Encontro com a Palavra de Deus – II Domingo do Advento - Solenidade da Imaculada Conceição - ANO A

II DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

Solenidade da Imaculada Conceição

    

                           8 de Dezembro de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

 

Gen 3, 9-15: Adão onde estás?

Salmo 97: Cantai ao Senhor um cântico novo…

Ef 1, 3-6.11-12: Deus escolheu-nos em Cristo, antes da criação do mundo.

Evangelho Lc 1, 26-38: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Que significado tem no tempo litúrgico de Advento a solenidade da Imaculada Conceição?
Nas quatro semanas em que invocamos e nos preparamos para a vinda do Senhor Jesus, recordamos que Deus, em vista da salvação de toda a humanidade, interveio várias vezes no suceder-se dos acontecimentos, revelando assim o infinito amor que tem por todos nós seus filhos.

Desde as origens da humanidade Deus se mostrou, mesmo diante do pecado dos homens, como amor e misericórdia. O homem é pecador, tentado pelo mal e de facto pratica o mal. O mal como o bem estão presentes no mundo, porém, nunca o pecado tem a última palavra, a qual pertence a Deus e é palavra de perdão e de salvação.

Por graça de Deus, portanto, haverá uma vitória definitiva do bem sobre o mal, da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio!

A solenidade de hoje, portanto, é uma antecipação de todos os dons de salvação, de graça, de santidade que o Messias está para derramar sobre a terra. Maria encerra em si todas as esperanças, e as orações do povo de Israel e é imagem da Igreja, chamada a libertar-se de toda a culpa e ruga para se apresentar esposa virgem e incontaminada e, ao mesmo tempo, mãe fecunda e feliz de tantos filhos. Por isso o Papa Pio IX, em 1854, na Patriarcal Basílica de São Pedro no Vaticano, declarou solenemente verdade de fé a Conceição Imaculada de Maria: era o dia 8 de Dezembro!

Quatro ano depois, 11 Fevereiro 1858, uma jovem dos Pirenéus, Bernardette Soubirous, analfabeta sem instrução religiosa, diz ter visto, na gruta de Massabielle, uma branca Senhor que a 25 Março revela o seu nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

É licito perguntarmo-nos: a Conceição Imaculada que é que produziu na vida concreta de Maria? Isto é: Maria, pelo facto de ser Imaculada, teve uma vida mais fácil ou uma fé menos fatigada? Absolutamente não! Maria lutou todos os dias, percorreu toda a estrada da fé! Fez-se discípula fiel e dócil fazendo sempre a vontade do Omnipotente pondo em prática a Palavra de Deus.

A antiga promessa, narrada no Génesis, começa a realizar-se. Aquilo que acontece na pequena e pobre casa de Nazaré parte de muito longe. A primeira leitura narra o diálogo entre Deus e o primeiro casal depois do pecado, a punição e ao mesmo tempo a promessa de uma salvação futura. Nesta promessa entreve-se o mistério de Cristo e da Virgem. É por causa de Eva que o mal entrou no mundo e é graças a Maria, nova Eva, que nascerá aquele que o vencerá. Maria, portanto, é sinal eloquente que a derrota do antigo sedutor já começou.

Também S. Paulo, na carta que escreve aos Efésios, que é um hino de bênção, acena ao pecado só para dizer que foi perdoado, enquanto mostra em todo o seu esplendor a obra realizada por Deus, para tornar os seus filhos imaculados, santos e herdeiros da vida eterna. Deus predestinou Maria para ser Mãe de seu Filho, o Salvador. Ela, portanto, é o vértice desta obra divina realizada por Cristo, é a mulher eleita, escolhida pelo Omnipotente para ser morada do Verbo Incarnado.

O evangelista Lucas narra o encontro entre o anjo Gabriel e Maria. Trata-se de um diálogo de salvação que acontece em três tempos: a saudação (de graça-eleição), o anúncio (da maternidade messiânica) e o mistério (da salvação em Cristo). A saudação é convite à alegria: “Alegra-te”. O apelativo «cheia de graça» significa uma pessoa que foi amada com amor de benevolência do pai, que foi ornada e cheia de dons dados por bondade divina, que foi enriquecida de beleza.

