Encontro com a Palavra de Deus – III Domingo do Tempo Comum - ANO C

III DOMINGO TEMPO COMUM – ANO C

    

                           27 de Janeiro de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

Ne 8, 2-4.5-6.8-10: Liam o Livro da Lei e explicavam o seu sentido.

Salmo 18: As vossas palavras, Senhor, são espirito e vida.

1Cor 12, 12-30: Vós sois corpo de Cristo.

Evangelho Lc 1, 1-4.4,14-21: Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Visto que o Evangelho deste domingo proclama também o "prefácio" com que Lucas inicia a sua obra, é oportuno considerar o carácter histórico do testemunho de Jesus.

A fé cristã apoia-se sobre uma história que aconteceu realmente, e os documentos que a referem são dignos de "fé histórica". Lucas sublinha com insistência a historicidade do «evento - Cristo». É um evento que transcende a história, mas que nem por isso deixa de ser "acontecimento".O "credo" bíblico - cristão "confessa" os factos.  

Factos "salvíficos", em que aconteceu a incursão de Deus no nosso tempo. História e teologia, juntas; nunca uma sem a outra. Nenhuma contraposição entre o "Jesus da história" e o "Jesus da fé". Para Lucas Jesus é o "Cristo", o ungido pelo Espírito, mas não é um mito. Está "dentro" do tempo e "centro" de todo o tempo, chave de leitura de todas as nossas esperanças e acontecimentos humanos.

No "prólogo" de Lucas é digna de ser referida também a insistência sobre as "testemunhas oculares" que ao mesmo tempo são definidas "ministros da palavra". A história oferecida pelo Evangelho é uma leitura pascal da realidade «Jesus».

 "Testemunha" é então aquele que, por um lado, não reduz Jesus a um fantasma; e por outro sabe ver o «evento - Jesus» para lá da aparência exterior, com a força do Espírito e a luz das Escrituras. Assim se torna, de simples testemunhas de acontecimentos, «servidores da Palavra». Tais são (e devem ser) os anunciadores consagrados (bispos e presbíteros), como também todo o cristão baptizado e crismado.

O «hoje» de que fala Jesus na sinagoga de Nazaré, precisa de se verificar no concreto da história humana: é esta a missão da Igreja cuja tarefa consiste em não deixar cair no passado o «acontecimento de Jesus», mas em o manter constantemente presente e vivo.

Diversamente correr-se-ia o risco de levar a nossa atenção para a vida e a história da Igreja e tornar Jesus apenas uma doutrina da própria Igreja, só a pré-história da comunidade cristã: contra tal visão deveremos lembrar sempre que só em Cristo todas as coisas são realizadas.

A tradição da Igreja da Igreja é totalmente ao serviço do acontecimento cristão: o seu referir-se às testemunhas oculares e aos servidores da Palavra diz bem como a fé da comunidade não nasça à volta de fantasias, mas à volta da escuta obediente e da procura cuidada.

O «hoje» de Cristo gera o «hoje» da Igreja como a comunidade que vive dele e da sua acção. Receber e acolher este testemunho evangélico é o serviço de uma Igreja que acredita, que reza, que testemunha.

 

A PALAVRA É REZADA

 

As promessas antigas finalmente realizam-se.

O profeta não era um visionário

e o seu anúncio, não obstante os tempos difíceis,

não era uma quimera, uma ilusão consolatória.

Contigo, Jesus, os pobres recebem

uma boa notícia, um evangelho,

todos aqueles que estão prisioneiro de si mesmos,  

do seu egoísmo, ou de um dos muitos ídolos deste mundo,

do mal cometido, do seu pecado, são finalmente libertados.

Todos aqueles que não vêem mais,

cegos pelo seu coração avarento, pelo ódio, pela maldade,

pelo rancor, pelo desejo de vingança

podem finalmente olhar para os outros

com um olhar límpido, com olhos novos.

E a misericórdia de Deus, a sua compaixão, o seu perdão

são oferecidos a todo o ser humano.

Sim, contigo, Jesus, Deus vem ao encontro

de cada um de nós e não lhe importa

do nosso passado, dos nossos erros, porque Ele quer fazer graça.

Não procura os culpados para julgar e condenar,

não ameaça castigos, mas oferece a possibilidade de ser

transfigurados, mudados no profundo.

E o que é que nos pedes para que isto aconteça?

Que acreditemos em ti, o Messias esperado

e te confiemos esta nossa existência.

Ámen                               

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)