Encontro com a Palavra de Deus – Domingo de Pentecostes - ANO C

DOMINGO DE PENTECOSTES – ANO C

    

                           9 de Junho de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

 

Act 2,1-11: Todos ficaram cheios do Espirito santo e começaram a falar.

Salmo 103: Mandai, Senhor, o vosso Espirito, e renovai a terra.

1Cor 12, 3-7.12-13: Todos nós fomos batizados num só Espirito.

Evangelho Jo 20, 19-23: Recebei o Espirito Santo.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Uma vez mais João! Uma vez mais um texto tirado dos "discursos de despedida"!

Uma pergunta lícita que pode ser levantada cai sobre o motivo pelo qual a liturgia do tempo de Páscoa no ofereça de mãos cheias textos do quarto evangelho pertencentes ao contexto das últimas horas da vida terrena de Jesus. Também nesta solenidade de Pentecostes não se lê uma narração pascal, mas sim uma breve passagem do capítulo 14.

A primeira causa desta escolha é ditada pelo facto que as promessas contidas nos capítulos 13-17 são realizadas em primeira instância nos capítulos 20 e 21, precisamente nas narrações da ressurreição. Por exemplo, a promessa da paz dada aos discípulos (14,27) é realizada com a saudação/bênção de Jesus no dia de Páscoa, e oito dias depois: "A paz esteja convosco!". Além disso, a segurança que os discípulos não serão deixados órfãos e que o ressuscitado se lhes mostrará (14,18-19) actua-se precisamente com a visita de Cristo no lugar onde os discípulos se tinham reunido por medo dos Judeus. Por fim, a garantia de enviar o Espirito (14,17.26; 15,26; 16,13) concretiza-se com o sopro do ressuscitado sobre os seus discípulos.

E eis, portanto, o núcleo da liturgia de hoje: o dom do Espirito.

Na 1ª leitura, tirada dos Actos, contempla-se o surgir do Espirito no cenáculo como um vento impetuoso que sacode as portas e invade os corações. O contexto em que se põe esta irrupção está inserido na festa hebraica de Pentecostes, em que se celebrava o dom da Lei a Moisés no Sinai. A Aliança proposta por Deus a Abraão e ao povo "aperfeiçoa-se" através da escuta da lei e da sua observância. Significativamente, portanto, o texto evangélico nasce precisamente da relação entre amar a Cristo e observar os seus mandamentos. Com maior precisão, sublinha-se que observar os mandamentos é consequência e efeito do amor de e por Jesus. Na base de tudo está o mandamento do amor que Jesus sublinhou, confirmou, viveu e levou a cumprimento em toda a sua vida, e com maior força, no dom final.

Para João a cruz é o momento da glorificação de Cristo, o evento determinante do caminho realizado. Nela já está presente, o mistério da Ressurreição, da vida nova, do dom do Espirito, da santificação dos discípulos. Jesus confirma por duas vezes que será enviado o Paráclito, um outro Paráclito, a partir do momento que o primeiro foi Ele mesmo.

As muitas traduções deste termo mostram a sua amplitude lexical e semântica: o consolador, o advogado, o defensor, o que está ao lado, quem faz desviar. Por outras palavras é uma espécie de advogado defensor que põe a sua arte e benevolência em proteger o seu assistido. Na mentalidade apocalítica o desastre causado pelos pecados e pelas faltas abatia-se sobre o homem e esperava um evento salvífico que libertasse da escravidão espiritual e do peso do mal.  

Jesus com a sua morte não só liberta do peso da escravidão, mas dá vida nova e aprova a presença de um advogado que não abandona. O dom do Espirito, portanto, constitui o dom da Nova Lei, o cumprimento da Lei mosaica através do selo do sangue e do amor. Neste sentido, o discurso do amor e da observância da Lei torna-se o centro focal da boa notícia. O Pentecostes como cume da salvação e repartida para um anúncio que se torna concreto também na vida da comunidade crente.

 

 

A PALAVRA É REZADA

 

Vem, Espirito Santo, tu que és o «pai dos pobres».

As nossas comunidades estão perdidas e frequentemente perderam

o desejo de viver segundo o Evangelho.

Abre uma brecha nos nossos corações,

livra-nos da insensibilidade e da preguiça,

queima tudo aquilo que atrapalha a nossa existência,

desperta-nos para o gosto da liberdade e da generosidade.

Dá-nos a graça da essencialidade, derrama em nós uma audácia nova

e leva-nos pelas estradas dos pobres para partilhar com eles

a esperança de um mundo novo.

Vem, Espirito Santo, tu que és o «dador dos dons».

Traz uma onda de fantasia aos nossos conselhos paroquiais,

enriquece de novos recursos, todos os operadores pastorais,

liberta-nos de toda a pequenez, ensina-nos a enfrentar os conflitos

Sem ceder ao desejo de nos impormos, de vencer, de humilhar.

Vem, Espirito Santo, «consolador perfeito, hóspede doce da alma».

Habita os nossos pensamentos,

queima toda a tristeza e toda a desilusão,

sugere-nos iniciativas novas de compaixão, de misericórdia, de fraternidade.

Suscita em cada discípulo a alegria de procurar Deus todos os dias.

Ámen                               

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)