Encontro com a Palavra de Deus – III Domingo do Advento – ANO B

III DOMINGO DO ADVENTO - ANO B  

    

17 de Dezembro de 2017

 

 

AS LEITURAS DO DIA 

Is 61, 1-2.10-11: Exulto de alegria no Senhor.

Salmo Lc 1, 46-48.49-50.53-54: A minha alma exulta no Senhor.

1Tes 5, 16-24: Todo o vosso ser se conserve para a vinda do Senhor.

Evangelho: Jo 1, 6-8.19-28: No meio de vós está alguém que não conheceis.

 

A PALAVRA É MEDITADA

João não era aluz. Mas veio para dar testemunho da luz. João, testemunha e mártir da luz, abre-nos o caminho no Advento porque nos indica como nos devemos relacionar com Jesus. E mostra-nos que, embora com um pouco de sombra, estamos em condições de receber e testemunhar luz. Que no princípio não está exposta à análise implacável ou inteligente do mundo e de todo o seu pecado. Mas que a história verdadeira inicia quando o homem, nos seus amanheceres tão ricos de trevas, sabe fixar o coração sobre a linha matinal da luz que está a surgir, minoritária e no entanto, vencedora.

Aquilo que conta é que eu dê testemunho da luz: não dos mandamentos, não dos castigos, mas da luz de um Deus libertador, do Deus de Isaías que liga as feridas dos corações, que vai à procura de todos os prisioneiros para os colocar ao sol. Dar testemunho Dele que, como diz S. Paulo, fez resplandecer a vida, deu esplendor e beleza à existência.  

O que dizes de ti mesmo? Eu sou a voz. Só deus é a palavra; eu sou voz, transparência de qualquer coisa que vem de outro lado, eco de palavras que vêm antes de mim, que serão depois de mim. E porém é voz que grita, testemunha de palavras finalmente acesas. Deus é o coração, eu sou voz que diz isto à minha porção de mundo. E quando um sacerdote fala, vamos além das palavras, ele é só um eco. A força não reside no gesto do semeador, muitas vezes desajeitado, mas é o brilhante segredo encerrado na semente que ele semeia. Passamos adiante. Ensina-o João: Ele deve crescer e eu diminuir, e regra da vida espiritual que vale para todos os crentes, mesmo para os profetas, sobretudo para os sacerdotes, e a té mesmo para a Igreja.

João acompanha-nos no caminho do Advento porque nos revela a nossa identidade. Como ele também eu sou grito, isto é, apelo, necessidade, fome. Quantas vezes a vida do homem está selada entre dois gritos: o grito vitorioso da criança que nasce, e o grito crucificado de cada pessoa que morre e que morre em eterno, o Cristo, que grita a sua sede, o seu e o nosso medo aos homens e ao céu. Dizer: eu sou voz, equivale a dizer: eu sou pessoa. Pessoa literalmente significa som que cresce, voz que sobe. A nossa identidade leva-nos mais longe, a um Outro, a uma Pessoa que nos atravessa e nos faz viver. Eu sou pessoa quando sou profeta, e relanço a palavra e a luz, gritando no deserto da cidade ou sussurrando ao coração. Mas não o pregador, mas sim o vivente, todo o vivente é voz de Deus, quando procura viver como Cristo, mártir da sua luz.

 

A PALAVRA É REZADA

No deserto da minha vida, Senhor,
quiseste montar a Tua tenda.
Obrigado!
Todos os dias repito: como e possível?
e continuamente na minha carne ressoa a voz:
não é obra tua!
Obrigado!
Obrigado porque dilatas a minha terra,
porque fazes germinar o grão da Tua Palavra,
porque fazes jorrar a água viva da rocha da minha vida,
porque tornas férteis os meus dias.
A minha alma te louva Senhor,
porque olhaste para a pobreza da minha casa

habitando-a com a tenda do teu amor.
Ajuda-me sempre a carregar-me da Tua tenda,
a deslocar-me todos os dias escutando apenas a Tua voz,
a fazer espaço aos irmãos que procuram abrigo,
a não me agarrar aos recintos do homem;
mas a procurar sempre o espaço que Tu preparas para mim.
Se parar ajuda-me, se errar corrige-me,
se estiver cansado espera por mim …
Plasma o meu barro, eu me confio a Ti,
faz de mim o que quiseres.
Quando me sentir no meio do vento da tempestade,
com a minha tenda em farrapos, repete-me:
Espera no senhor, sê forte!

Ámen.

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)