Encontro com a Palavra de Deus – VIII Domingo do Tempo Comum

26 de Fevereiro de 2017
ANO A

AS LEITURAS DO DIA 

Is 49, 14-15: Eu não te esquecerei.
Salmo 61: Só em Deus descansa, ó minha alma.
1 Cor 4, 1-5: O Senhor manifestará o desígnio dos corações.
Evangelho Mt 6, 24-34: Não vos inquieteis com o dia de amanhã.

A PALAVRA É MEDITADA

O Reino, depois o resto
Uma mulher não se esquece do seu menino. Nunca. E se por acaso acontecesse, veríamos coisas graves acontecer… Com Deus isto nunca acontece. Não abandona o seu filho, não me abandona.

Com este testemunho extraordinário, Isaías acompanha-nos em direcção à Quaresma, neste domingo onde, atordoados com as exigências evangélicas das bem-aventuranças, deixamos de fixar o olhar sobre aquilo que devemos fazer para ser sal e luz, e olhamos para o rosto de Deus, que nos convida a viver aquelas bem-aventuranças.

E no entanto, quantas vezes é traído pelos nossos medos, é aviltado. Ou pior, é substituído. Hoje, infelizmente, o novo rosto de Deus tem um nome antigo: Mamona.

Mamona
O ser agarrado ao dinheiro é a raiz de todos os males, sentencia, de forma cortante, o autor da segunda carta a Timóteo, alguém do círculo de Paulo. E continua: pelo seu desenfreado desejo, alguns se desviaram da fé e se atormentaram com muitas dores  (1 Tm 6,10).

Quando era novo pensava que seria uma coisa excessiva.

Hoje dou-lhes razão. O desejo de possuir envenenou as nossas relações, sempre mais, um abismo sem fim. Poderemos ler alguma coisa a este respeito, e ficaremos aterrados: mais de sete biliões de pessoas habitam no planeta, mas poucas centenas de milhares estabelecem um destino, enriquecendo-se sempre mais. O mercado é o novo ídolo dos nossos tempos, o proveito substituiu o trabalho, os nossos destinos concretos dependem de leis criadas pelos homens que nos são apresentadas como inevitáveis.

Mas sem incomodar os biliões, pelo que rezamos esperando na sua conversão!, pensemos no nosso comportamento: que relação temos com a posse, o acumular, o dinheiro? Na verdade, ao longo d avida, nunca encontrei alguém que admitisse viver pelo dinheiro. Mas, então, donde deriva a ânsia de possuir que vemos atrás de cada ângulo? Somos todos franciscanos, com o dinheiro dos outros. Jesus é lapidário: quem entra na lógica de mamona, termo aramaico, cuja raiz indica oferecer segurança, confiando-se à posse, está destinado a falir.

Seguranças
Em que é eu pomos as nossas seguranças? Em quem? É bom ser prudentes, não ser sem critério, e fazer como o bom pai de família que pensa no futuro dos próprios filhos. Mas, e aqui está o engano, não é o dinheiro ou a posse a dar-nos segurança. Nunca. Conheço pessoas que trabalharam como escravos para acumular, esperando gozar a velhice e apanhar sol nalguma praias exótica, serem chamados pela irmã morte antes de realizar o seu sonho.

E eis a provocação de Jesus: só o pai/mãe que é Deus oferece a segurança de sermos amados. Ao discípulo Jesus pede para colocar Deus no centro da sua procura, da sua confiança. Só Ele pode preencher o nosso coração. E não é um gesto de fé, mas de bom senso. É suficiente olhar à nossa volta para compreender que Deus se preocupa connosco. Assim como das aves do céu. E os lírios do campo que vestem melhor que o rei Salomão.

Se Deus veste assim a erva do campo, como duvidais? Certo: não devemos estar sentados à espera que aconteça algo extraordinário, que chova o pão do céu. Devemos trabalhar, ganhar o pão quotidiano, certo. Trabalhar e empenhar-se, é uma coisa óbvia. Mas nada mais. Existe bem outra coisa na qual investir.

Primeiro o Reino
Procuremos o Reino antes de qualquer outra coisa. O resto será dado em abundância. É inútil acrescentar preocupações às nossas penas, são suficientes as de hoje. Mas procuremos o Reino e as coisas de Deus como primeiro, fundamental empenho para a nossa vida.

Vivamos intensamente o presente, deixando ao Senhor e nas suas mãos o nosso futuro. Deus não é uma seguradora que garante a ausência do sofrimento na nossa vida, não. Mas um adulto que nos trata como adultos, que nos oferece a possibilidade de olhar para as coisas que existem, com um outro olhar.

Sabendo que toda (boa) coisa que vivemos, é a garantia do futuro, a página publicitária do absoluto de Deus, a plenitude que nos espera no além. Então compreendemos o convite de Paulo na segunda leitura: mesmo se as pessoas à nossa volta vivem o contrário, quem é que se importa? Porque é que nos preocupamos com o que pensa o povo e com o seu impiedoso julgamento? Viver as bem-aventuranças, viver o paradoxo do evangelho, viver o desejo de olhar o invisível é a nossa vida.

A PALAVRA É REZADA

Corro sempre, Signore Gesù!
Corro da mattina a sera, tra mille impegni da sbrigare
e il bisogno crescente di un po’ di pausa per ritrovarmi con me stesso.
Corro, corro e non sono mai contento.
Raggiungo un traguardo agognato,
per un attimo mi sento soddisfatto e poi...
Poi la delusione mi assale. Sempre così!
Tu, Signore della vita,
donami la grazia della fiducia in Te,
la fiducia di un figlio verso mamma e papà,
la fiducia di un cuore amante verso l’amato,
la fiducia dei tuoi santi come Giovanni Bosco,
Teresa di Calcutta, Giovanni Paolo II
e tanti santi “anonimi”.
Essi s’impegnavano come se il mondo intero
dipendesse da loro, ma si fidavano di Te
e si affidavano a Te, rimanendo nella pace,
convinti che Tu solo hai nelle mani il destino dei popoli.
Tu sei il Signore della storia che conduci verso la pace,
Tu, l’Amore che fa fiorire i fiori del campo
perché ogni innamorato ne faccia dono all’amata
e il mondo non finisca mai di stupirsi.
Ámen.

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de Fr. José Augusto)