Encontro com a Palavra de Deus – XVII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

XVII DOMINGO TEMPO COMUM – ANO A

    

30 de Julho de 2017

ANO A

 

AS LEITURAS DO DIA 

1Reis 3, 5.7-12: Pediste a Sabedoria.

Salmo 118: Quanto amo, Senhor, a vossa lei.

Rom 8, 28-30: Predestinou-nos para sermos conformes à imagem de seu Filho.

Evangelho: Mt 13, 44-52: Vendeu tudo quanto possuía para comprar aquele campo.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Certamente acontece-nos a todos, pelo menos uma vez na vida, de chegar à noite com a mente confusa e o coração ofegante. Talvez porque naquele dia corremos atrás de tantas ocupações; provavelmente também encontrámos tanta gente, que nos confiou as suas angústias; ou quem sabe, dedicámos o dia à nossa família. Trabalhámos, cansámo-nos, também ajudámos os outros; fizemos tantas coisas, e todavia – chegados à noite – sentimos que nos falta qualquer coisa, percebemos um vazio, uma falta, à qual porém não sabemos dar um nome.

Precisamente a esta sensação de vazio quer dar resposta a parábola do tesouro escondido que caracteriza a página evangélica deste domingo. "O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo; um homem encontra-o e esconde-o de novo, depois vai, cheio de alegria, vende todos os seus haveres e compra o campo".

"Cheio de alegria" está o homem da parábola; ao contrário de nós, que andamos cheios de preocupações e ocupações. Mas, na realidade, também aquele homem – antes – era assim: também aquele homem tinha a mente confusa e o coração ofegante, precisamente como acontece a todo o homem e toda a mulher deste mundo. E no entanto um belo dia aquele homem encontrou um tesouro, e a sua vida mudou. Tinha descoberto qualquer coisa de único e de essencial, qualquer coisa de grande e de maravilhoso, invisível aos olhos mas capaz finalmente de meter em ordem a sua vida.

Do mesmo modo – e apenas deste modo – também nós poderemos experimentar a plenitude da alegria. Porque não serão as nossas muitas ocupações a tornar-nos felizes; e nem sequer o encontro com os outros nos realizará em pleno; como nem sequer a nossa família responderá totalmente às nossas expectativas. Só se soubermos descobrir também nós qualquer coisa de único e de essencial, qualquer coisa de grande e de maravilhoso, só então nos será dada a plenitude da alegria. Porque só então conseguiremos meter em ordem a nossa vida, para lá da confusão e das dificuldades.

Assim fez o jovem rei Salomão, que não pediu a Deus saúde, riqueza ou poder, mas pediu um coração dócil, e aprendeu assim a governar o seu povo (primeira leitura de domingo: 1Re 3,5.7-12). Assim fez sobretudo Jesus, que não pediu ao Pai tranquilidade, honra e glória, mas confiou-se à sua vontade, e conseguiu de tal modo vencer até a morte. Assim podemos fazer nós, se não nos resignarmos a lamentar-nos por aquilo que falta, mas entregamos a nossa vida ao Evangelho de Jesus.

Também nós encontraremos o tesouro escondido: e mesmo as nossas muitas ocupações, o nosso encontro com os outros, a nossa própria família, assumirão um rosto novo, inesperado, cheio de promessas. E finalmente acontecerá também connosco saborearmos a plenitude da alegria.

 

A PALAVRA É REZADA

«Admiro-te apertar a ti, mediante a humildade,  

com a força da fé e os braços da pobreza,  

o tesouro incomparável,  

escondido no campo do mundo e dos corações humanos,  

com o qual se compra Aquele  

que do nada extrai todas as coisas.

Coloca os teus olhos diante do espelho da eternidade,  

coloca a tua alma no esplendor da glória,  

coloca o teu coração naquele que é figura da divina substância,  

e transforma-te inteiramente, por meio da contemplação,  

na imagem da divindade dele.

Então também tu experimentarás

aquilo que está reservado só aos seus amigos,

e saborearás a secreta doçura,  

que o próprio Deus reservou desde o início para aqueles que o amam.  

Sem conceder sequer um olhar às seduções,

que neste mundo falaz e irrequieto

estendem laços aos cegos que a eles agarram o seu coração,  

com toda a ti mesma ama Aquele  

que por teu amor todo se deu».

 

(S. CLARA DE ASSIS, Terceira carta a santa Inês dePraga)

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)