Maria, porém, não se exalta perante o anúncio do anjo; ao contrário, fica perturbada: «A essas palavras ela ficou muito perturbada e perguntava-se que saudação era aquela». A perturbação de Maria é o temor que preenche qualquer um que sente a presença de Deus e o chamamento a uma missão comprometedor. A Ela, tal como já aos profetas, aos apóstolos e aos discípulos é dito: «Não temas». Diante do amor de Deus por nós, aos seus pedidos, às suas solicitações, não nos deixemos apanhar pelo medo, mas adiramos generosamente, porque o Senhor está connosco.

O anjo tranquiliza-a e conforta-a dizendo: «Não temas, Maria, porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás um filho, e chamá-lo-ás Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de David seu pai e reinará para sempre sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim».

Este anúncio desconcerta-a ainda amais porque não só não conhece homem, o que significa que ainda não foi viver com José, mas dá-se conta também que nenhum homem pode estar em condições de realizar aquilo que o anjo lhe está anunciando.

Mas o anjo Gabriel resolve a sua dúvida com uma resposta clara e misteriosa ao mesmo tempo: «O Espírito descerá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra... Nada é impossível a Deus». Será o próprio Deus a realizar nela aquilo que ao homem é impossível.

Depois desta garantia Maria, abandonando-se totalmente a Deus e em Deus, exclama: «Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra». A Virgem santa, ao contrário de nós, não conta sobre as suas forças, mas só sobre a Palavra de Deus. Nisto consiste a grandeza de Maria: acolher sem hesitar a Palavra, acolher a aliança que Deus lhe oferece, estar pronta a responder com toda a sua vida à vontade do seu Senhor.

Maria, acredita na promessa de Deus, torna-se mãe e eis que no seu ventre ganha forma o Filho do homem que salvará o mundo. O nosso mundo precisa de salvação. Os governantes defendem os interesses das pessoas e das nações ricas e poderosas e não se importam com o sofrimento de tantos fracos e pobres que não têm voz para gritar e ser ouvidos.

Deste modo o pecado continua a espalhar-se no mundo e traz os seus frutos de morte. Maria, a serva do Senhor, pôs a sua vida nas mãos de Deus para a salvação da humanidade. Não serão, portanto, os poderosos a salvar o mundo, mas Cristo Senhor que por obra do Espírito Santo se incarnou no seio da Virgem Maria e se fez homem.

Deixemo-nos guiar por Maria, Imaculada Conceição, para o Senhor na obediência à sua Palavra e confiemos-lhe a nossa vida com as suas fadigas e as suas esperanças.

 

A PALAVRA É REZADA

 

O anjo Gabriel saudou-te, ó Maria,

como jovem mulher por Deus contemplada

porque e ti estava a sua beleza.

E também nós hoje te contemplamos

porque és a mulher do nosso primeiro beijo infantil;

és a mulher da espera e da esperança,

da alegria e da vida, do coração e do amor,  

da fé e do desejo, da oração e do serviço,  

do choro e da solidão, do calvário e da ressurreição.

Contemplamos-te porque és mulher  

de quem está só e de quem está longe de casa,  

dos simples e dos pequenos, em cujo ventre Deus tomou carne,

em cujo coração Deus realizou grandes coisas.

Contemplamos-te porque és a mulher  

que nos escuta e nos compreende,  

que todas as gerações chamam bem-aventurada,  

que o pecado nunca manchou,  

que és beleza do céu e da terra,

obra prima de Deus e flor da humanidade,  

mãe de Jesus e mãe da Igreja,  

sinal e modelo do mundo que se faz novo,  

nossa carícia e nosso repouso,  

que sempre vigias sobre os nossos passos  

e sempre intercedes por nós  

junto do Pai que está nos céus.

Ámen                                

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)