Encontro com a Palavra de Deus – VI Domingo do Tempo Comum - ANO A

VI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

                           16 Fevereiro 2020

 

AS LEITURAS DO DIA 

Sir 15, 16-21: Não mandou ninguém fazer o mal.

Salmo 118: Ditoso o que anda na lei do Senhor.

1Cor 2, 6-10: Deus predestinou a sabedoria para nossa glória.

Evangelho Mt 5, 17-37: Foi dito aos antigos…. Eu, porém, digo-vos.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Digamos a verdade. É difícil viver juntos sem nunca ter de desfalecer e depois, menos no amor. De qualquer modo, por razões às vezes pequenas, somos sujeitos a contínuas tentações de 'cortar com o vizinho'. Assim como às vezes para escapar às 'noias' que a caridade sempre pede e que são a prova da nossa capacidade de nos darmos a qualquer custo, preferimos fechar-nos em nós mesmos ou na tranquilidade das paredes de nossa casa, tapando os ouvidos para não ouvir os gritos de quem faz ouvir a sua dor.  

Tudo isto não é digno do homem que quer viver a sua vida dignamente e segundo a verdade, ou seja, dar significado à estupenda palavra 'pessoa', que significa "sou para": contrária ao individuo que por si diz dobramento 'em si'. E quanto faça mal ser postos 'fora' do coração dos outros, experimentamo-lo todos e todos os dias.

Sempre que nos encontramos com pessoas que têm uma atitude de indiferença para connosco, como s enão existíssemos, ou fossemos um número do grande rebanho da humanidade sem nome, ou ainda pior quando propositadamente somos rejeitados por algum erro cometido nos sentimos verdadeiramente mal, como se faltasse o respiro da vida.   Por isso Jesus pôs como único mandamento par ao homem "o amor": um amor que nunca desfalece: é justo, ou seja fiel, mesmo se nos custa não só reatar o diálogo com quem nos tirou a palavra, não só perdoar quando somos ofendidos ou pedir perdão, mas até mesmo dar  a vida. É o único modo para que nos possamos chamar uma comunidade, seja essa a família ou a sociedade. Assim diz Jesus: "Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás": quem tiver morto será submetido a julgamento.

Mas eu digo-vos: todo quele que se irrita com o próprio irmão, será submetido a julgamento: quem chamar o irmão estupido, será sujeito ao sinédrio; louco, será sujeito ao fogo da Geena. Se, portanto, apresentas ao altar a tua oferta e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa li a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para oferecer o teu dom.

Ouvistes que foi dito: Não cometerás adultério: ma eu digo-vos: todo aquele que olhar para uma mulher para a desejar, já cometeu "adultério". Palavras mais que duras, em linha com o mandamento do amor que rejeita não só todo o acto contrário, mas toda a possível incerteza ou ambiguidade.  

O amor em Deus e por todo o homem o cristão verdadeiro abraça Deus e o próximo e todo o campo, a 360 graus diríamos nós. Não deixa nenhum aspecto da vida e elimina todo o acto contrário ou mesmo de indiferença. Jesus, no discurso da montanha, que é a "magna carta" de Deus para quem quer ser com Ele uma família, usa a linguagem da clareza, tão difícil para cada um de nós.

As grandes dimensões da caridade são chamadas a fazer-se próximas das exterminadas massas dos pobres. E felizmente compara este amor ao pai e aos irmãos ao "grande banquete do Céu, preparado para todos nós para a eternidade". Há no evangelho a parábola do convite que Jesus faz para o banquete preparado para as grandes núpcias eternas.

Dá vontade de pensar, olhando para a carência de amor, quantos hoje de nós, convidados para o banquete de Deus, se sentiriam postos fora porque privados da "veste nupcial"? Convém procura-la com contínuos actos de bondade que são o tecido da caridade.

 

 

A PALAVRA É REZADA

 

Jesus tu tens a coragem

de pôr em discussão a ti mesmo, a tua autoridade,

quando ensinas às multidões as estradas de Deus.

Por isso não te limitas a recordar os ensinamentos da lei antiga,

mas mostras um modo novo de julgar, de decidir, de se comportar,

inspirado pelo mandamento do amor.

A lei antiga dizia: não matarás.

Mas existem muitos modos de atingir alguém:

com o desprezo, com as ofensas, com a marginalização.

A lei punha de sobreaviso contra o adultério,

contra a traição, contra a infidelidade.

Mas existem muitos modos de atentar

contra a santidade e a grandeza do matrimónio

através da sedução, um olhar maldoso,

o desejo de possuir, de induzir ao pecado

ou fazendo discursos ligeiros, sem pudor.

A lei pedia para respeitar os juramentos,

Mas existe um modo de falar e de agir,

que não os torna sequer necessários.

Com efeito, Jesus, quando se pratica a verdade,

preservamo-nos de qualquer mentira,

quando se procura sinceramente a justiça,

e se constroem as próprias decisões

com o rigor, a honestidade, a rectidão moral,

as palavras têm um peso específico muito alto.

Obrigado, Jesus, porque não te ficas pela lei,

mas me ensinas a r mais além,

a lutar contra o mal que está em mim,

a seguir uma consciência atenta e vigilante,

a manter-me longe daquilo que mortifica a minha dignidade.

Ámen                                

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)