Encontro com a Palavra de Deus – Baptismo do Senhor - ANO C

FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR – ANO A

    

                           12 Janeiro 2020

 

AS LEITURAS DO DIA 

Is 42, 1-4.6-7: Eis o meu servo, enlevo da minha alma.

Salmo 28: O Senhor abençoará o seu povo na paz.

Actos 10, 34-38: Deus ungiu-o com o Espírito Santo.

Evangelho Mt 3, 13-17: Jesus viu o Espírito de Deus descer sobre Ele.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Narrando o batismo de Jesus, o evangelista fala dos céus que se abrem e do Espírito que desce, dois traços que nos lembram Isaías 63,19: «Se tu abrisses os céus e descesses! Diante de ti os montes tremeriam». Com estas palavras o profeta pede a Deus para voltar a abrir o céu e descer no meio do povo, de modo a reconduzi-lo à liberdade.

No batismo o céu voltou a abrir-se. Submetendo-se ao batismo jesus revela os dois rostos do seu mistério. Ele apresenta-se entre os pecadores e como eles recebe o batismo em sinal de penitência. E ao mesmo tempo Ele é declarado Filho de Deus. Nesta solidariedade de Jesus com a sorte dos pecadores pode ver-se já a semente da Cruz, que o levará a tomar sobre si os pecados do mundo.  

A cena do batismo é também descrita como uma revelação de Jesus, sobre a sua pessoa e a sua missão, que aqui se inaugura. Esta revelação está sobretudo contida nas palavras da voz celeste que se referem a Isaías 42,1-2 (primeira leitura) e ao Salmo 2.

Jesus é declarado Filho enquanto lhe é confiada uma missão a cumprir. A filiação divina manifesta-se na obediência. Naturalmente podemos entrever no batismo de Jesus a figura do batismo cristão. Também no batismo cristão somos proclamados filhos de Deus, cheios do Espírito Santo e recebe-se uma missão a cumprir.  

Pode surpreender o breve diálogo entre João Baptista e Jesus. Diz João: «Eu é que preciso de ser batizado por ti e tu vens a mim?». Mas Jesus responde: «Deixa fazer por agora, porque assim convém que cumpramos toda a justiça». Neste breve diálogo esconde-se um significado profundo. O evangelista põe em confronto duas concepções messiânicas, a do Baptista que pensava no Messias sobretudo como um juiz severo, que teria separado os justos dos pecadores; e a de Jesus que sublinha o aspecto da misericórdia. Jesus vem fazer-se batizar juntamente com os pecadores, como se fosse um pecador. O Baptista fica primeiro desconcertado diante desta inesperada figura, mas depois cede à vontade de Deus, como deveria fazer todo o judaísmo, e como deve fazer todo o homem: abandonarem a própria maneira de ver as coisas para aceitar a de Deus.  

Não se descuide o facto que as palavras de Jesus ditas aqui são as suas primeiras em todo o Evangelho: «É bom que se cumpra toda a justiça». Estas primeiras palavras definem a sua atitude profunda: Ele veio para cumprir o plano de Deus e não se deixa de modo nenhum separar dele.

 

A PALAVRA É REZADA

 

Senhor, diante de ti nós recordamos a nossa comunidade; torna-a a tenta a procurar novas estradas para fazer chegar a todos a beleza da tua aliança, a força do Evangelho que transforma a vida e a enche se sentido.

Senhor, diante de ti nós recordamos os jovens: aqueles que conhecemos e quantos há tempo se afastaram da comunidade, mas talvez não de ti. Tu certamente estás próximo deles, mesmo se não sabem como procurar-te, e talvez não o queiram porque nós os desorientámos com as nossas infidelidades.

Senhor, diante de ti recordamos quem está decidindo a sua vida, e deseja seguir-te mais de perto. Torna-os ricos da tua sabedoria para que caminhem pelas estradas que tu percorreste e indicaste.

Senhor, diante de ti recordamos todos os esposos: com o seu amor e o dom de si, na família e na comunidade, sejam autênticas testemunhas da graça que os consagrou e continuamente transforma a vida. Ajuda também os namorados a viver na liberdade e verdade o tempo de graça. Ajuda-os a não apressar escolhas e gestos que não os ajudem a amadurecer nos eu amor.

Ámen                                

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)