Encontro com a Palavra de Deus – Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Dia Mundial da Paz         
1 de Janeiro de 2017
ANO A

AS LEITURAS DO DIA 
Nm 6, 22-27: O Senhor te abençoe e te proteja.
Salmo 66: Deus se compadeça de nós e nos dê a sua bênção.
Gl 4, 4-7: Deus enviou aos nossos corações o Espirito de seu Filho.
Evangelho Lc 2, 16-21: Maria conservava todos estes acontecimentos.

A PALAVRA É MEDITADA

O texto do evangelho narra-nos um episódio da vida de uma família hebraica, mas o ambiente é fora do normal para um nascimento. Trata-se de uma família marginalizada socialmente. E contudo o menino é Deus e a jovem mulher concebeu-o e deu-o à luz na virgindade. Alguns pastores apressam-se, como resposta a uma mensagem do céu, para o reconhecerem e glorificarem à sua maneira.

É difícil considerá-lo vosso Deus? 

Dirigi o pensamento por um momento ao fascínio persistente exercitado pela sua mãe sobre homens e mulheres de todos os ambientes e classes, sobre pessoas que conheceram sucessos ou falhanços de todo o tipo, sobre homens de génio, sobre marginalizados, sobre soldados angustiados e destinados a morrer no campo de batalha, sobre pessoas que passam através de duras provas espirituais.  

O génio artístico consagrou-se frequentemente ao seu louvor: pensai na “Pietà” de Michelangelo, no grande número de Nossas senhoras medievais e do Renascimento, nos vitrais encantadores da catedral de Chartres e no mais belo de todos os ícones: a Nossa Senhora de Vladimir, que espera com paciência, no Museu Tretiakov de Moscovo, por dias melhores.

Porque é que Nossa Senhora inspira tanta humanidade? 

Talvez porque é, como dizem os ortodoxos, um ícone (= imagem) de Deus? Talvez porque Deus fala através dela mesmo se Maria será sempre uma sua criatura, embora uma criatura única graças aos dons recebidos do Pai? Tudo isto foi objecto de discussões, muitas vezes acesas, quando espíritos grandes procuraram exprimir em termos humanos o mistério de Deus feito homem. Maria foi definida mãe de Deus, “theotokos”, e isto contribuiu para acalmar disputas intelectuais. Este apelativo é particularmente caro aos cristãos do Leste, aos nossos irmãos do mundo ortodoxo, e está profundamente radicado na sua teologia, repetido muitas vezes nas suas liturgias, especialmente na liturgia bizantina, que foi considerada a “mais perfeita” precisamente por causa das suas orações oficiais dedicadas ao culto de Maria. 

Começamos o ano com o sinal deste grande mistério. 

Procuremos então aprofundar a nossa devoção a Maria, Mãe de Deus e nossa, eliminando, porém, todos os traços de sentimentalismo barato. Tentemos convencer os jovens que se trata aqui de um idealismo receptivo, com certeza, mas que exige empenho e muita coragem.          


A PALAVRA É REZADA


Ave Maria, mãe das mães, a ti a minha oração e o meu canto.
Como mãe conheces-me que sou filho e de mim sabes as fragilidades e penas,
escuta a voz do meu coração, o ritmo do seu bater não te é estranho.
Ave Maria, mãe das mães, tu que soubeste acolher o convite do Alto
e pelo teu sim foi possível o encanto, acolhe o grito que sobe de baixo,
e que por ti deseja a paz.
Paz aos aflitos, paz para quem não procura,   
Coragem de um novo advento em tempo de tempestade.  
Ave Maria, mãe das mães, mãe dulcíssima do mais terno dos filhos,  
nome que o homem pronuncia por admiração ou dor,  
porto necessário quando o perigo chega, refúgio quando a dor bate.  
Mãe das mães, o tempo avança, sorri aos teus filhos e faremos paz.  
Início da aventura cada ano que começa, esperança de bênção para o futuro
que avança,
mas se tu sorris, mãe, cada esforço, cada nova viagem, será doce esperança.  
Ave Maria, mãe das mães.
Ámen.

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de Fr. José Augusto)