitou com o seu corpo glorioso. A sua ressurreição diz respeito também a nós porque acreditando nele, podemos ter a vida eterna.

A ressurreição, portanto, não é uma teoria, não é um mito nem um sonho, mão é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível.

A ressurreição dá aos crentes três realidades:

A esperança

Uma esperança que vai além da realidade da morte porque Deus não é dos mortos, mas dos vivos. Esta esperança é já nesta terra. Uma esperança que impede o cristão de afirmar a impossibilidade de mudar as coisas. Tudo parece impossível aos homens de hoje … e afinal o cristão sabe que a ressurreição rompe todos os esquemas e convida o homem a levantar os olhos.

A coragem da fé

Corremos o risco de perder a coragem, de nos deixarmos tomar pelo medo, de ceder à tentação de ficarmos na montanha, na concha das nossas igrejas ou das nossas famílias. É o tempo de reencontrar dentro de nós a coragem da fé, de dizer ainda: "Jesus tem razão, nós acreditamos, acreditamos a sério na honestidade, no bem, na justiça, na verdade!" Ter fé não significa apenas, ir à Igreja, antar lindos cânticos, ouvir lindas palavras, experimentar bons sentimentos. Ter fé significa tornar ao lugar onde trabalhamos, ao meio das pessoas, e continuar a acreditar nas coisas em que acreditou jesus, nas coisas que Jesus amou, nas cosias pelas quais viveu.

Tudo sito tendo o olhar relativamente àqueles cristãos que em diversas partes do mundo vivem com dificuldade em professar a fé em Cristo com o risco da vida. É mesmo verdade aquilo que diz o Papa Francisco: "Existem mais mártires hoje que nos tempos das primeiras comunidades".

A alegria

A alegria é o teste decisivo que permite definir o estado da fé de todo o crente. Penso naquilo que dizia Papa Francisco numa homilia em Santa Marta comentando a fé dos doutores da lei.

Os doutores da lei, no tempo de Jesus tinham um sistema de doutrinas precisas e que aperfeiçoavam todos os dias mais para que ninguém as tocasse. Homens sem fé, sem lei, agarrados a doutrinas que também se tornam uma atitude casuística: pode-se para a taxa a César, não se pode? Esta mulher, que foi casada sete vezes, quando for par ao céu será esposa daqueles sete? Este era o seu mundo, um mundo abstrato, um mundo sem amor, um mundo sem fé, um mundo sem esperança, um mundo sem confiança, um mundo sem Deus. E por isso não se podiam alegrar. Esta é a vida sem fé em Deus, sem confiança em Deus, sem esperança em Deus. É triste ser crente sem alegria e a alegria não existe quando não há fé, quando não há esperança, quando não existe a lei, mas apenas as prescrições, a doutrina fria. A alegria da fé, a alegria do Evangelho é a pedra de comparação da fé de uma pessoa. Sem alegria aquela pessoa não é um verdadeiro crente.

Esta alegria das primeiras comunidades cristãs foi contagiosa. Os Actos dos Apóstolos e os primeiros documentos patrísticos falam-nos destas conversões que nasciam precisamente daquela alegria que os cristãos respiravam.

A Páscoa é o tempo útil para pedir ao senhor a graça de ser exultantes na esperança, a graça de poder ver o dia de Jesus quando nos encontrarmos com Ele e a graça da alegria.

 

A PALAVRA É REZADA

Há um sepulcro vazio, o teu sepulcro, Jesus, 

e Maria dá voz à primeira suspeita:

levaram o corpo do Senhor, 

privaram-na da possibilidade de chorar sobre ele 

e de gritar a sua dor.

Há um sepulcro vazio, o teu sepulcro, Jesus, 

e Pedro e João vão constatar o anúncio recebido.

Vão à pressa, correm, como sempre 

que é oferecido um sinal da parte de Deus...

Como Maria que alcançou apressadamente a casa de Zacarias...

Como os pastores que, na noite, 

Decidiram ir imediatamente ver aquele menino

que veio para se tornar a alegria de toda a humanidade.

Há um sepulcro vazio, o teu sepulcro, Jesus, 

e quem recebeu o dom da fé 

como o “outro discípulo”, João, começa a acreditar, 

abre-se à realidade ainda misteriosa, inexplicável, 

mas extraordinariamente bela.

Sim, tu estás vivo; a morte não te pôde parar!

Sim, tu estás vivo; no coração de quem se confia a ti

Acendes uma esperança que não desfalece!

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)