Encontro com a Palavra de Deus – VI DOMINGO DA QUARESMA - Ramos – ANO B

VI DOMINGO DA QUARESMA - ANO B  

Domingo de Ramos

    

25 de Março de 2018

 

 

AS LEITURAS DO DIA 

Is 50, 4-7: O Servo de Deus que se oferece.

Salmo 21: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Filp 2, 6-11: Não se valeu da sua igualdade com Deus.

Evangelho: Mc 14, 1-15, 47: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.

 

A PALAVRA É MEDITADA

Reunimo-nos para prestar homenagem ao Senhor como assembleia, fizemo-lo agitando os ramos de oliveira. Este dia é o ponto de chegada do tempo da Quaresma que vivemos até agora, mas é também o ponto de início da semana santa e por isso nós queremos acompanhar o Senhor não só no momento triunfal da exaltação, mas também nas ocasiões dolorosas da sua prisão, da sua condenação e da sua morte. Repensando na leitura do Evangelho da Paixão podemos escolher a personagem com a qual nos identificamos para estar mais próximos do Senhor. Podemos encontrar-nos na condição dos primeiros apóstolos que reunidos juntamente com Jesus se deixam vencer pelo sono e pelo cansaço, e sentir o peso da nossa condição humana e das nossas preocupações, ver o limite do nosso amor pelo Senhor.  

Podemos sempre recomeçar e pedir a Jesus a graça de estar unidos a Ele no momento da prova para ter também a alegria de saborear a ressurreição.  

Podemos também reconhecer-nos no centurião romano que sob a cruz, não obstante tivesse pouca experiência do mundo religioso hebraico, mas uma grande experiência do mundo, compreende que o homem é verdadeiramente excepcional, nunca ninguém tinha morrido daquela maneira e chega à sua profissão de fé: verdadeiramente este homem é o Filho de Deus.

Podemos ter a constância e a dedicação das mulheres que seguem Jesus no momento do seu martírio e não se afastam dele nem sequer depois da crucifixão e a sua morte mas observam de longe o sepulcro à espera de prestar as últimas honras fúnebres, mas já com o sentimento antecipado do anúncio pascal o dia da ressurreição.

O importante é que não permaneçamos simplesmente na condição da multidão que antes aclama Jesus e depois mudando de ideia, aderindo às vozes que chegavam não se sabe donde, prefere Barrabás, para ser libertado, em vez de Jesus e não tem medo de gritar: "Seja crucificado”!" escondendo-se atrás do anonimato de uma opinião sem identidade.  

Portanto podemos escolher a qual personagem queremos adequar-nos, a quem queremos inspirar-nos, talvez também S. Pedro que cede à tentação de renegar Jesus, mas depois se arrepende e chora lagrimas amaras de arrependimento e recebe o olhar do Senhor que é já um encorajamento e um indício do seu perdão.

Não fiquemos portanto indiferentes diante da Paixão do senhor, não o consideremos apenas um espectáculo, uma lembrança do passado, mas vejamos como da cruz vem uma nascente de vida e de significado também para a nossa existência. Jesus demonstra verdadeiramente até onde chega a capacidade do mal contra o justo e contra o inocente, mas também que o amor de Deus e a sua misericórdia é maior que toda a insensibilidade e toda a hostilidade humana.

Por isso com confiança recorramos a Jesus que pediu a Deus o perdão para os seus carrascos, que deu ao ladrão arrependido a alegria do paraíso: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso!" Com confiança portanto dirijamo-nos ao Senhor e peçamos-lhe a graça de o acompanhar e de o sentir próximo nestes dias para viver todos os momentos da nossa vida, as ocasiões tristes, mas também as felizes sempre na presença da sua luz, para que nos dê a sua força e a sua serenidade.

 

A PALAVRA É REZADA

Senhor Jesus, encontramo-nos diante de ti,  

Acolhido e aclamado pelos espíritos livres, como o Filho de David,

Como aquele que vem em nome do Senhor.  

Também nós somos chamados pela Liturgia

a depor superficialidades e inconstâncias,  

atrasos e respeito humano, para proclamar, com a vida,

a nossa fé em ti, único salvador do homem.

Dá-nos a graça de contemplar, nestes dias,  

A grandeza do teu mistério de amor  

e a fragilidade das nossas escolhas inconsistentes.  

Tu és o crucificado que recolhe a humanidade dispersa.

Dá-nos a força de saber levar reciprocamente  

As nossas cruzes, para as encontrar todas transfiguradas  

Pelo teu martírio de amor.  

A oração seja a nota dominante

Desta grande Semana Santa.

A tua Palavra nos mova, o teu sacrifício nos converta,  

O teu amor nos salve.

A tua Paixão nos leve à beira do sepulcro  

Para te reencontrar ressuscitado e imortal.

Ámen.

 

 

 (In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)