Encontro com a Palavra de Deus – I DOMINGO DA QUARESMA

I DOMINGO DA QUARESMA          

5 de Março de 2017

 ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

Gén 2, 7-9; 3, 1-7: A criação e o pecado dos nossos primeiros pais.

Salmo 50: Pecámos, Senhor, tende compaixão de nós.

Rom 5, 12-19: Onde abundou o pecado, superabundou a graça.

Evangelho Mt 4, 1-11: Jesus jejua durante quarenta dias e é tentado.

 

A PALAVRA É MEDITADA

A Quaresma que estamos a iniciar, é um caminho com Cristo para acolher e experimentar a graça da salvação que nos mereceu com a sua vida, morte e ressurreição. 

O evangelho relata-nos as três tenções que Jesus enfrentou da parte do maligno, durante os quarenta dias de oração no deserto. Jesus é um exemplo na luta contra o maligno.

Também  anossa vida está cheia de tentações que pretendem afastar-nos de Deus, para nos convencerem a tomar uma direcção errada. As tentações exprimem a situação do homem: todo o homem vive a fragilidade, a fraqueza, a tentação; todo o homem deve lutar contra o mal; todo o homem com Cristo pode vencer o mal que está nele e à sua volta. Cristo ajuda-nos sempre a tomar a direcção certa.  

O cristão é aqueel que luta contra o mal e o pecado, e unido a Cristo, obtém a vitória. Esta é  agraça do nosso batismo. Hoje o acento é posto sobre a sua luta, a Páscoa será o lugar da vitória de Cristo e dos redimidos. Tal como S. Paulo, que tinha sido um grande pecador, mas que agora pode testemunhar que  agraça vence, porque  a graça é maior que todo o pecado.

A narração do pecado de Adão e Eva, pretende recordar-nos que todos nascemos e vivemos na fragilidade, no pecado, no mal. Mas a Biblia é sempre "boa noticia, anúncio de salvação". Cristo é o nosso Salvador; pela sua graça podemos ter o perdão, a paz, a vida nova que nos mostram todo o amor de Deus.  

Cristo Jesus fez-se solidário com os homens, em tudo semlehante a nós, mesmo na experiência mais terrivel da tentação e da prova, "excepto no pecado", isto é, enfrentou o maligno e venceu-o. "Ele sabe lamentar as nossas enfermidades, sendo Ele mesmo provado em tudo – assim diz a carta aos Hebreus – aproximemo-nos, então, com plena confiança do trono d agraça, para receber misericórdia e sermos ajudados no momento oportuno".

Ond eé que acontecem as tentações de Cristo? No deserto durante a sua procura de oração. O deserto na Biblia é o lugar do encontro com Deus, mas é também o lugar da prova; assim tinha sido para todo o povo no seu caminho do Egipto para  a terra prometida. Diz a Biblia: "Filho, se te apresentas a servir o Senhor, prepara-te para a tentação", quer dizer, para a prova. Mas diz-nos, através de S. Paulo: "Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas com a tentação dará também o caminho de saída".

As três tentações não são três provas quaisquer, mas são representativas de todas as tentações ou provas a que Jesus se submeteu na sua vida e especialmente daquelas que o atingiram sobre a cruz. São também o modelo de todas as tentações às quais está sujeito o crente.  

A 1ª tentação diz respeito ao pão, ou seja, aos problemas da subsistência quotidiana: o alimento, os afectos, o trabalho. Jesus é tentado a viver a filiação de Deus de moso egoista, suando-a como poder que resolve milagrosamente os problemas quotidianos. É a tentação de fazer a menos de Deus, como foi para Adão. Mas jesus vive uma existência em que não existe outro alimento que fazer a vontade do Pai.  

A 2ª tentação é na cidade Santa e o diabo serve-se de uma palavra de Deus, interpretada à sua maneira. Propõe-se uma manifestação espectacular que leve Deus a curvar-se diante dos desejos do homem, em vez de fazer tmar o caminho d averdadeira fé, a que se confia ao Deus fiel, permencendo firmes na prova.  

A 3ª tentação diz respeito à sede de poder. A resposta de Jesus é o seu estilo de vida em que verdadeiramente serve apenas a Deus. Ele que declarará que não veio para ser servido, mas para servir e dar  a vida.  

O evangelho mostra as tentações mais radicais do homem, e sobretudo a de não querer ser filho de Deus no modo como o é Jesus. Querer viver sem Deus, negando-o e deformando o seu rosto, desfazer a relação amorosa com Ele, não se confiar à sua paterndiade, arrogando-se os seus direitos e projectos.  

É interessante notar também como são expressas as tentações da parte do maligno: não de maneira traiçoeira, mas de maneira persuasiva. O  maligno conhece bem a Cristo  "se tu és o Filho de Deus", conhece bem a Biblia e instrumentaliza-a para as suas tentações. Os meios do maligno são: o uso distorcido da Palavra de Deus, a dúvida que afasta da confiança Nele, o orgulho e a sede de poder, os momentos de fraqueza (o jejum) em que se torna mais fácil a procura de si, a ânsia pela própria vida (primeira tentação), pelo próprio futuro (segunda), pela própria afirmação pessoal (terceira).

Mas sobretudo podemos notar como Cristo realiza a sua vitória com a Palavra de Deus, com a sua confiança e fidelidade ao Pai, escolhendo a estrada não da honra e do poder, mas a  do serviço e da cruz.  

A Igreja neste tempo grita as palavras de Jesus "Convertei-vos e areditai no evangelho" e indica-nos os compromissos importantes da Quaresma: a oração e a penitência, a Palavra de Deus e a caridade, a mortificação e o amor aos pobres. Este é o "jejum" que nos ajuda a fazer uma experiência forte do senhor e que nos abre ao amor concreto que sabe ajudar o próximo.

 

A PALAVRA É REZADA

Eis-me, Senhor!

Tenho uma vontade repentina e forte de caminhar contigo,

sem te perguntar sequer para onde vais.

Senti que me chamavas a caminhar contigo 

para atravessarmos juntos o deserto, à procura de um prado florido. 

Eis-me, Senhor; estou na linha de partida. 

Antes de partir, ajoelho-me no chão, baixando a cabeça, 

para deixar cair as cinzas daquilo que a tua misericórdia queimou.

Em cinzas são reduzidos os meus desejos de bem-estar e de comodidade, 

os impulsos pecaminosos e a vontade vazia de sentido. 

Em cinzas reduzo o meu passado, porque não tem mais sentido nem valor 

e eu não quero recordá-lo e espero que também Tu, na tua misericórdia,

faças o mesmo. 

«Não me afastes da tua presença 

e não me prives da tua ajuda»!

Ámen.

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)