Encontro com a Palavra de Deus – Solenidade de todos os Santos - ANO A

SOLENIDADE D ETODOS OS SANTOS

    

                           1 outubro 2020

 

AS LEITURAS DO DIA 

Ap 7,2-4.9-14: Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar…

Salmo 23: Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

1Jo 3, 1-3: Veremos a Deus tal como Ele é.

Evangelho Mt 5, 1-12: Alegrai-vos e exultai, porque é grande no céu a vossa recompensa.

 

 

A PALAVRA É MEDITADA

"O homem – diz Dostoevskyij – tem uma absoluta necessidade de adorar; ajoelha-se, portanto, ou diante de Deus ou diante de um ídolo: não podeis servir contemporaneamente a Deus e ao dinheiro (as riquezas)".

O próprio Jesus, como diz S. Paulo, "de rico que era se fez pobre, para que nos tornássemos ricos da sua pobreza" (2 Cor. 8,9). Também aqui nos embatemos na enorme novidade do Evangelho: a raiz da "feliz notícia" (que é o anúncio da salvação) está aqui: não só "Deus escuta o grito do pobre" e "defende a causa dos míseros” mas Ele mesmo em Jesus, se fez pobre. "Despojou-se a si próprio" (cfr Fil 2,7) até à pobreza extrema da cruz, mas por toda a vida foi pobre de dinheiro, de coisas, de apoios.

Proclamou "Bem-aventurados os pobres porque deles é o Reino dos céus" porque Ele, que é o reinar superabundante de Deus entre os homens, tinha vivido em primeiro esta bem-aventurança. O Reino de Deus! Não é semelhante a um tesouro, como disse Jesus, de tal maneira preciosos que, se o encontras, vendes tudo para ter o tesouro? Eis então o ponto firme: não me torno pobre para encontrar o Reino, mas antes de mais porque o encontrei. Depois procurá-lo-ei ulteriormente. Mas, entretanto, se estou assim persuadido que a verdadeira riqueza é o reinar de Deus e do seu amor na minha vida, eu liberto-me de boa vontade das outras riquezas porque me atrapalham, e com o tempo me sufocam e apagam.

Esta editação adquire o sentido de uma lufada de luz sobre a nossa sociedade onde tudo, da economia à política, à produção editorial e dos espetáculos e de tudo o resto, os produtos farmacêuticos (e a saúde!), tudo é em função do dinheiro. Neste grande "hipermercado", ir em profundidade na bem-aventurança dos pobres em espírito, quer dizer redescobrir substancialmente a urgência de gerir de modo novo e livre (quero dizer autenticamente cristão) todo o tipo de riqueza. O dinheiro, mas também toda a propriedade, inclusive a inteligência, as próprias qualidades psicofísicas, a cultura, o próprio tempo. Tudo me foi dado para usar, não como propriedade.

O apego ganancioso é sinal de erro existencial, mas é também fonte de fechamento ao amor, de inquietação, medo, depressão, por vezes verdadeira fonte de loucura. R. Hobbs, um economista inglês, escreveu: "O dinheiro é qualquer coisa que suja.  O único modo para me deixar manchar é considera-lo um meio que Deus me deu, não para a minha segurança exclusiva, mas para fazer bem aos outros. Sou apenas um administrador e no final da vida serei julgado sobre a minha administração, não sobre a minha riqueza. Ai de mim se uso o dinheiro para corromper um juiz ou qualquer outro! Posso só usá-lo para a única coisa riqueza que conta: o amor". (R. Cantalamessa, Povertà, Ancora 1996, p. 88-89)

 

A PALAVRA É REZADA

 

Senhor, faz-nos compreender,

como sendo a maior loucura rejeitar o teu amor;

que afastar-se de ti é sair da luz

e entrar no escuro de uma noite funda;

que não fazer próprio o projeto das bem-aventuranças evangélicas

é cair nos braços da infelicidade permanente.

O pecado está dentro de nós e é contra nós:

sofremos e carregamos amargas consequências.

Tínhamos acreditado que o teu fosse um projeto louco

e recusámo-lo, julgando melhor aquele que nos oferecia

a sofisticada cultura do mundo.

Fugimos para longe de ti, pensando que seriamos mais livres,

e afinal tornámo-nos escravos de tudo,

Sofrendo e fazendo sofrer.

apesar de tudo, tu esperas-nos  

para mergulharmos de novo no teu amor.  

Estar contigo significa alegrar-se, esperar, amar, cantar,  

viver e sorrir a cada manhã que chega

e a cada pessoa que encontramos.

Dá-nos a força, Senhor, para te pedir perdão

para nos sentirmos procurados por ti,

possuídos pela bem-aventurança dos teus santos,

Que nesta terra deixaram marcas de pobreza e de paz,  

de mansidão e de misericórdia, de pureza e de justiça.

Temos nostalgia de nos sentirmos vestidos

para sempre da tua beleza.

 

Ámen

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)