Encontro com a Palavra de Deus – V Domingo do Tempo Comum - ANO C

V DOMINGO TEMPO COMUM – ANO C

    

                           10 de Fevereiro de 2019

 

AS LEITURAS DO DIA 

Is 6, 1-2.3-8: Eis-me aqui: podeis enviar-me.

Salmo 137: Na presença dos anjos, eu vos louvarei, Senhor.

 

1Cor 15, 1-11: É assim que pregamos e foi assim eu acreditastes.

Evangelho Lc 5, 1-11: Deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

A PALAVRA É MEDITADA

A multidão aglomerava-se à volta dele

É fortemente significativo que o evangelista diga expressamente que a multidão se aglomerava para escutar a «palavra de Deus», mais que a «palavra de Jesus». As palavras que saem da sua boca não é uma palavra de homem, existe identidade entre a sua palavra e a de Deus, entre a sua pessoa e o próprio Deus. O povo percebe o quão é extraordinário a quele pregador, «ouve» e acorre, existe sede de "boa notícia".

O Evangelho também hoje fala do coração do homem, comove-o, penetra-o e salva-o, tem uma capacidade atrativa sem igual. Descobrimo-lo na narração de muitos que na vida se tornaram pobres, que perderam esperanças e dignidade mas encontraram a Palavra e se deixaram atrapalhar por aquilo que ficou da própria vida e começaram a ressurgir.

A Palavra de Deus trabalha onde não é esperada, em plena liberdade envolvendo, inspirando, consolando, comunicando um amor sem igual, independentemente da obra do homem, às vezes não obstante a obra do homem que cheia de aparatos, de "religião" se mete no meio. Deus fez tornar um produto de supermercado que hoje sofre a concorrência de bancos cheios de coisas a preços mais acessíveis.

A Palavra de Deus é Palavra que se incarna nas palavras do homem: os homens de Jerusalém e do tempo de então, os homens da hierarquia eclesiástica hoje, têm uma responsabilidade grave quando apresentam liturgias cheias de formar, cheias de si próprios, sem uma alma enquanto as pessoas se afastam porque se sentem julgadas, tratadas com descortesia, sem compreensão, sem amor em nome de tantas demasiadas reras.

Subiu para uma barca

Os pescadores tinham descido e lavavam as redes e Jesus sobre para aquela barca. Simples crónica de um acontecimento ou qualquer elemento mais significativo que nos é narrado por Lucas? A barca teria permitido uma distância da multidão, o espelho de água lacustre teria espalhado o som da palavra, mas também é verdade que o evangelho nos conta que Jesus "entra" na vida, na história, no trabalho de Simão. Testemunha-o também o convite a continuar uma pesca que naquela noite tinha sido uma desilusão. Jesus sobe para aquela barca para que sentado pudesse ensinar, chama Simão e depois os outros para a pesca. Tudo, todo o raciocínio lógico e humano teria desaconselhado não o fazer, mas para Simão entrou em jogo uma variante nova: "a tua palavra". Aquela palavra faz superar qualquer lógica consideração, qualquer sábia avaliação, qualquer cálculo e a pesca torna-se abundante.

Lançou-se de joelhos

Aquele fulano assediado pela multidão, antes ignorado, agora torna-se "Senhor" e a cena descrita por Lucas diz muito sobre a relação nova que nasceu entre o "Senhor" e o "pecador". Se ouvirmos as palavras com atenção percebemos a necessidade de manter uma distância que a situação dos dois tornava insuperável: afasta-te de mim. Mas é Pedro que não se afasta, aliás lançou-se de joelhos para o ter perto de si.

O homem percebe a sua insuficiência. O não ser adequado, mas também a extrema necessidade de sentir Deus próximo, ao seu alcance, capaz de o acolher, de o escutar, de o compreender e de o amar.

A partir de agora

Com frequência, para não dizer quase sempre, o convite que Jesus dirige àqueles pescadores é aplicado aso padres e à sua vocação considerada quase uma particularidade. Existe o risco de desvirtuar o sentido do episódio atribuindo ao evangelho uma intenção que não tem. Jesus não está a olhar para uma igreja desestruturada como nós hoje a vivemos e pensamos. O seu olhar é sobre toda a humanidade, para quem Deus criou e preparou um "jardim" para cuidar. Existe um Reino de Deus que se fez próximo.

 

 

 

A PALAVRA É REZADA

 

Se pertenço ao teu povo santo;  

se estou em  festa pela Eucaristia que com a tua Igreja celebrei;  

se me sinto conhecido e amado por ti, Senhor,  

é porque estou unido a ti por um fio  

que passou de mão em mão através da fé vivida por tantas gerações,  

que me transmitiram a tua Palavra  

e me encheram de graça com os teus sacramentos.

Faz, ó Senhor, que aquilo que sou, aquilo que tenho e que conheço de ti

não o tenha fechado em mim, mas saiba revelá-lo a quem é mais novo que eu

um transmissor do teu Evangelho na minha família,  

no lugar do meu trabalho, entre as pessoas do meu tempo,  

já que me chamaste também a mim  

a transmitir a “boa notícia” do Reino que satisfaz plenamente  

as inquietações do coração humano,

sempre ambicioso de superar as futilidades do tempo,  

de modo a entrar na dimensão do eterno  

que satisfaz e apaga todo o desejo mais profundo do homem.

Ámen                               

 

 

 

 

(In Qumran, e La Chiesa: tradução livre de fr. José Augusto)