Encontro com a Palavra de Deus – VI Domingo do Tempo Comum - ANO B

VI DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

 

14 fevereiro 2021

 

AS LEITURAS DO DIA 

Lev 13, 1-2.44-46: O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento.

Salmo, 31: Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação.

1Cor 10, 31-11,1: Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.

Evangelho Mc 1, 40-45: A lepra deixou-o e ele ficou limpo.

 

 

A PALAVRA É MEDITADA

Um leproso. O mais doente dos doentes. A sua doença não só física. É um que está, mas não existe. A lei ordena «Estará só, longe, fora do acampamento» (Lv 13,46). E Jesus, em vez de o deixar só e distante, supera as regras, abate as barreiras, acolhe-o e toca-o. Toca o intocável. Ama o que não é amável. Nenhum sacerdote o teria feito, não só por medo, mas porque a lei o proibia: aquele homem era um castigado por Deus, um rejeitado, um desperdício do céu. O leproso não tem nome nem rosto, porque é cada homem. Em nome de todas as criaturas diz uma frase belíssima: «Se quiseres, podes curar-me». Com toda a discrição de que é capaz: «Se quiseres». O seu futuro está preso a um «se».

E sinto Jesus feliz por este pedido grande e submisso, que o obriga a revelar-se: «Se quiseres». Em nosso nome o leproso pergunta: o que quer verdadeiramente Deus desta carne chagada, destas lágrimas? O que é a vontade de Deus? Sacrifícios, sofrimentos e paciência, como dizem os sacerdotes? Ou um filho curado? E Jesus é obrigado a revelar Deus. É obrigado a dizer uma palavra última e imensa sobre o coração de Deus: «Eu quero: fica curado!». Vamos repeti-lo, com emoção, com paz, com força. Eu quero. Eternamente Deus quer filhos curados. A mim diz: «Eu quero: fica curado!». A Lázaro grita: «Eu quero: vem para fora!». À filha de Jairo sussurra: «Talità kum. Eu quero: levanta-te!». É a boa nova: em vez de um Deus que condena, o Deus que faz graça, que cura a vida. Eu estou certo da vontade de Deus. Mostra-o Jesus, a cada página. Deus é cura! Não conheço os modos. Sei que não será multiplicando os milagres. Não conheço os tempos, mas sei que luta comigo contra todo o meu mal, renovando gota a gota a vida, estrela a estrela a noite. O leproso curado desobedecendo a Jesus põe-se a proclamar e a divulgar o facto. Recebeu e agora torna-se dador: dá através de gestos e palavras a sua experiência feliz de Deus. O imundo, o castigado, torna-se fonte de admiração e de Evangelho.

Aquilo que é escrito aqui não é uma fábula, funciona de verdade, funciona assim. Pessoas cheias de Jesus hoje conseguem fazer as mesmas coisas de Jesus. Cheios de Jesus fazem milagres. Foram ter com os leprosos do nosso tempo: sem abrigo, drogados, tocaram-nos, um gesto de afeto, um sorriso, e muitos destes, e são milhares e milhares, estão literalmente curados do seu mal, e tornaram-se por sua vez curadores.

Levar o Evangelho a sério tem dentro uma força que muda o mundo. E todos aqueles que levaram a sério, e tocaram os leprosos do seu tempo, todos testemunham, desde São Francisco para diante, que fazer isto dá uma grande felicidade.

 

A PALAVRA É REZADA

Virgem Maria,

fica à cabeceira de todos os doentes do mundo:

daqueles que, neste momento,

perderam consciência e estão para morrer;

daqueles que estão para iniciar a sua agonia;

daqueles que abandonaram

toda a esperança de cura;

daqueles que gritam e choram de dor;

daqueles que não conseguem curar-se

por falta de dinheiro;

daqueles que queriam andar

e que devem permanecer imobilizados;

daqueles que deveriam fiar na cama

e que a miséria obriga a trabalhar;

daqueles que procuram em vão, no leito,

uma posição menos dolorosa;

daqueles que passam longas noites sem poder dormir;

daqueles que são atormentados

pela preocupação de uma família na indigência;

daqueles que devem renunciar

aos seus projetos para o futuro;

daqueles, sobretudo, que não creem numa vida melhor;

daqueles que se revoltam e amaldiçoam Deus;

daqueles que não sabem que Cristo sofreu como eles.

Sê para estes nossos irmãos doentes,

Mãe de conforto e consolação.

 

Ámen!

 

 

(In Qumran2.net, e LaChiesa.it: tradução livre de fr. José Augusto)